Desemprego: os dados do INE contradizem os do IEFP, e ambos excluem parte da realidade

Eugénio Rosa    02.Mar.21

Há trimestres em que o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego é superior ao número de desempregados que existem no país, segundo o INE. E mais estranho ainda é verificar-se uma redução do número de desempregados divulgado pelo INE quando nos Centros de Emprego a tendência é de aumento. A pergunta que se coloca é esta: Como é que o INE consegue o “milagre” de reduzir o desemprego oficial quando o número de inscritos nos Centros de Emprego, que não correspondem à totalidade dos desempregados existentes no país pois muitos não se inscrevem, aumenta? E a resposta é que exclui muitos desempregados dos números oficiais de desemprego que divulga. E esta situação torna-se ainda mais dramática porque o número de desempregados a receber o subsídio de desemprego é muito inferior não só ao desemprego real (544.800) como também aos desempregados inscritos nos próprios Centros de Emprego.

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Votos*

Anabela Fino    27.Feb.21

A comissão parlamentar de Defesa na AR, maioritariamente composta por deputados do PS e do PSD, decidiu apresentar um voto de pesar pela morte de Marcelino da Mata, o militar mais condecorado de sempre do fascismo. Aprovado com votos do PS, PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal, o voto de pesar foi uma espécie de cereja em cima do bolo após o funeral com a presença do Presidente da República e dos Chefes do Estado Maior das Forças Armadas e do Exército. O que é de questionar é qual o motivo que leva deputados socialistas, quase meio século depois do 25 de Abril e em pleno ascenso da extrema-direita por toda a Europa, a distinguir um símbolo da política de opressão e guerra da ditadura fascista.

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Texas, EUA: um Estado falhado pelo modelo neoliberal

Alberto Lopez Girondo    26.Feb.21

Cada situação extrema deixa à vista as debilidades e fragilidades internas dos EUA. Sendo escusado repetir o mais de meio milhão de mortos pela COVID-19, surgem agora as consequência dramáticas da vaga de frio trazida pela tempestade URI, com o colapso dos sistemas de abastecimento de energia eléctrica e de água a uma escala semelhante à de Estados ditos “falhados”. Sistemas privatizados e liberalizados, cuja irracionalidade de gestão e completa ausência de responsabilidade pública conduziram a este desastre. É isto o modelo que o capitalismo continua a querer impor ao mundo.

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Qual o salário real na distribuição por plataformas digitais? Menos que o mínimo!

Tiago Vieira    22.Feb.21

O “trabalho independente” dos distribuidores das plataformas digitais é de extrema exploração. Com o confinamento, essas plataformas aumentaram exponencialmente os lucros. Para os distribuidores, nada melhorou: precariedade, baixíssimo salário, excessivas horas de trabalho, e ainda por cima são por sua conta a despesas relativas à actividade. Vem a propósito referir que há poucos dias o Supremo Tribunal da capitalista Grã-Bretanha consagrou o princípio de que os condutores da UBER são trabalhadores por conta de outrem e não auto-empregados, o que representa uma monumental derrota para aquela multinacional.

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Direitos humanos e medidas coercivas unilaterais: a Relatora Especial da ONU sobre o impacto dessas medidas no exercício dos direitos humanos, srª Alena Douhan, conclui a sua visita à República Bolivariana da Venezuela Caracas (12 de Fevereiro de 2021)

Alena Douhan    20.Feb.21

Um documento de excepcional importância. Com admirável isenção e objectividade, a Relatora Especial da ONU traça o quadro da sanções contra a Venezuela e do seu esmagador impacto sobre os direitos e as condições de vida do seu povo. Aponta a completa ilegitimidade dessas sanções, a forma como violam todas e cada uma das normas elementares do direito internacional e do direito humanitário. Aponta o dedo, em concreto, a Estados que participam nessa criminosa acção encabeçada pelos EUA. E Portugal está nessa lista, para vergonha de uma política externa de servil vassalagem ao imperialismo EUA/UE.

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Uma história oficial da democracia portuguesa?

Manuel Loff    18.Feb.21

A direita portuguesa, que impediu por todas as formas que fosse feito o necessário processo público do fascismo e do colonialismo em Portugal, aproveita todas as oportunidades para branquear esse passado e – como Bolsonaro e outros do mesmo calibre fazem também – acusar a democracia portuguesa de «inventar» uma «narrativa oficial» do salazarismo. Aconteceu agora, com os elogios e homenagens de altas figuras do Estado a Marcelino da Mata, um homem responsável por crimes de guerra contra o seu próprio povo. Ocultam e branqueiam o passado, talvez na esperança de que regresse qualquer coisa de semelhante.

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Sem investimento não é possível criar emprego qualificado nem desenvolver a economia

Eugénio Rosa    17.Feb.21

Sem investimento produtivo o desenvolvimento do país só pode basear-se em sectores de baixa intensidade tecnológica, com baixos salários e baixa produtividade, de que é exemplo o turismo. A economia portuguesa será assim sempre frágil, dependente e vulnerável ao exterior, como aconteceu na crise de 2008 e na actual, em que novamente se vai regredir vários anos. É o resultado de um país e de um governo que investem menos do que aquilo que é destruído pelo uso e pela obsolescência, e em que o stock de capital por trabalhador é dos mais baixos da UE. E a mítica “bazuca” (um embuste propagandístico) deve ser vista à luz desta realidade: o governo fica sistematicamente muito longe das metas na execução dos programas financiados por fundos comunitários.

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«Somos o maior grupo de direitos humanos de Israel – e chamamos-lhe apartheid»

Hagai El-Ad    16.Feb.21

O racismo é parte integrante da natureza do Estado sionista de Israel. O nome adequado à estrutura que engendrou é o de apartheid. Um regime tão odioso como o que vigorou na África do Sul. Não assenta na cor da pele mas num critério igualmente desumano: ao “judeu” cabem todos os direitos, à grande maioria dos palestinianos não cabem direitos nenhuns. Mas há entre os “judeus” muitos que, com corajosa dignidade, recusam identificar-se com o racismo sionista. O autor deste texto e a organização a que pertence mostram-no.

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ONU confirma efeitos devastadores do bloqueio à Venezuela

AbrilAbril    15.Feb.21

A relatora de Direitos Humanos da ONU instou ao levantamento das sanções unilaterais dos Estados Unidos e da União Europeia à Venezuela. Portugal foi mencionado, e pelas piores razões: para além de alinhar na sistemática hostilização da Venezuela bolivariana, retém ilegalmente fundos daquele país. O MNE Santos Silva continua a destacar-se como um dos piores que ocuparam o cargo, e não é dizer pouco, dado o calibre dos anteriores.

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União Africana: pandemia e conflitos*

Carlos Lopes Pereira    13.Feb.21

A recente 34ª Cimeira da União Africana fez o ponto dos sérios problemas com que o continente se defronta: crise sanitária (às debilidades dos serviços de saúde em vários países junta-se a prioridade das grandes farmacêuticas em fornecer vacinas a quem mais pague); persistentes conflitos armados; recuperação económica.

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Mesmo com a pandemia, o governo continuou a desinvestir no SNS

Eugénio Rosa    12.Feb.21

São dados do próprio Ministério das Finanças que o confirmam: entre a saúde e o défice, o Governo opta pelo défice. Os números, ainda por cima com o país a contas com a pandemia, são elucidativos. Diminui o número de médicos. Reduzem-se em perto de 233 milhões as transferências previstas no Orçamento Suplementar, e em 25,2 milhões os fundos que têm como origem receitas de capital. Há quebras muito volumosas na assistência médica à população. O servil e obediente alinhamento com os incompetentes burocratas de Bruxelas dá nisto.

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A saúde pública à mercê dos negócios e da cegueira geopolítica

José Goulão    11.Feb.21

Como as pessoas estão dramaticamente ansiosas pelas vacinas, não se questionam sobre quem e como as fabrica. A informação que lhes é devida por parte de quem fez as escolhas é - como toda ela vem sendo - distorcida, contraditória e selectiva. Mas há dois factos que se vêm destacando: o estrondoso fracasso da Comissão Europeia, e a criminosa prioridade ao negócio das “Big Pharma”. O governo português prefere ficar atado de pés e mãos a este fracasso a empreender reais vias alternativas de solução (que não passam pelo sucessivo decretar do “estado de emergência”) para os dramáticos problemas que se acumulam.

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