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	<title>ODiario.info</title>
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		<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=785&amp;c=1">
		<title>O REAL BANCO DA ESC&#211;CIA LAN&#199;A ALERTA SOBRE CRASH GLOBAL NA BOLSA E NO CR&#201;DITO</title>
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		<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;di&#97;&#114;io&#64;odi&#97;r&#105;&#111;&#46;&#105;n&#102;&#111;)</dc:creator>
		<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
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		<description>O Real Banco da Esc&#243;cia (RBE) aconselhou os clientes a prepararem-se para um crash em grande nos mercados globais das bolsas de valores e do cr&#233;dito nos pr&#243;ximos tr&#234;s meses devido &#224; paralisa&#231;&#227;o dos principais bancos centrais.

"Vamos ser apanhados por um per&#237;odo horr&#237;vel - preparem-se", disse Bob Janjuah, o estratega ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[O Real Banco da Esc&#243;cia (RBE) aconselhou os clientes a prepararem-se para um crash em grande nos mercados globais das bolsas de valores e do cr&#233;dito nos pr&#243;ximos tr&#234;s meses devido &#224; paralisa&#231;&#227;o dos principais bancos centrais.<br />
<br />
"Vamos ser apanhados por um per&#237;odo horr&#237;vel - preparem-se", disse Bob Janjuah, o estratega de cr&#233;dito do banco.<br />
<br />
Um relat&#243;rio da equipa de investiga&#231;&#227;o do banco avisa que o &#237;ndice S&amp;P 500 de ac&#231;&#245;es da Wall Street &#233; prov&#225;vel que caia mais de 300 pontos para cerca de 1.050 por volta de Setembro, quando se "pagar a factura" dos excessos do boom global que contagiar&#225; e alastrar&#225; &#224; Europa e aos mercados emergentes. <br />
<br />
Tal derrocada nas bolsas mundiais representaria uma das piores baixas de mercado dos &#250;ltimos cem anos.<br />
<br />
O RBE afirmou que o &#237;ndice iTraxx das obriga&#231;&#245;es de alto n&#237;vel das grandes empresas poderia chegar a 130/150, ao passo que o &#237;ndice misto das obriga&#231;&#245;es de mais baixo n&#237;vel podia atingir 650/700 numa nova reac&#231;&#227;o de p&#226;nico nos mercados de d&#237;vida. <br />
<br />
"Penso que n&#227;o exagero. A permanecer no mercado de cr&#233;dito, &#233; de procurar qualidade, curto prazo, nomes seguros n&#227;o-c&#237;clicos.<br />
<br />
"O dinheiro &#233; a garantia de bem-estar. Trata-se aqui de n&#227;o perder dinheiro e n&#227;o perder o emprego," disse Janjuah, que se tornou estrela do City depois de os seus terr&#237;veis avisos do ano passado sobre a crise do cr&#233;dito se terem mostrado completamente certos.<br />
<br />
O RBE espera que a Wall Street se mobilize um pouco mais no in&#237;cio de Julho, antes que o breve dinamismo do impulso fiscal americano comece a esmorecer e os efeitos retardados do pico do petr&#243;leo inflijam os seus danos.<br />
<br />
"A globaliza&#231;&#227;o sempre amea&#231;ou com o risco de p&#244;r os banqueiros do G7 numa encruzilhada perigosa. Cheg&#225;mos agora l&#225;," disse ele.<br />
<br />
A Reserva Federal dos Estados Unidos e o Banco Central Europeu enfrentam ambos a op&#231;&#227;o de Hobson quando os trabalhadores come&#231;am a perder o emprego e as institui&#231;&#245;es de cr&#233;dito cortam nos empr&#233;stimos.<br />
<br />
As autoridades n&#227;o podem responder com dinheiro f&#225;cil, porque os custos do petr&#243;leo e da alimenta&#231;&#227;o continuam a empurrar a infla&#231;&#227;o para n&#237;veis que perturbam os mercados. "O problema &#233; que podemos necessitar de crescimento global muito inferior para termos menos infla&#231;&#227;o," disse.<br />
<br />
"O Fed [Reserva Federal - N.T.] est&#225; em p&#226;nico. O cr&#233;dito em massa deita abaixo o Fed e talvez mesmo o BCE se afunde quando n&#227;o conseguirem aumentar as taxas de juro, face a um aumento da infla&#231;&#227;o, e ambas se combinarem resultando numa enorme oferta de activos de risco," disse.<br />
<br />
Kit Jukes, director dos mercados de d&#237;vida do RBE, disse que a Europa n&#227;o fica imune. <br />
<br />
"A fragilidade econ&#243;mica alastra e os &#250;ltimos dados sobre o consumo e sobre a confian&#231;a s&#227;o terr&#237;veis. O BCE est&#225; determinado a aumentar as taxas.<br />
<br />
"As sequelas pol&#237;ticas podem ser s&#233;rias se os ministros das finan&#231;as das economias mais fracas se atirarem ao BCE. Margens maiores entre os Bunds alem&#227;es e os mercados perif&#233;ricos parecem fora de d&#250;vida," disse ele.<br />
<br />
Em &#250;ltima inst&#226;ncia, o banco espera que o decl&#237;nio do pico do pre&#231;o do petr&#243;leo como for&#231;a mais poderosa da defla&#231;&#227;o da d&#237;vida tenha lugar s&#243; no pr&#243;ximo ano.<br />
<br />
Este texto foi publicado no Telegraph de 18 de Junho de 2008<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o: Jorge Vasconcelos<br />
]]></content:encoded>
	</item>
		<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=787&amp;c=1">
		<title>Imitando as opera&#231;&#245;es militares das FARC, narcogoverno da Col&#244;mbia resgata 15 ref&#233;ns</title>
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		<dc:date>2008-07-03T07:00:00</dc:date>
		<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;&#105;ar&#105;o&#64;&#111;&#100;i&#97;&#114;io.in&#102;&#111;)</dc:creator>
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		<description>Observadores suecos dizem que, um dia antes da opera&#231;&#227;o, as FARC tinham aceite libertar 40 ref&#233;ns, entre eles Betancourt e os mercen&#225;rios estadunidenses. Nesse caso, o narcogoverno colombiano e pode ter interferido na opera&#231;&#227;o de entrega para n&#227;o dar esse trunfo &#224; guerrilha.

F&#234;-lo com o apoio dos EUA, quando os ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[Observadores suecos dizem que, um dia antes da opera&#231;&#227;o, as FARC tinham aceite libertar 40 ref&#233;ns, entre eles Betancourt e os mercen&#225;rios estadunidenses. Nesse caso, o narcogoverno colombiano e pode ter interferido na opera&#231;&#227;o de entrega para n&#227;o dar esse trunfo &#224; guerrilha.<br />
<br />
F&#234;-lo com o apoio dos EUA, quando os ref&#233;ns a libertar estavam Ingrid Betancourt e os tr&#234;s mercen&#225;rios estadunidenses, poucos dias depois de uma senten&#231;a do Supremo Tribunal de Justi&#231;a que acusa o narcogoverno de &#171;ac&#231;&#245;es delituosas&#187; na sua reelei&#231;&#227;o e coincidindo com a visita de McCain &#224; Col&#244;mbia.<br />
<br />
Os factos ocorrem um dia depois da reactiva&#231;&#227;o da Quarta Esquadra da Marinha estadunidense e durante a visita de John McCain, candidato presidencial do partido Republicano estadunidense, a terras neo-granadinas. Entre os libertados est&#227;o os tr&#234;s militares estadunidenses ref&#233;ns das FARC-EP, bem como membros da pol&#237;cia e do ex&#233;rcito colombianos.<br />
<br />
O ministro da Defesa em alocu&#231;&#227;o televisionada apresentou alguns detalhes da opera&#231;&#227;o, que se inspirou segundo a Revista Semana na efectuada pelas FARC-EP h&#225; 5 anos, em que foram capturados os deputados del Valle, assassinados ao que parece por mercen&#225;rios ao servi&#231;o do Estado numa tentativa de resgate e ferro e fogo.<br />
<br />
Curiosamente, a ac&#231;&#227;o ocorre horas depois de os mediadores da Fran&#231;a e da Sui&#231;a, o ex-c&#244;nsul franc&#234;s em Bogot&#225;, Noel Saenz, e o diplomata su&#237;&#231;o Jean-Pierre Gontard, informarem ter feito um contacto com as FARC para discutir o destino de Betancourt, segundo informaram ag&#234;ncias internacionais. &#171;Um negociador franc&#234;s e um su&#237;&#231;o passaram tr&#234;s dias numa &#225;rea onde se acredita que operam importantes comandantes, como parte do esfor&#231;o para a liberta&#231;&#227;o dos ref&#233;ns que incluem a franco-colombiana Ingrid Betancourt e tr&#234;s estadunidenses&#187;.<br />
<br />
Le F&#237;garo disse numa edi&#231;&#227;o antecipada da sua edi&#231;&#227;o de quarta-feira que os negociadores se tinham reunido com uma pessoa pr&#243;xima de Cano nas montanhas do sul do pa&#237;s sul-americano para, de acordo com &#171;fontes oficiais colombianas&#187;, discutir o destino de Betancourt.<br />
<br />
Observadores suecos falam da similitude da opera&#231;&#227;o com o sanguin&#225;rio ataque do ex&#233;rcito colombiano a um acampamento das FARC no Equador, onde assassinaram Raul Reyes. Este ataque aconteceu quando as negocia&#231;&#245;es para a liberta&#231;&#227;o de ref&#233;ns estavam bastante avan&#231;adas.<br />
<br />
No caso actual, suspeita-se que tamb&#233;m havia negocia&#231;&#245;es avan&#231;adas com esses enviados.O El Tiempo informou em 1 de Julho, um dia antes da opera&#231;&#227;o, que as FARC tinham aceite libertar 40 ref&#233;ns, entre eles Ingrid Betancourt e os mercen&#225;rios estadunidenses. Nesse caso, o narcogoverno colombiano pode ter interferido na opera&#231;&#227;o de entrega para n&#227;o dar esse trunfo &#224; guerrilha. <br />
<br />
<b>Colabora&#231;&#227;o do regime estadunidense</b><br />
<br />
O governo dos Estados Unidos colaborou na opera&#231;&#227;o do Ex&#233;rcito colombiano que resgatou 15 ref&#233;ns que estavam em poder das FARC. Assim o reconheceu esta quarta-feira Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Seguran&#231;a Nacional em Washington.<br />
<br />
&#171;Apoi&#225;mos a opera&#231;&#227;o. E proporcion&#225;mos apoio espec&#237;fico&#187;, afirmou Johndroe que, no entanto, recusou dar mais pormenores sobre o tipo de colabora&#231;&#227;o. &#171;Este resgate h&#225; muito tempo que estava a ser planeado, e n&#243;s trabalh&#225;mos com os colombianos durante cinco anos, desde que os ref&#233;ns foram capturados, para a sua liberta&#231;&#227;o&#187;, acrescentou. <br />
<br />
Johndroe precisou que o governo estadunidense soube da opera&#231;&#227;o &#171;desde o processo de planifica&#231;&#227;o&#187; e acrescentou que nessa fase participaram o embaixador estadunidense em Bogot&#225;, William Brownfield, e o chefe do comando sul do ex&#233;rcito, o almirante James Stavridis. <br />
<br />
Ainda se desconhece a vers&#227;o da insurrei&#231;&#227;o e o estado e paradeiro dos guerrilheiros capturados. Espera-se a reac&#231;&#227;o de centenas de presos pol&#237;ticos nas pris&#245;es colombianas, que viam na troca de prisioneiros a possibilidade de recuperar a liberdade e como primeiro passo para um processo de negocia&#231;&#227;o pol&#237;tica dialogada para o conflito social e armado cujas causas, sublinha reiteradamente a insurrei&#231;&#227;o colombiana, continuam vigentes.<br />
<br />
<i>ABP / YVKE Mundial / La Haine<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Jos&#233; Paulo Gasc&#227;o</i><br />
]]></content:encoded>
	</item>
		<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=784&amp;c=1">
		<title>Como fabricar uma crise global</title>
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		<dc:date>2008-07-02T07:00:00</dc:date>
		<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;&#105;ar&#105;&#111;&#64;&#111;&#100;iar&#105;o.inf&#111;)</dc:creator>
		<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
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		<description>A eros&#227;o da agricultura mexicana 

N&#227;o pode compreender-se a crise alimentar mexicana sem considerar que nos anos anteriores &#224; crise da tortilha, a p&#225;tria do milho foi convertida numa economia importadora desse cereal pelas pol&#237;tica de &#171;mercado livre&#187; promovidas pelo Fundo Monet&#225;rio Internacional (FMI) pelo Banco Mundial (BM) e Washington. ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<b>A eros&#227;o da agricultura mexicana</b> <br />
<br />
N&#227;o pode compreender-se a crise alimentar mexicana sem considerar que nos anos anteriores &#224; crise da tortilha, a p&#225;tria do milho foi convertida numa economia importadora desse cereal pelas pol&#237;tica de &#171;mercado livre&#187; promovidas pelo Fundo Monet&#225;rio Internacional (FMI) pelo Banco Mundial (BM) e Washington. O processo come&#231;ou com a crise da d&#237;vida no princ&#237;pio da d&#233;cada de 1980. O M&#233;xico, um dos maiores devedores do mundo em desenvolvimento, foi obrigado a implorar dinheiro ao banco e ao FMI para pagar o servi&#231;o da d&#237;vida com bancos comerciais internacionais. O pre&#231;o do resgate foi o que um membro do conselho executivo do BM descreveu como um &#171;intervencionismo sem precedente&#187;, elaborado para eliminar os direitos aduaneiros, regulamenta&#231;&#245;es e institui&#231;&#245;es governamentais de apoio, que a doutrina neo-liberal identificou como barreiras &#224; efici&#234;ncia econ&#243;mica.<br />
<br />
O pagamento de juros elevou-se a 19% da despesa federal total em 1982 at&#233; 57% em 1988, enquanto as despesas de capital ca&#237;ram de 19,3% para 4,4%. A contrac&#231;&#227;o da despesa governamental traduziu-se no desmantelamento do cr&#233;dito estatal, dos factores de produ&#231;&#227;o agr&#237;cola subsidiados elo governo, dos apoios aos pre&#231;os, dos conselhos estatais de comercializa&#231;&#227;o e de outros servi&#231;os.<br />
<br />
Este golpe na agricultura camponesa foi seguido por um outro ainda maior em 1994, quando entrou em vigor o Tratado de Livre Com&#233;rcio da Am&#233;rica do Norte (TLCAN). Ainda que o dito tratado considerasse uma prorroga&#231;&#227;o de 15 anos para protec&#231;&#227;o dos produtos agr&#237;colas, entre eles o milho, rapidamente come&#231;ou a fluir milho estadunidense altamente subsidiado, o que levou o pre&#231;o para metade e mergulhou os produtores de milho mexicanos numa crise cr&#243;nica. Em boa medida, por causa desse acordo, o M&#233;xico consolidou-se como um importador l&#237;quido de alimentos.<br />
<br />
Com o encerramento da entidade governamental de com&#233;rcio de milho, a distribui&#231;&#227;o de importa&#231;&#245;es de milho dos Estados Unidos e do gr&#227;o nacional foram monopolizados por umas quantas transnacionais comercializadoras, como a Cargill. Isso deu-lhes um extraordin&#225;rio poder para especular com as tend&#234;ncias do mercado, de modo a poderem manipular e muitas vezes aumentar os movimentos de procura di biocombust&#237;veis. Ao mesmo tempo, o controlo monopolista do com&#233;rcio dom&#233;stico assegurou que uma eleva&#231;&#227;o dos pre&#231;os a n&#237;vel internacional n&#227;o se repercutisse nos pre&#231;os a pagar aos pequenos produtores.<br />
<br />
Torna-se cada vez mais dif&#237;cil os produtores mexicanos de milho evitarem o destino de muitos outros pequenos produtores em sectores como os de arroz, de carne de vaca, de frango e de porco, que se foram abaixo pelas vantagens concedidas pelo TLCAN aos produtos estadunidenses de produtos subsidiados. Segundo um relat&#243;rio do Fundo Carnegie de 2003, as importa&#231;&#245;es agr&#237;colas dos EUA deixaram sem trabalho 1,3 milh&#245;es de pessoas, muitos dos quais emigraram para o pa&#237;s do norte.<br />
<br />
As perspectivas n&#227;o s&#227;o boas, visto que o governo mexicano continua nas m&#227;os de neo-liberais que desmantelam sistematicamente o sistema de apoio ao campo.<br />
<br />
<b>Cria&#231;&#227;o da crise do arroz nas Filipinas</b><br />
<br />
Que a crise global de alimentos &#233; originada pela reestrutura&#231;&#227;o da agricultura pelo mercado livre v&#234;-se mais claramente no caso do arroz. Ao contr&#225;rio do milho, comercializa-se menos de 10% da produ&#231;&#227;o mundial de arroz. Al&#233;m disso no caso do arroz n&#227;o houve desvio para a produ&#231;&#227;o de biocombust&#237;veis. No entanto, s&#243; este ano, os pre&#231;os triplicaram, passando de 380 USD por tonelada em Janeiro para mais de mil d&#243;lares em Abril. Sem d&#250;vida, a infla&#231;&#227;o deriva em parte da especula&#231;&#227;o dos cart&#233;is de armazenistas numa &#233;poca de escassas exist&#234;ncias. No entanto, o maior mist&#233;rio &#233; por que &#233; que v&#225;rios pa&#237;ses consumidores de arroz que eram auto-suficientes se tornaram altamente dependentes das importa&#231;&#245;es.<br />
<br />
As Filipinas oferecem um triste exemplo de como a reestrutura&#231;&#227;o econ&#243;mica neoliberal transforma um pa&#237;s exportador l&#237;quido de arroz em importador l&#237;quido desse alimento. &#201; o maior importador mundial de arroz. O esfor&#231;o de Manilla para assegurar provis&#245;es a qualquer pre&#231;o tornou-se not&#237;cia de primeira p&#225;gina, e as fotos de soldados a assegurar a distribui&#231;&#227;o deste cereal em comunidades pobres tornou-se emblem&#225;tica da crise global.<br />
<br />
Os tra&#231;os gerais da hist&#243;ria das Filipinas s&#227;o semelhantes aos do M&#233;xico. O ditador Fernando Marcos foi culpado de muitos crimes e de m&#225;s decis&#245;es, uma das quais a de n&#227;o levar por diante a reforma agr&#225;ria, mas n&#227;o se pode acusar de privar o sector agr&#237;cola de fundos governamentais. Para avaliar o descontentamento dos camponeses, o regime forneceu fertilizantes e sementes subsidiadas, impulsionou mecanismos de cr&#233;dito e construiu a infra-estrutura rural. Durante os 14 anos da sua ditadura, s&#243; num, em 1973, se teve que importar arroz devido aos extensos danos provocados pelos tuf&#245;es. Quando Marcos fugiu do pa&#237;s, em 1986, havia 900 mil toneladas m&#233;tricas de arroz nos armaz&#233;ns do governo.<br />
<br />
Paradoxalmente, os anos seguintes de governo democr&#225;tico viram diminuir a capacidade de investimento governamental. O BM e o FMI, agindo por conta de credores internacionais, pressionaram o governo de Coraz&#243;n Aquino para que desse prioridade ao pagamento da d&#237;vida externa, que ascendia a 26 mil milh&#245;es de d&#243;lares. Aquino cedeu, apesar dos economistas do seu pa&#237;s a tivessem advertido que seria &#171;in&#250;til procurar um programa de recupera&#231;&#227;o consistente com o pagamento da d&#237;vida fixado pelos nossos credores&#187;.<br />
<br />
Entre 1986 e 1993, entre 8 e 10 por cento do PIB saiu das Filipinas todos os anos, como pagamento do servi&#231;o da d&#237;vida. Os pagamentos de juros, proporcionalmente &#224; despesa governamental elevaram-se de 7% em 1980 a 28% em 1984; as despesas de capital ca&#237;ram de 26% a 16%. Em suma, o servi&#231;o da d&#237;vida tornou-se a prioridade do or&#231;amento nacional.<br />
<br />
A despesa na agricultura caiu para menos de metade. O BM e os seus ac&#243;litos n&#227;o se preocupavam, porque um dos prop&#243;sitos do apertar o cinto era permitir que o sector privado investisse no campo. Mas a capacidade agr&#237;cola sofreu uma r&#225;pida eros&#227;o, o rio estancou, e no final da d&#233;cada de 1990 s&#243; 19% da rede de estradas dopais estava pavimentada, contra 82% na Tail&#226;ndia e 75% na Mal&#225;sia. As colheitas eram na generalidade an&#233;micas; o rendimento m&#233;dio de arroz era de 2,8 toneladas por hectare, muito abaixo da China, do Vietname e da Tail&#226;ndia, onde os governos promoviam activamente a produ&#231;&#227;o rural. A reforma agr&#225;ria pregui&#231;ou no per&#237;odo seguinte a Marcos, foi privada dos fundos para os servi&#231;os de apoio, que tinham sido a chave para as reformas de sucesso de Taiwan e Coreia do Sul.<br />
<br />
Tal como no M&#233;xico, os camponeses filipinos confrontaram-se com a retirada em larga escala do Estado como patrocinador de apoios. E o desaparecimento de programas agr&#237;colas foi seguido da liberaliza&#231;&#227;o comercial; A entrada das Filipinas na Organiza&#231;&#227;o Mundial de Com&#233;rcio (OMC) teve o mesmo efeito que a assinatura do TLCAN para o M&#233;xico.<br />
<br />
Os membros da OMC exigia eliminar as quotas nas importa&#231;&#245;es com excep&#231;&#227;o do arroz, e permitir que uma certa quantidade de cada produto ingressasse com baixos direitos aduaneiros. Permitiu-se ao pa&#237;s manter uma quota de importa&#231;&#245;es de arroz, teve de se admitir o equivalente a entre 1% e 4% do consumo dom&#233;stico nos 10 anos seguintes. De facto, por causa da debilita&#231;&#227;o da produ&#231;&#227;o derivada da falta de apoio oficial, o governo importou muito mais do isso para compensar uma poss&#237;vel escassez. Essas importa&#231;&#245;es, que se elevaram de 263 mil toneladas em 1965 a 2,1 milh&#245;es em 1998, deprimiram o pre&#231;o do cereal, o que desalentou os produtores e manteve a produ&#231;&#227;o a uma taxa muito menor que a dos principais pa&#237;ses fornecedores do pa&#237;s, como a Tail&#226;ndia e o Vietname.<br />
<br />
As consequ&#234;ncias da entrada das Filipinas na OMC varreram, como um tuf&#227;o, com o resto da agricultura. Face &#224; invas&#227;o de importa&#231;&#245;es baratas de milho, os camponeses reduziram a quantidade de terra &#224; invas&#227;o de esse cultivo de 3,1 milh&#245;es de hectares em 19993 para 2,5 milh&#245;es em 2000. A importa&#231;&#227;o massiva de peda&#231;os de frango quase acabou com essa ind&#250;stria, enquanto o aumento das importa&#231;&#245;es desestabilizou as de aves de capoeira, porco e vegetais.<br />
<br />
Os economistas do governo prometeram que as perdas no milho e noutras culturas tradicionais seriam mais que compensadas pela nova ind&#250;stria exportadora de cultivos de &#171;alto valor acrescentado&#187; como flores, espargos e br&#243;colos. Muito pouco disso se verificou. O emprego agr&#237;cola caiu de 11,2 milh&#245;es em 1994 para 10,8 milh&#245;es em 2001.<br />
<br />
O golpe duplo d adapta&#231;&#227;o imposto pelo FMI e a liberaliza&#231;&#227;o comercial imposta pela OMC fez com que uma economia agr&#237;cola em boa medida auto-suficiente se tornasse dependente das importa&#231;&#245;es e marginalizou constantemente os agricultores. Foi um processo doloroso, assim descrito por um negociador do governo filipino, durante uma sess&#227;o da OMC em Genebra: &#171;Os nossos pequenos produtores agr&#237;colas s&#227;o massacrados pela brutal injusti&#231;a do ambiente do com&#233;rcio internacional&#187;.<br />
<br />
<b>A grande transforma&#231;&#227;o</b><br />
<br />
A experi&#234;ncia do M&#233;xico e das Filipinas reproduziu-se num pa&#237;s atr&#225;s de outro, sujeitos &#224;s manobras do FMI e da OMC. Um estudo da Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas para a Agricultura e Alimenta&#231;&#227;o (FAO) em 14 pa&#237;ses descobriu que os n&#237;veis de importa&#231;&#245;es agr&#237;colas em 1995-98 excederam os de 1990-94. N&#227;o era surpreendente, visto que um dos principais objectivos do acordo agr&#237;cola da OMC era abrir mercados em pa&#237;ses em desenvolvimento para que absorvessem a produ&#231;&#227;o excedente do norte.<br />
<br />
Os ap&#243;stolos do mercado livre e os defensores do dumping pareceram estar em extremos opostos do espectro, mas as pol&#237;ticas que propugnam produzem o mesmo resultado: uma agricultura capitalista industrial globalizada. Os pa&#237;ses em integraram-se num sistema em que a produ&#231;&#227;o de carne e gr&#227;o para exporta&#231;&#227;o est&#225; dominada por grandes explora&#231;&#245;es industrializadas, como as exploradas pela transnacional tailandesa CP, onde a tecnologia &#233; melhorada continuamente pelos avan&#231;os da engenharia gen&#233;tica de firmas como a Monsanto. E a elimina&#231;&#227;o de barreiras tarif&#225;rias e n&#227;o tarif&#225;rias facilita um supermercado agr&#237;cola global de consumidores de elite e classe m&#233;dia, atendidos por grandes empresas comercializadoras de gr&#227;os como a Cargill e a Archer Daniels Midland, e retalhistas transnacionais de alimentos como a Tesco e a francesa Carrefour.<br />
<br />
N&#227;o e apenas a eros&#227;o da auto-sufici&#234;ncia alimentar nacional ou da seguran&#231;a alimentar, mas do que a especialista de temas africanos, Deborah Bryce-sin, de Oxford, chama a &#171;descamponiza&#231;&#227;o&#187;, isto &#233;, a supress&#227;o de um modo de produ&#231;&#227;o para fazer do campo um local mais apropriado para a acumula&#231;&#227;o intensiva de capital. Esta transforma&#231;&#227;o &#233; traum&#225;tica para centenas de milh&#245;es de pessoas, visto que a produ&#231;&#227;o camponesa n&#227;o &#233; s&#243; uma actividade econ&#243;mica: &#233; um modo de vida milenar, uma cultura, o que &#233; uma raz&#227;o para que os camponeses deslocados ou marginalizados tenham recorrido ao suic&#237;dio. Calcula-se que uns 15 mil camponeses indianos tenham acabado com a vida. A baixa dos pre&#231;os provocada pela liberaliza&#231;&#227;o comercial e a perda de controlo sobre as sementes em benef&#237;cio das empresas de biotecnologia s&#227;o parte do problema integral, como sublinha Vandana Shiva, activista pela justi&#231;a global: &#171;na globaliza&#231;&#227;o, o campon&#234;s ou a camponesa perdem a sua identidade social, cultural e econ&#243;mica de produtor. Agora o campon&#234;s &#233; &#171;consumidor&#187; de sementes e qu&#237;micos caros vendidos pelas poderosas empresas transnacionais atrav&#233;s de poderosos latifundi&#225;rios e agiotas locais.  <br />
<br />
<i>* Walden Bello &#233; analista e ex director executivo do Instituto de Investiga&#231;&#227;o e Activismo para o Sul Global, com sede em Banguecoque e vice-presidente do Forum Social Mundial.<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Jos&#233; Paulo Gasc&#227;o</i><br />
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		<title>A ilus&#227;o reformista, - a resposta keynesiana e o papel da social-democracia</title>
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		<dc:date>2008-07-01T07:00:00</dc:date>
		<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;i&#97;&#114;&#105;o&#64;&#111;d&#105;ar&#105;o&#46;i&#110;fo)</dc:creator>
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		<content:encoded><![CDATA[Hoje, s&#227;o muitos os comentadores burgueses e alas da social-democracia em todo o mundo que falam da fal&#234;ncia do &#171;neoliberalismo&#187;, das suas consequ&#234;ncias sociais e do &#171;monstro&#187; gerado na esfera financeira. Face &#224; dimens&#227;o da crise que se vive, alertam para os perigos existentes e a necessidade de reformar o sistema, juntado &#224; fal&#234;ncia do &#171;neoliberalismo&#187;, a fal&#234;ncia do &#171;comunismo&#187;, ressuscitam a ilus&#227;o do reformismo e do keynesianismo como resposta &#224; crise. &#201; o velho mito do capitalismo regulado.<br />
<br />
 Mais uma vez a social-democracia cumpre o seu papel hist&#243;rico, de reduto &#171;salvador&#187; do sistema capitalista. Um duplo papel, por um lado, de aliado de classe directo e executor da ofensiva imperialista em curso, por outro, abrindo alas de conten&#231;&#227;o, para que as convuls&#245;es sociais crescentes n&#227;o se traduzam no refor&#231;o ou surgimento de sujeitos revolucion&#225;rios que pugnem pela necess&#225;ria supera&#231;&#227;o do sistema e ruptura com o modo de produ&#231;&#227;o capitalista.<br />
<br />
<b>Algumas quest&#245;es preliminares</b><br />
<br />
A primeira quest&#227;o que importa salientar &#233; a dimens&#227;o da crise que o sistema capitalista atravessa. Uma crise estrutural, com epicentro na pot&#234;ncia hegem&#243;nica do centro capitalista &#8211; os EUA, com amplos segmentos industriais em sobreprodu&#231;&#227;o e as dificuldades crescentes de obten&#231;&#227;o por parte dos capitalistas das taxas de lucro esperadas. Uma crise de excessos, excesso de capacidade instalada, excesso de liquidez, excesso de capital fict&#237;cio e excesso de d&#237;vida. A que acresce as consequ&#234;ncias do grau atingido da delapida&#231;&#227;o de recursos naturais finitos (nomeadamente os hidrocarbonetos) que p&#245;e em causa a normal &#171;alimenta&#231;&#227;o&#187; do processo de acumula&#231;&#227;o de capital, para al&#233;m dos limites existentes &#224; expans&#227;o geogr&#225;fica dos mercados e os limites humanos f&#237;sicos ao aumento da taxa de explora&#231;&#227;o. Por isso, a crise &#233; do sistema, das suas contradi&#231;&#245;es e limites internos, o que o tornam n&#227;o reform&#225;vel, as &#171;respostas&#187; que o sistema encontrou foram apenas sa&#237;das &#171;tempor&#225;rias&#187; para o estado de crise permanente.<br />
<br />
A crise financeira de Agosto 2007, tendo por base a &#171;bolha&#187; nos activos imobili&#225;rios, como a de Mar&#231;o de 2000, com base nos activos mobili&#225;rios, e a actual &#171;bolha&#187; especulativa, agora transferida para os bens alimentares, mat&#233;rias-primas e petr&#243;leo, n&#227;o s&#227;o a causa da actual crise, s&#227;o sintomas da crise estrutural que o sistema capitalista atravessa. S&#227;o a consequ&#234;ncia da progressiva financeiriza&#231;&#227;o do capital, com vista a obter as taxas de lucro esperadas que n&#227;o consegue obter na esfera produtiva. Tem sido o motor de distribui&#231;&#227;o e centraliza&#231;&#227;o das mais-valias geradas na esfera produtiva. Foram (e s&#227;o) &#171;bal&#245;es de oxig&#233;nio&#187; do sistema para responder ao avolumar da crise, numa explos&#227;o sem paralelo de cr&#233;dito, capital-dinheiro e capital fict&#237;cio. A quest&#227;o da(s) crise(s) financeira(s) &#233; uma distrac&#231;&#227;o das causas profundas subjacentes da crise, as contradi&#231;&#245;es e limites do modo de produ&#231;&#227;o capitalista. Estas &#233; que tem de ser combatidas, mas para isso, tem que se atacar a causa, o modo de produ&#231;&#227;o capitalista.<br />
<br />
A &#233;poca que vivemos mostra que a resposta &#171;deflacion&#225;ria&#187; (do Consenso de Washington, de Reagan/Tatcher) do sistema &#224; crise iniciada em 1973 est&#225; esgotar-se, esta &#233; a fal&#234;ncia vis&#237;vel do dito &#171;neoliberalismo&#187;. Passados 35 anos, existem condi&#231;&#245;es que se assemelham &#224;s de 1973, que marcam o retorno da denominada &#171;estagfla&#231;&#227;o&#187;. Como ent&#227;o estamos a viver um per&#237;odo de estagna&#231;&#227;o econ&#243;mica, acompanhado por um forte aumento dos pre&#231;os das mat&#233;rias-primas e do petr&#243;leo, com uma enorme massa de d&#243;lares a circular fora dos EUA e um crescimento exponencial de &#171;petrod&#243;lares&#187;, com os EUA fortemente endividados e com as dificuldades do d&#243;lar de funcionar como moeda &#226;ncora do sistema. Pod&#237;amos tamb&#233;m juntar as &#171;guerras&#187;, a invas&#227;o e ocupa&#231;&#227;o do Afeganist&#227;o e do Iraque<br />
<br />
E o que foi 1973, sen&#227;o o esgotamento da resposta &#171;inflacion&#225;ria&#187; do sistema &#224; crise estrutural de 1929-1933 &#8211; o esgotamento da resposta keynesiana?<br />
<br />
<b>A resposta keynesiana</b><br />
<br />
O keynesianismo foi a resposta que o capitalismo encontrou &#224; crise estrutural que o sistema atravessou em 1929-1933 e que veio a culminar na segunda guerra mundial. A base da resposta centrava-se no intervencionismo do Estado para estimular a procura agregada em tempo de crise, por via da pol&#237;tica monet&#225;ria, fiscal e or&#231;amental, ou seja, criar as condi&#231;&#245;es para estimular o investimento global.<br />
<br />
A resposta keynesiana deu-se num contexto muito particular. Um contexto de reconstru&#231;&#227;o do p&#243;s-guerra. As for&#231;as produtivas tinham sido amplamente destru&#237;das na Europa e no Jap&#227;o, o que criava as condi&#231;&#245;es de valoriza&#231;&#227;o do capital as taxas de lucro esperadas, permitindo um novo ciclo de acumula&#231;&#227;o de capital. A destrui&#231;&#227;o das for&#231;as produtivas foi essencial no combate &#224; sobreprodu&#231;&#227;o existente em amplos segmentos das economias capitalistas, nomeadamente na redu&#231;&#227;o do excesso de capacidade industrial instalada na Europa. Quanto aos EUA, encontraram mercados para a absor&#231;&#227;o do seu excedente produtivo na Europa e no Jap&#227;o, por via dos programas de ajuda do p&#243;s-guerra (o Plano Marshall e o Plano Dodge, respectivamente), onde a ajuda estava vinculada &#224; compra de produtos norte-americanos, atenuando assim os efeitos do excesso de capacidade industrial instalada nos EUA, cujo aparelho produtivo n&#227;o foi afectado pela guerra. <br />
<br />
Um contexto da denominada &#171;guerra fria&#187;. A exist&#234;ncia da Uni&#227;o Sovi&#233;tica e do bloco socialista, as revolu&#231;&#245;es socialistas na China, em Cuba e no Vietname, impunham uma correla&#231;&#227;o de for&#231;as desfavor&#225;vel ao capital, que permitiu importantes conquistas sociais por parte dos trabalhadores e o estabelecimento do chamado &#171;estado provid&#234;ncia&#187;. <br />
<br />
Um contexto de exist&#234;ncia de uma fonte de energia barata &#8211; o petr&#243;leo, que veio progressivamente a substituir o carv&#227;o como fonte de energia primordial do sistema. Condi&#231;&#227;o que potenciou a segunda vaga de &#171;automobiliza&#231;&#227;o&#187;, estimulando a (ainda) ind&#250;stria chave do sistema capitalista contempor&#226;neo &#8211; a ind&#250;stria autom&#243;vel, contribuindo para um refor&#231;o do investimento em infra-estruturas rodovi&#225;rias e a extens&#227;o da urbaniza&#231;&#227;o e &#171;sub-urbaniza&#231;&#227;o&#187;. <br />
<br />
Um contexto de forte investimento no complexo militar-industrial - um &#171;keynesianismo militar&#187;, por parte sobretudo dos EUA, que continuou em guerra de forma permanente (por exemplo, a Coreia e o Vietname). Estes foram apenas alguns dos factores que contribu&#237;ram para o que se costuma apelidar os &#171;trinta gloriosos&#187; ou &#171;a idade de ouro do capitalismo&#187;.<br />
<br />
Contudo, a resposta keynesiana &#224; crise esgotou-se com o dissipar dos factores e condi&#231;&#245;es objectivas existentes no p&#243;s-segunda guerra mundial. Com a baixa das taxas de lucro no centro do sistema capitalista e a amplitude da sobreprodu&#231;&#227;o de amplos segmentos produtivos, sobretudo nos EUA. O surgimento e a press&#227;o &#171;competitiva&#187; das outras pot&#234;ncias da Tr&#237;ade em emerg&#234;ncia (a Alemanha e o Jap&#227;o). Os primeiros sinais de &#171;pico de produ&#231;&#227;o&#187; ao n&#237;vel do petr&#243;leo (nomeadamente nos EUA) e de outras mat&#233;rias-primas, com as dificuldades de manuten&#231;&#227;o da reposi&#231;&#227;o dos recursos naturais finitos. A fragilidade financeira dos EUA e do d&#243;lar como moeda &#226;ncora do sistema, que levou a declara&#231;&#227;o de &#171;n&#227;o convertibilidade&#187; do d&#243;lar em 1971, pondo em causa o sistema monet&#225;rio internacional estabelecido no p&#243;s-guerra. Foram tudo factores que contribu&#237;ram para o esgotamento da resposta inflacion&#225;ria do sistema a crise &#8211; o keynesianismo. Em 1973, a(s) crise(s) estavam instaladas no &#171;cora&#231;&#227;o&#187; do capitalismo.<br />
<br />
A quest&#227;o central &#233; que o keynesianismo n&#227;o resolveu nem resolve as contradi&#231;&#245;es do modo de produ&#231;&#227;o capitalista e do seu processo de acumula&#231;&#227;o. Foi uma resposta de um momento em condi&#231;&#245;es objectivas espec&#237;ficas de desenvolvimento das rela&#231;&#245;es sociais de produ&#231;&#227;o que n&#227;o s&#227;o repet&#237;veis. O papel do Estado hoje e a fragilidade dos mecanismos de interven&#231;&#227;o e dos estabilizadores autom&#225;ticos, a amplitude da crise de sobreprodu&#231;&#227;o existente, a continua baixa das taxas de lucro do centro capitalista (o aumento da composi&#231;&#227;o org&#226;nica do capital), que a d&#233;cada de 90 com a derrota do bloco socialista n&#227;o conseguiu inverter, o grau de interdepend&#234;ncia econ&#243;mica, o grau de financeiriza&#231;&#227;o e o atingir dos limites naturais e de expans&#227;o geogr&#225;fica dos mercados, s&#227;o tudo factores que contribuem para a dimens&#227;o da actual crise e para os limites de uma nova resposta &#171;inflacion&#225;ria&#187; do sistema crise.<br />
<br />
&#201; necess&#225;rio ter presente que mesmo durante a resposta &#171;deflacion&#225;ria&#187; (ou &#171;neoliberal&#187;), o capitalismo continuou a usar, nuns casos de uma forma mais generalizada, noutros pontual, a resposta keynesiana. Veja-se o caso dos EUA e do &#171;keynesianismo militar&#187; permanente da sua economia, acelerada com a administra&#231;&#227;o Bush para fazer face &#224; crise de 2000-2003 ou o caso do Jap&#227;o na d&#233;cada de 90. Em ambos os casos a resposta atenuou, mas n&#227;o conseguiu estabelecer um per&#237;odo longo de &#171;folga ao sistema&#187;. A crise voltou aos EUA e o Jap&#227;o continua mergulhado em d&#233;cada e meia de estagna&#231;&#227;o/defla&#231;&#227;o. As condi&#231;&#245;es hoje existentes assemelham-se &#224; &#171;estagfla&#231;&#227;o&#187; do come&#231;o da d&#233;cada de 70, ou seja, ap&#243;s o &#171;fracasso&#187; da resposta &#171;deflacion&#225;ria&#187;, estamos hoje em situa&#231;&#227;o similar, apesar de mais acentuada, a que nos deixou a resposta &#171;inflacion&#225;ria&#187; de ent&#227;o &#224; crise estrutural que o sistema capitalista atravessa.<br />
<br />
<b>O papel da social-democracia</b> <br />
<br />
Existe uma grande &#171;intimidade&#187; entre a social-democracia e a resposta keynesiana nos &#171;trinta gloriosos&#187;, que conduziu ao refor&#231;o dos partidos social-democratas, num contexto de correla&#231;&#227;o de for&#231;as ent&#227;o amplamente desfavor&#225;vel para o capital. Existe uma dial&#233;ctica entre as conquistas sociais obtidas pelos trabalhadores no centro capitalista no p&#243;s-guerra, sobretudo na Europa dita &#171;ocidental&#187; e o uso do compromisso como uma arma de arremesso da &#171;guerra fria&#187;, na luta e isolamento - o ostracismo - das correntes ditas &#171;radicais&#187;, comunistas, democr&#225;ticas e progressistas, numa assun&#231;&#227;o da &#243;ptica da negocia&#231;&#227;o versus confronta&#231;&#227;o. A venda ilus&#243;ria da possibilidade de um compromisso capital/trabalho, como fosse poss&#237;vel conciliar os interesses antag&#243;nicos entre exploradores e explorados, com o keynesianismo a ser levado a n&#237;vel pol&#237;tico, como programa reformista dos partidos da social-democracia em alternativa &#224; constru&#231;&#227;o de uma sociedade socialista. Claro numa altura, em que as experi&#234;ncias de constru&#231;&#227;o do socialismo estavam em franco crescimento no mapa-mundo. <br />
<br />
O compromisso era simples, salvar o sistema, aceitando o seu sistema de propriedade e a l&#243;gica capitalista de acumula&#231;&#227;o privada, a &#171;troco&#187; de direitos sociais/laborais e de uma rede de seguran&#231;a social &#8211; o &#171;estado provid&#234;ncia&#187;. Sem com isto querer diminuir a luta e as conquistas sociais dos trabalhadores, pois foi uma &#171;troca suada&#187; num contexto particular da correla&#231;&#227;o de for&#231;as, mas foi uma troca com ced&#234;ncias e purgas no movimento oper&#225;rio (veja-se o papel da AFL-CIO nos EUA) e no movimento comunista internacional. Foram trinta anos onde a social-democracia ajudou a solidificar o sistema e sua aceita&#231;&#227;o pelos trabalhadores no centro capitalista, anos &#171;encharcados&#187; de reformismo e ilus&#245;es &#8211; o &#171;capitalismo de rosto humano&#187;, que contribuiu tamb&#233;m para o progressivo enfraquecimento do movimento oper&#225;rio, derivas oportunistas e surgimento das ditas correntes &#171;euro-comunistas&#187; que ajudaram (e ajudam) ao enfraquecimento do movimento comunista internacional, com o desaparecimento ou transforma&#231;&#227;o de diversos partidos comunistas na Europa e no Mundo.<br />
<br />
Com a crise do sistema capitalista em 1973, ocorreu uma adapta&#231;&#227;o da social-democracia, assumindo uma postura de vanguarda das correntes neoliberais (veja-se a doutrina neo-keynesiana). Quando o capital ganhou for&#231;a e a crise potenciou a altera&#231;&#227;o de correla&#231;&#227;o de for&#231;as, com o aumento do ex&#233;rcito de reserva de desempregados, a agressividade da ofensiva de classe n&#227;o se fez esperar. A ruptura do &#171;pacto social&#187; do p&#243;s-guerra e mais tarde a afirma&#231;&#227;o do Consenso de Washington (estabilidade de pre&#231;os, consolida&#231;&#227;o or&#231;amental, liberaliza&#231;&#227;o de todos os mercados e com&#233;rcio livre) foram apenas sinais da ofensiva imperialista. A liberaliza&#231;&#227;o dos movimentos de capitais e do investimento eram instrumentos adicionais de chantagem sobre o trabalho. Foram os tempos dos governos conservadores Reagan/Tatcher nos EUA e na Inglaterra, os tempos de Paul Volcker &#224; frente da Reserva Federal nos EUA, os tempos das derrotas dos mineiros na Inglaterra, dos controladores a&#233;reos nos EUA, das ced&#234;ncias de direitos conquistados face &#224; chantagem das deslocaliza&#231;&#245;es e a desculpa da inevitabilidade de uma denominada &#171;globaliza&#231;&#227;o&#187; que impunha novas regras, ao mesmo tempo em que se desagregava o bloco socialista. Mas tamb&#233;m foram tempos em que a social-democracia contribuiu decisivamente para assumir como seu o dito projecto europeu &#8211; a Comunidade Europeia que ent&#227;o tamb&#233;m dava um salto qualitativo no refor&#231;o do p&#243;lo europeu da tr&#237;ade. S&#227;o os tempos de Delors &#224; frente da Comiss&#227;o Europeia, o grande impulsionador do Mercado &#218;nico, do Acto &#218;nico Europeu e do Tratado de Maastricht, em concubinato com a Mesa Redonda dos Industriais Europeus. S&#227;o os tempos em que a social-democracia assume o seu papel de adapta&#231;&#227;o aos novos tempos, cujo exemplo mais paradigm&#225;tico &#233; a chegada &#224; presid&#234;ncia de Mitterrand em Fran&#231;a e a posterior &#171;trai&#231;&#227;o&#187; ao seu programa.<br />
<br />
Na gest&#227;o da segunda vaga da crise do sistema, os governos sociais-democratas assumem as r&#233;deas, gerem e prosseguem a ofensiva de classe. Os sindicatos sobre seu controlo directo s&#227;o espelho desta realidade, assumindo que ter emprego j&#225; &#233; um luxo e para o manter enceta-se um caminho de ced&#234;ncias que refor&#231;am novas ced&#234;ncias, onde se destaca o papel da Confedera&#231;&#227;o Europeia de Sindicatos. Criada em 1973, em plena crise do sistema, quando o capital europeu precisava do parceiro para legitimar os compromissos e as ced&#234;ncias que se avizinhavam. Veja-se os compromissos com patronato em torno da Estrat&#233;gia de Lisboa, da Directiva dos Servi&#231;os e mais recentemente da aplica&#231;&#227;o da &#171;flexiguran&#231;a&#187; ao n&#237;vel da Uni&#227;o Europeia. S&#227;o os tempos da dita terceira via. Para ganharmos &#224; &#171;direita&#187; temos que ser a &#171;direita&#187;. Este &#233; o legado Guterres &#224; frente da internacional socialista, quer deste lado do atl&#226;ntico com a Estrat&#233;gia Europeia de Emprego e a Estrat&#233;gia de Lisboa (para al&#233;m dos avan&#231;os na integra&#231;&#227;o comunit&#225;ria), quer do outro, onde Clinton desestruturou a pouco rede social que existia nos EUA. &#201; importante reconhecer os rostos da social-democracia e o papel que estes desempenham e desempenharam ao n&#237;vel das organiza&#231;&#245;es internacionais, como Pascal Lamy na Organiza&#231;&#227;o Mundial do Com&#233;rcio ou Rodrigo Rato no Fundo Monet&#225;rio Internacional. Na Uni&#227;o Europeia, a social-democracia tem e teve a seu cargo os principais dossiers nas &#225;reas do Euro, do Pacto de Estabilidade e da  grande agenda patronal que &#233; a dita Estrat&#233;gia de Lisboa (nas &#171;m&#227;os&#187; do social-democrata alem&#227;o G&#252;nter Verheugen). Mas tamb&#233;m na &#225;rea da pol&#237;tica externa e de seguran&#231;a, com Javier Solana como &#171;Sr. PESC&#187;. Blair, Guterres, Zapatero e Schroeder foram os principais promotores da agenda &#171;neoliberal&#187; na Uni&#227;o Europeia. E agora S&#243;crates, cujo &#171;porreiro, p&#225;&#187; diz tudo quanto ao dever cumprido na ofensiva de classe ao n&#237;vel europeu. Este &#233; um retrato importante para se ter consci&#234;ncia do grau de envolvimento e participa&#231;&#227;o da social-democracia na actual ofensiva imperialista. Ora liderando o processo de forma directa ou em alian&#231;a com as for&#231;as conservadoras, incluindo em governos conjuntos, cuja Alemanha &#233; um exemplo evidente. No caso da Uni&#227;o Europeia este tem sido o compromisso indispens&#225;vel, com a aceita&#231;&#227;o da matriz federal, neoliberal e militarista que tem feito avan&#231;ar a Uni&#227;o Europeia ao salto qualitativo inscrito no actual Tratado de Lisboa.<br />
<br />
<b>A ilus&#227;o reformista</b><br />
<br />
Hoje, com o crescimento da contesta&#231;&#227;o popular e dos trabalhadores no centro de capitalista e as oportunidades revolucion&#225;rias de constru&#231;&#227;o de alternativas que se abrem no Mundo, face &#224;s consequ&#234;ncias da ofensiva imperialista e &#224; crise estrutural que o capitalista atravessa, nomeadamente no dom&#237;nio da intensifica&#231;&#227;o da explora&#231;&#227;o do trabalho, mas tamb&#233;m da redu&#231;&#227;o das fun&#231;&#245;es sociais do Estado e dos direitos que estas acarretavam, alas da social-democracia assumem em crescendo o outro papel &#8211; o de conten&#231;&#227;o &#8211; o efeito de &#171;esponja&#187;, tentando evitar que o descontentamento reforce ou fa&#231;a emergir sujeitos revolucion&#225;rios que ponham em causa o sistema capitalista. <br />
<br />
O dimens&#227;o da crise &#233; t&#227;o evidente, que Keynes e sua &#171;Teoria Geral&#187;, voltam a &#171;ressuscitar&#187; por m&#227;os sociais-democratas para &#171;salvar&#187; o capitalismo dos seus excessos, enquanto se volta a recompor uma social-democracia emergente, cujas din&#226;micas parecem estar activas e em forma&#231;&#227;o, nomeadamente na Europa, cumprindo uma vez mais o seu papel hist&#243;rico. A tomada de consci&#234;ncia por parte dos trabalhadores e dos povos das causas sist&#233;micas das desigualdades sociais &#233; essencial para a Humanidade. Do que decorre a necessidade de n&#227;o se iludirem e rejeitarem as solu&#231;&#245;es reformistas que se apresentam, numa &#171;recauchutagem&#187; da hist&#243;ria. As velhas respostas (por si) n&#227;o ser&#227;o suficientes para garantir um novo ciclo de acumula&#231;&#227;o do capital.<br />
<br />
As crises estruturais do capitalismo s&#227;o per&#237;odos chaves para a intensifica&#231;&#227;o da luta de classes, podendo potenciar a consciencializa&#231;&#227;o da classe oper&#225;ria e o desenvolvimento da ac&#231;&#227;o revolucion&#225;ria. Mas n&#227;o resultam em processos revolucion&#225;rios, a n&#227;o ser quando surgem sujeitos sociais com disposi&#231;&#227;o revolucion&#225;ria. E sabemos, por experi&#234;ncia, que &#171;o processo revolucion&#225;rio &#233; irregular, feito de avan&#231;os e recuos, de per&#237;odos de refluxo e de per&#237;odos de ascenso&#187;. Numa &#233;poca de crescente proletariza&#231;&#227;o, &#233; indispens&#225;vel que esta classe reconhe&#231;a o seu papel na transi&#231;&#227;o para uma sociedade socialista, formando a sua pr&#243;pria ideologia, o seu partido pol&#237;tico e confrontando a natureza das rela&#231;&#245;es de produ&#231;&#227;o capitalista e da classe burguesa.<br />
<br />
Esta &#233; a fraqueza dos nossos tempos, na dial&#233;ctica entre condi&#231;&#245;es objectivas e subjectivas, estando as primeiras maduras, as condi&#231;&#245;es subjectivas, nomeadamente a exist&#234;ncia dos sujeitos com disposi&#231;&#227;o revolucion&#225;ria encontram-se numa fase embrion&#225;ria, ap&#243;s anos de derrotas e enfraquecimento do movimento comunista internacional. A ofensiva vai crescer em intensidade e viol&#234;ncia, com a limita&#231;&#227;o dos direitos pol&#237;ticos (a mudan&#231;a das leis eleitorais!) e econ&#243;micos (ainda) existentes, com intimida&#231;&#227;o e uso dos crescentes aparelhos repressivos, mas tamb&#233;m com a progressiva criminaliza&#231;&#227;o dos comunistas, numa &#233;poca em que hist&#243;ria se volta a reescrever. E sabemos como a mis&#233;ria e o desespero podem conduzir a solu&#231;&#245;es de cariz fascizante, a hist&#243;ria do s&#233;culo XX assim o demonstra. S&#227;o nestes tempos de resist&#234;ncias que vamos ter de reconstruir. <br />
<br />
E vencer a ilus&#227;o do reformismo. A supera&#231;&#227;o do sistema, s&#243; se pode encontrar num &#171;programa m&#237;nimo&#187; de resist&#234;ncia e luta pela melhoria das condi&#231;&#245;es de vida das camadas sociais mais desfavorecidas, num projecto de desenvolvimento econ&#243;mico e social end&#243;geno virado para a satisfa&#231;&#227;o das necessidades humanas, numa democracia avan&#231;ada em todas as vertentes das rela&#231;&#245;es humanas que, ao mesmo tempo, crie e potencie as condi&#231;&#245;es revolucion&#225;rias para a real transforma&#231;&#227;o da sociedade. O que implica a ruptura como o modo de produ&#231;&#227;o capitalista rumo ao socialismo. Na presente encruzilhada, se calhar nunca como hoje, foi t&#227;o importante afirmar o futuro para construir o presente.<br />
<br />
<br />
<i>Porto, 24 de Junho de 2008<br />
<br />
* Economista<br />
</i>]]></content:encoded>
	</item>
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		<title>O Relat&#243;rio da OCDE e a produtividade em Portugal*</title>
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		<dc:date>2008-06-30T07:00:00</dc:date>
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		<description>Veja o texto em PDF </description>
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		<title>Fim do mandato</title>
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		<dc:date>2008-06-29T07:00:00</dc:date>
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		<description>Estamos a entrar no &#250;ltimo semestre da presid&#234;ncia Bush. Um pouco por toda a parte, as classes dirigentes e os meios de comunica&#231;&#227;o de massas assobiam para o ar.

Parece haver uma &#226;nsia de que termine depressa o mandato de quem tornou patente ao mundo, n&#227;o apenas que o imperialismo &#233; ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[Estamos a entrar no &#250;ltimo semestre da presid&#234;ncia Bush. Um pouco por toda a parte, as classes dirigentes e os meios de comunica&#231;&#227;o de massas assobiam para o ar.<br />
<br />
Parece haver uma &#226;nsia de que termine depressa o mandato de quem tornou patente ao mundo, n&#227;o apenas que o imperialismo &#233; uma m&#225;quina de guerra, de pilhagem, de morte e de mis&#233;ria, mas tamb&#233;m que &#233; vulner&#225;vel; que n&#227;o &#233; invenc&#237;vel e est&#225; corro&#237;do por crises e contradi&#231;&#245;es profundas. Parecem sonhar com caras novas e discursos de &#171;mudan&#231;a&#187; que permitam recompor as brechas profundas que se abriram e prosseguir explora&#231;&#245;es, opress&#245;es e guerras antigas.<br />
<br />
Mas o mandato de Bush n&#227;o terminou ainda. E existe o perigo real de que os meses finais do seu poder n&#227;o sejam apenas datas no calend&#225;rio. Nos &#250;ltimos dias, parte importante da comunica&#231;&#227;o social voltou a falar na imin&#234;ncia de um ataque de Israel ao Ir&#227;o, com a coniv&#234;ncia de Washington (Der Spiegel, 16.6.08; New York Times, 20.6.08). O vice-Primeiro Ministro de Israel, Shaul Mofaz declarou ser &#171;inevit&#225;vel&#187; um ataque ao Ir&#227;o, merecendo uma cr&#237;tica p&#250;blica do Director-Geral da Ag&#234;ncia Internacional de Energia At&#243;mica (Haaretz, 9.6.08). <br />
<br />
Talvez sejam apenas amea&#231;as ocas, mas a Hist&#243;ria aconselha a n&#227;o subestimar o potencial de viol&#234;ncia e morte do imperialismo, em particular quando corro&#237;do por crises profundas. Sobretudo quando o discurso pol&#237;tico d&#225; lugar ao misticismo, ao fanatismo religioso, aos conceitos de superioridade racial. Surpreende, por isso, o quase absoluto sil&#234;ncio de notici&#225;rios e &#171;comentadores&#187; sobre o conte&#250;do do discurso oficial de Bush perante o Parlamento de Israel, por ocasi&#227;o dos 60 anos desse pa&#237;s.<br />
<br />
Repleto de refer&#234;ncias b&#237;blicas e parecendo mais um serm&#227;o do que um discurso pol&#237;tico, Bush afirmou textualmente, a prop&#243;sito da cria&#231;&#227;o de Israel: &#171;foi muito mais do que o estabelecimento de um novo pa&#237;s. Foi o pagamento de uma antiga promessa feita a Abra&#227;o, a Mois&#233;s e David &#8211; o de uma p&#225;tria para o povo eleito, Eretz Israel&#187; (cita&#231;&#227;o do texto oficial no site da Casa Branca, 15.5.08). &#171;Povo eleito&#187;? &#171;Promessa&#187; divina? Lembremos que este homem tem poderes para mandar disparar o maior arsenal nuclear existente &#224; face da Terra. E acha que se est&#225; a &#171;travar um combate com a tecnologia do S&#233;culo XXI, mas que tem no seu cerne uma antiga batalha entre o bem e o mal&#187;. Bush n&#227;o fez estas afirma&#231;&#245;es de improviso, mas numa cerim&#243;nia oficial, num discurso de Estado que foi seguramente visto &#224; lupa por conselheiros e detentores do poder real nos EUA. Como se deve ler um discurso pol&#237;tico com refer&#234;ncias b&#237;blicas? Segundo a B&#237;blia, Deus prometeu a Abra&#227;o: &#171;eu darei &#224; tua descend&#234;ncia esta terra, desde o rio do Egipto at&#233; ao grande rio Eufrates&#187; (G&#233;nesis, 15). &#201; pol&#237;tica oficial dos EUA que Eretz Israel se estende do Nilo at&#233; &#224; S&#237;ria e o Iraque? <br />
<br />
N&#227;o &#233; demais lembrar que a cria&#231;&#227;o do Estado de Israel tem origens terrenas: a resolu&#231;&#227;o 181 da Assembleia Geral de ONU, de 29 de Novembro de 1947. No seu discurso, Bush apenas refere a ONU para criticar o facto de aprovar mo&#231;&#245;es de condena&#231;&#227;o a Israel. E apenas refere os palestinos, a quem a Resolu&#231;&#227;o 181 tamb&#233;m prometia um Estado, para dizer que talvez daqui a 60 anos (sic!) o venham a ter. Pelos vistos, s&#227;o filhos de um deus menor.<br />
<br />
&#201; com estes EUA que a Uni&#227;o Europeia se quer &#171;casar&#187;. O Tratado que as classes dirigentes da Uni&#227;o Europeia pretendem impor, contra a vontade expressa dos seus povos, institucionaliza as rela&#231;&#245;es entre a NATO e a UE. Militariza a UE para participar nas cruzadas do imperialismo. &#201; uma esp&#233;cie de consagra&#231;&#227;o da Cimeira das Lajes de Bush, Blair, Aznar e o ent&#227;o quase desconhecido Dur&#227;o Barroso, que meses mais tarde recebia uma &#171;promo&#231;&#227;o&#187;. E depois ainda se admiram que os povos lhes digam um sonoro &#171;N&#227;o!&#187;.  <br />
<br />
<br />
<i>Este texto foi publicado no Avante n&#186; 1.804 de 26 de Junho de 2008</i> <br />
]]></content:encoded>
	</item>
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		<title>O Brasil &#233; a sociedade mais desigual do mundo</title>
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		<description>O Instituto de pesquisas econ&#244;micas aplicadas &#8211; IPEA  apresentou um importante estudo sobre a distribui&#231;&#227;o de renda no Brasil, com dados atualizados at&#233; 2007. Honra e m&#233;rito ao seu presidente economista Marcio Pochmann, que &#233; um especialista do tema.  Mas a imprensa, ao divulgar, fez verso e prosa ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[O Instituto de pesquisas econ&#244;micas aplicadas &#8211; IPEA  apresentou um importante estudo sobre a distribui&#231;&#227;o de renda no Brasil, com dados atualizados at&#233; 2007. Honra e m&#233;rito ao seu presidente economista Marcio Pochmann, que &#233; um especialista do tema.  Mas a imprensa, ao divulgar, fez verso e prosa para dizer que a desigualdade social no Brasil estava diminuindo. Ledo engano. Afinal, como aprendi na faculdade, os economistas s&#227;o especialistas em manipular estat&#237;sticas.<br />
<br />
Vejam o que mudou. Em 2003, o rendimento m&#233;dio dos dez por cento que ganham <b>sal&#225;rios</b> mais altos era de 4.620,00 reais. Passou para 4.850,00 em 2007. Os dez por cento de trabalhadores mais pobres que ganhavam menos, passaram de 169 reais para 206 reais em m&#233;dia, por m&#234;s, em 2007. A desigualdade entre os assalariados, de fato caiu, de 27,3 vezes entre os mais bem pagos e os menos pagos, para 23,5 vezes. <br />
<br />
Mas ainda assim &#233; uma vergonha.<br />
<br />
No entanto, n&#227;o &#233; isso que mede a desigualdade social e a renda. Isso mede apenas entre os que ganham sal&#225;rios. Mas n&#227;o inclui a renda de lucro, juros, alugueis, rendimento de a&#231;&#245;es, royalties, etc.<br />
<br />
A verdadeira distribui&#231;&#227;o de renda na sociedade se mede, pela compara&#231;&#227;o de toda riqueza produzida num ano: o PIB.  E como ela &#233; distribu&#237;da. Pois bem,  na d&#233;cada de 60, o trabalho  ficava com  50% de tudo o que se produzia e 50% para o capital.  Em 2003, o trabalho ficou com apenas 39,8 % e o capital 60,2%, e agora em 2007, o trabalho ficou com 39,1% e o capital subiu ainda mais para 60,9% de tudo o que se produz no Brasil.  E do jeito que os bancos e as empresas transnacionais andam ganhando dinheiro, certamente vamos chegar em 2010, com uma diferen&#231;a ainda maior.<br />
<br />
Lamentavelmente, sai governo, entra governo e o Brasil continua sendo a sociedade mais injusta do planeta.<br />
 <br />
Este texto foi publicado em 25 de Junho no Jornal O Dia<br />
 <br />
* Jo&#227;o Pedro St&#233;dile &#233; coordenador do Movimento dos Sem Terra (MST) - Brasil<br />
 <br />
<br />
<br />
<br />
<b>Brasil tem 23 mil novos milion&#225;rios</b> <br />
<br />
Por Ricardo Leopoldo <br />
<br />
Vinte e tr&#234;s mil novos brasileiros entraram para o clube dos milion&#225;rios no ano passado. Agora, s&#227;o 143 mil pessoas com fortuna acima de US$ 1 milh&#227;o - 19,16% a mais que no ano anterior, que j&#225; havia registrado um forte avan&#231;o. Os dados s&#227;o do 12&#186; Relat&#243;rio Anual sobre a Riqueza Mundial, realizado pela Merrill Lynch e CapGemini.<br />
<br />
O Brasil foi o terceiro pa&#237;s do mundo com o maior crescimento do n&#250;mero milion&#225;rios, gra&#231;as a um ambiente econ&#244;mico mais est&#225;vel e prop&#237;cio para os neg&#243;cios. A economia cresceu 5,4%, os investimentos das empresas aumentaram e o mercado acion&#225;rio explodiu. <br />
<br />
A Bolsa de Valores de S&#227;o Paulo fez uma nova gera&#231;&#227;o de ricos - de investidores pessoa f&#237;sica a empres&#225;rios que venderam a&#231;&#245;es de suas empresas. Em 2007, o Ibovespa acumulou alta de 43,6%, ap&#243;s superar por 43 vezes suas m&#225;ximas hist&#243;ricas de pontua&#231;&#227;o. No ano, 64 empresas abriram capital (40 a mais que em 2006) e levantaram R$ 55,5 bilh&#245;es. Parte desse dinheiro foi para o bolso dos acionistas. <br />
<br />
O n&#250;mero de pessoas que possuem grandes fortunas no Pa&#237;s subiu de 120 mil em 2006 para 143 mil no ano passado. &#8220;Os fluxos l&#237;quidos de capital privado duplicaram para a Am&#233;rica Latina em 2007, contribuindo para o fato de a Bovespa ter alcan&#231;ado a quarta posi&#231;&#227;o no ranking entre os maiores mercados mundiais para opera&#231;&#245;es de abertura de capital (IPOs).&#8221; Isso, de acordo com o relat&#243;rio, deu suporte para o estabelecimento e integra&#231;&#227;o global do sistema financeiro brasileiro, informaram as duas institui&#231;&#245;es respons&#225;veis pelo estudo por meio de um comunicado.<br />
<br />
A Am&#233;rica Latina, ainda segundo o documento, registrou um aumento de 12% em 2007 ante 2006 no n&#250;mero de pessoas com grandes fortunas, conhecido pela sigla em ingl&#234;s de HNWIs (High Net Worth Individuals). No caso do Brasil, os principais fatores que contribu&#237;ram para o incremento do total de cidad&#227;os que possuem ativos financeiros acima de US$ 1 milh&#227;o foi o avan&#231;o do consumo interno.<br />
<br />
O estudo destaca que o desenvolvimento de obras em infra-estrutura e incentivos do governo para o setor de constru&#231;&#227;o civil, como a queda de impostos sobre materiais de constru&#231;&#227;o, geraram um &#8220;boom&#8221; do segmento no Pa&#237;s. <br />
<br />
A Merrill Lynch e CapGemini ressaltam que tamb&#233;m colaboraram a redu&#231;&#227;o do desemprego e a valoriza&#231;&#227;o do c&#226;mbio, que diminuiu os custos de importa&#231;&#245;es de m&#225;quinas e bens de consumo. Os juros elevados tamb&#233;m foram um fator atraente para o aumento dos investimentos, especialmente em aplica&#231;&#245;es de renda fixa.<br />
<br />
As receitas externas obtidas com as exporta&#231;&#245;es ajudaram a melhorar os fundamentos macroecon&#244;micos do Brasil, pois geraram super&#225;vits comerciais que contribu&#237;ram para o avan&#231;o das reservas cambiais, que est&#227;o em US$ 198,86 bilh&#245;es. <br />
<br />
MUNDO<br />
<br />
Em todo o mundo, o n&#250;mero de pessoas que possuem pelo menos US$ 1 milh&#227;o em ativos financeiros subiu 9,4% no ano passado, atingindo o montante total de US$ 40,7 trilh&#245;es. O n&#250;mero de milion&#225;rios no planeta j&#225; chega a 10,1 milh&#245;es de pessoas, um incremento de 6% sobre o total apurado pela pesquisa realizada em 2006.<br />
<br />
O estudo apontou tamb&#233;m que a m&#233;dia de recursos em poder de cada uma dessas pessoas superou os US$ 4 milh&#245;es pela primeira vez, e indicou que subiu 8,8% o n&#250;mero de pessoas que possuem fortunas superiores a US$ 30 milh&#245;es em aplica&#231;&#245;es financeiras.<br />
<br />
O estudo projeta que o montante de riquezas apuradas pelas pessoas com grandes patrim&#244;nios financeiros deve crescer a uma taxa m&#233;dia anual de 7,7% at&#233; 2012, quando deve atingir um volume global de US$ 59,1 trilh&#245;es.<br />
<br />
<b>AVAN&#199;OS EM 2007</b><br />
<br />
&#8226;	143 mil brasileiros tinham fortuna acima de US$ 1 milh&#227;o<br />
&#8226;	19,16% foi o crescimento do n&#250;mero de milion&#225;rios ante 2006<br />
&#8226;	12% foi o crescimento do n&#250;mero de milion&#225;rios na Am&#233;rica Latina em rela&#231;&#227;o ao ano anterior<br />
&#8226;	5,4% foi o crescimento da economia brasileira<br />
&#8226;	43,6% foi a valoriza&#231;&#227;o do Ibovespa, ap&#243;s superar 43 vezes suas m&#225;ximas hist&#243;ricas de pontua&#231;&#227;o <br />
&#8226;	64 empresas abriram capital na Bolsa de Valores de S&#227;o Paulo<br />
]]></content:encoded>
	</item>
		<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=779&amp;c=1">
		<title>S&#243;crates no fim da linha?</title>
		<link>http://www.odiario.info/index.php?p=779&amp;c=1</link>
		<dc:date>2008-06-27T07:00:00</dc:date>
		<dc:creator>Os Editores (mailto:od&#105;&#97;&#114;i&#111;&#64;od&#105;&#97;&#114;&#105;&#111;.i&#110;fo)</dc:creator>
		<dc:subject>Colaboradores</dc:subject>
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		<description>N&#227;o &#233; j&#225; apenas a classe trabalhadora a lutar contra a pol&#237;tica de direita do governo PS: classes e camadas interm&#233;dias da sociedade (armadores, pequenos empres&#225;rios de camionagem, e de reboques), engrossaram a torrente de contesta&#231;&#227;o e transformaram o m&#234;s de Junho num pesadelo sem fim para Jos&#233; S&#243;crates.

Em resposta ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[N&#227;o &#233; j&#225; apenas a classe trabalhadora a lutar contra a pol&#237;tica de direita do governo PS: classes e camadas interm&#233;dias da sociedade (armadores, pequenos empres&#225;rios de camionagem, e de reboques), engrossaram a torrente de contesta&#231;&#227;o e transformaram o m&#234;s de Junho num pesadelo sem fim para Jos&#233; S&#243;crates.<br />
<br />
Em resposta aos 250.000 trabalhadores que a 5 de Junho desceram a Av. da Liberdade, com uma confian&#231;a e alegria como h&#225; muito se n&#227;o verificava, Jos&#233; S&#243;crates declarou que n&#227;o lhe interessavam os n&#250;meros, s&#243; os argumentos, e procurou apresentar-se como um benfeitor de trabalhadores ingratos, num &#171;discurso que, pelo tom e estilo, traz &#224; mem&#243;ria, num contexto diferente, o dos ep&#237;gonos do fascismo&#187;. No entanto, quando o pa&#237;s paralisou com as lutas de empres&#225;rios disse ter tomado consci&#234;ncia da vulnerabilidade do Estado. <br />
<br />
Com esta involunt&#225;ria inconfid&#234;ncia, Jos&#233; S&#243;crates apenas quis dizer que n&#227;o podia reprimir o pequeno patronato da camionagem e de reboques (eram patr&#245;es), mas tamb&#233;m mostrou desconhecer que os interesses da grande burguesia, s&#227;o diferentes dos do pequeno patronato, cada vez mais condenado &#224; proletariza&#231;&#227;o, agora acelerada pela op&#231;&#227;o neoliberal do PS, consequ&#234;ncia da sua fus&#227;o ideol&#243;gica com a direita. <br />
<br />
<b>Toque a rebate</b><br />
<br />
Ningu&#233;m duvida que o tempo de S&#243;crates caminha num ritmo uniformemente acelerado para o fim. A previs&#237;vel perda da maioria absoluta nas elei&#231;&#245;es de 2009, provocou j&#225; uma movimenta&#231;&#227;o de for&#231;as n&#227;o coincidentes, mas convergentes nos objectivos e interesses: Cavaco Silva, em plena luta dos docentes, preveniu sub-repticiamente que &#171;n&#227;o se deve hostilizar os professores&#187;, agora foi M&#225;rio Soares o primeiro saltar, chamando a aten&#231;&#227;o para &#171;algum autismo&#187; do governo e a necessidade de mostrar mais preocupa&#231;&#245;es sociais. Como acrescentou que o governo tem tido uma &#171;actua&#231;&#227;o globalmente positiva&#187;, fica claro que n&#227;o diverge na ess&#234;ncia, apenas no modo de fazer&#8230; <br />
<br />
Seguiu-se a sess&#227;o p&#250;blica no Trindade, larga e empenhadamente mobilizada pela comunica&#231;&#227;o social de express&#227;o nacional, onde Manuel Alegre foi a personagem principal da encena&#231;&#227;o.<br />
<br />
Alegre &#233;, de todos os pol&#237;ticos portugueses o mais parecido com S. Tom&#225;s: n&#227;o h&#225; qualquer coincid&#234;ncia entre o que diz (nomeadamente nos seus poemas) e o que faz: nesta legislatura, votou favoravelmente os tr&#234;s Or&#231;amentos de Estado do governo, instrumentos estruturantes da pol&#237;tica do governo de S&#243;crates de que pretende agora fazer crer que discorda, onde se definiram os sal&#225;rios dos trabalhadores do Estado que serviram de orienta&#231;&#227;o ao patronato, os cortes nas verbas do Servi&#231;o Nacional de Sa&#250;de, da Educa&#231;&#227;o, e tamb&#233;m os benef&#237;cios fiscais para bancos e grandes empresas&#8230;<br />
<br />
A encena&#231;&#227;o do Trindade foi mais uma manobra de divers&#227;o, como muito bem compreendeu Jo&#227;o Soares, que logo veio em defesa de Alegre, no que pode ser o pren&#250;ncio do regresso de uma ovelha tresmalhada ao cl&#227;. <br />
<br />
<b>A op&#231;&#227;o de classe do PS</b><br />
<br />
Foram j&#225; v&#225;rias as pessoas que muito prezo a mostrarem-me o seu inc&#243;modo pela afirma&#231;&#227;o de que, com Jos&#233; S&#243;crates, o PS acabou o <b>processo de fus&#227;o ideol&#243;gica</b> com a direita. N&#227;o apresentando argumentos contra, consideram excessiva a afirma&#231;&#227;o.<br />
<br />
Mas a verdade &#233; que com S&#243;crates acabou no PS o tempo de uma mem&#243;ria antifascista e de luta pela democracia e entrou-se num tempo de rendi&#231;&#227;o clara e indisfar&#231;&#225;vel, e indisfar&#231;ada aos interesses dos grupos monopolistas portugueses e do imperialismo. <br />
<br />
N&#227;o se d&#225; apenas a assump&#231;&#227;o plena do neoliberalismo como praxis oficial do PS, aconteceu tamb&#233;m a fus&#227;o ideol&#243;gica com a direita, com a consequente perda de valores sociais e democr&#225;ticos. A rendi&#231;&#227;o do PS &#224;s pol&#237;ticas da direita &#233; de tal monta que, no recente Congresso do PPD/PSD, apesar de instada a isso, Manuela Ferreira Leite n&#227;o conseguiu (os <i>media</i> dizem &#8220;resistiu &#224; tenta&#231;&#227;o&#8221;&#8230;) apresentar propostas pol&#237;ticas&#187; diferentes das do PS. Ficou-se pela promessa que &#171;iria tomar em conta as preocupa&#231;&#245;es que ouviu&#187;.<br />
<br />
Se no campo social, as op&#231;&#245;es por solu&#231;&#245;es pol&#237;ticas de direita s&#227;o &#243;bvias, atrav&#233;s da degrada&#231;&#227;o e/ou o paulatino abandono das obriga&#231;&#245;es constitucionais do Estado e da cria&#231;&#227;o de falsas condi&#231;&#245;es de igualdade entre os sectores p&#250;blicos e privado (&#233; o caso da sa&#250;de e da educa&#231;&#227;o), no sector financeiro essa ced&#234;ncia &#233; menos vis&#237;vel, n&#227;o faz as manchetes dos <i>media</i>.<br />
<br />
Os dados h&#225; dias divulgados pelo Banco de Portugal, no Relat&#243;rio de Estabilidade Financeira relativo a 2007, s&#227;o exemplo de como o governo de S&#243;crates se rende aos verdadeiros detentores do Poder, de como transfere, a coberto de benef&#237;cios fiscais, recursos do Estado para os grandes grupos monopolistas: nos 4 anos que medeiam entre os exerc&#237;cios de 2004 e 2007, a banca pagou de IRC+derrama uma taxa efectiva de imposto sobre os lucros de 15,6%, enquanto a taxa legal de imposto para as empresas &#233; de 26,5% (25% de IRC+1,5% de derrama). Feitas as contas, foram &#8220;transferidos&#8221; do Estado para os senhores da banca neste per&#237;odo 1.563 milh&#245;es de euros (menos 42,5% do que deviam ter pago!), para eles gerirem com a falta de crit&#233;rio que se vai sabendo e de que s&#227;o exemplos mais evidentes o BCP e o BPN. <br />
<br />
E se em 2006, pela press&#227;o das den&#250;ncias p&#250;blicas, foram diminu&#237;dos os benef&#237;cios fiscais aos bancos, o que elevou a taxa efectiva de imposto pago em 4,4%, de 13,5% para 17,9%, o governo de Jos&#233; S&#243;crates j&#225; iniciou o caminho de regress&#227;o ao passado: a taxa efectiva de imposto pago diminuiu 2%, passando dos 17,9% de 2006 para 15,9% em 2007! <br />
<br />
<b>S&#243;crates: fim da linha</b><br />
<br />
Longe v&#227;o os tempos em que Ludgero Marques, Presidente da Associa&#231;&#227;o Empresarial de Portugal (AEP), dizia: &#171;Tenho apreciado a tenacidade do Governo e gostaria, portanto, que este Governo tivesse sucesso&#187;. J&#225; devem ter explicado a S&#243;crates que o Poder considera o seu tempo acabado e que, mesmo que venha a ter uma promo&#231;&#227;o lateral com um sal&#225;rio de inveja, ele j&#225; est&#225; a ser tratado como material descart&#225;vel.<br />
<br />
E se o PSD de Lu&#237;s Filipe Meneses nunca foi cred&#237;vel nem teve direito a um curto estado de gra&#231;a, o de Manuela Ferreira Leite n&#227;o &#233; alternativa pol&#237;tica ao PS, pois s&#227;o partidos ideologicamente fundidos. Com a rendi&#231;&#227;o do PS aos grupos monopolistas e ao imperialismo, o PS de S&#243;crates, objectivamente, ultrapassou pela direita o PPD/PSD, na destrui&#231;&#227;o de direitos sociais e garantias democr&#225;ticas. A ced&#234;ncia ao grande patronato que o PS e a UGT se preparam para fazer com a aprova&#231;&#227;o do novo C&#243;digo de Trabalho (escrevo dia 23 de Junho), ser&#225; o &#250;ltimo e mais recente exemplo. <br />
<br />
Com ou sem Manuela Ferreira Leite, o PSD nem sequer seria, ainda, a op&#231;&#227;o para o renovar de ilus&#245;es, que a altern&#226;ncia no governo entre estes dois Partidos tem criado no povo portugu&#234;s, nos &#250;ltimos 30 anos.<br />
<br />
Foi a crescente luta de massas, de uma dimens&#227;o sem paralelo nos &#250;ltimos 20 anos, que criou na direita e no Poder a necessidade de renovar falsas perspectivas e esperan&#231;as sem fundamento.<br />
<br />
Tamb&#233;m a sess&#227;o p&#250;blica encenada no Trindade por Manuel Alegre e Francisco Lou&#231;&#227; nada tem a ver com um primeiro passo para uma unidade da esquerda. A unidade da esquerda nunca ser&#225; constru&#237;da numa distribui&#231;&#227;o de quotas do poder e de satisfa&#231;&#227;o de vaidades. <br />
<br />
A unidade da esquerda ter&#225; de ser com uma base program&#225;tica contr&#225;ria &#224; do actual governo PS e ser&#225; estrategicamente conseguida quando o povo portugu&#234;s se assumir como sujeito da hist&#243;ria. <br />
<br />
A cria&#231;&#227;o de uma alternativa pol&#237;tica &#233; necess&#225;ria, e uma mudan&#231;a qualitativa vir&#225; inevitavelmente num futuro historicamente curto. <br />
<br />
&#201; uma evid&#234;ncia que as massas n&#227;o aceitam o desgoverno da pol&#237;tica de direita e de S&#243;crates.  <br />
<br />
Lisboa, 23 de Junho de 2008<br />
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	</item>
		<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=778&amp;c=1">
		<title>Desafios para o movimento social - Ante a especula&#231;&#227;o com a fome</title>
		<link>http://www.odiario.info/index.php?p=778&amp;c=1</link>
		<dc:date>2008-06-26T07:00:00</dc:date>
		<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;&#100;i&#97;rio&#64;odiari&#111;&#46;&#105;&#110;f&#111;)</dc:creator>
		<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
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		<description>Da especula&#231;&#227;o imobili&#225;ria &#224; especula&#231;&#227;o com a fome

A actual crise mundial &#233; mais devastadora que a Grande Depress&#227;o dos anos 30, afirma Chossudovsky. Tem muito mais implica&#231;&#245;es geo-pol&#237;ticas; desloca&#231;&#245;es econ&#243;micas acompanharam o in&#237;cio de guerras regionais, a fractura de sociedades nacionais e nalguns casos a destrui&#231;&#227;o de pa&#237;ses inteiros. Esta ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<b>Da especula&#231;&#227;o imobili&#225;ria &#224; especula&#231;&#227;o com a fome</b><br />
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A actual crise mundial &#233; mais devastadora que a Grande Depress&#227;o dos anos 30, afirma Chossudovsky. Tem muito mais implica&#231;&#245;es geo-pol&#237;ticas; desloca&#231;&#245;es econ&#243;micas acompanharam o in&#237;cio de guerras regionais, a fractura de sociedades nacionais e nalguns casos a destrui&#231;&#227;o de pa&#237;ses inteiros. Esta &#233;, de longe a crise econ&#243;mica mais s&#233;ria da hist&#243;ria moderna (Miguel Chossudvsky, The Globalization of Poverty, Primeira Edi&#231;&#227;o, 1997). Perante a crise financeira e imobili&#225;ria, que surgiu nos Estados Unidos a partir de Agosto de 2007, os grandes fundos de investimento especulativo mudaram somas de dinheiro milion&#225;rias para controlar os produtos agr&#237;colas no mercado internacional ou &#171;commodities&#187;. Quando a bolha imobili&#225;ria rebentou, os especuladores reabilitaram um velho para&#237;so: os mercados de cereais (Serge Halimi, &#171;O FMI e a fome&#187;, no Le Monde Diplomatique, Maio de 2008:40). Actualmente, calcula-se que estes fundos controlam 60 por cento do trigo e altas percentagens de outros cereais b&#225;sicos. A maior parte da colheita de soja dos pr&#243;ximos anos, j&#225; est&#225; comprada como &#171;futuro&#187;. Esses alimentos converteram-se em mais um objecto de especula&#231;&#227;o da bolsa, cujo pre&#231;o se modifica (e aumenta) em fun&#231;&#227;o dos &#237;ndices especulativos e n&#227;o em fun&#231;&#227;o dos mercados locais ou nas necessidades das pessoas.<br />
<br />
Segundo a FAO, entre Mar&#231;o de 2007 e Mar&#231;o de 2008, o pre&#231;o dos cereais, sobretudo o trigo, aumentou cerca de 130%, a soja 87%, o arroz 74%, e o milho aumentou nesse ano 53% (Aurelio Su&#225;rez, A vulnerabilidade alimentar da Col&#244;mbia, Le Monde Diplomatique, Maio 2008:11). O aumento dos pre&#231;os dos alimentos atribui-se nos meios dominantes a uma &#171;tormenta perfeita&#187; provocada pela maior demanda de alimentos por parte da &#205;ndia e da China, a diminui&#231;&#227;o da oferta de alimentos por causa das secas e outros problemas relacionados com a mudan&#231;a clim&#225;tica, o aumento dos custos do combust&#237;vel, que desviou culturas como o milho para alimento para a produ&#231;&#227;o de etanol. Nada se fala sobre a especula&#231;&#227;o com a fome. Nos &#250;ltimos nove meses de 2007 o volume de capitais investidos nos mercados agr&#237;colas quintuplicou-se na Uni&#227;o Europeia e multiplicou-se por sete nos Estados Unidos (Domique Baillard, &#171;Estala o pre&#231;o dos cereais&#187;, no Monde Diplomatique Maio 2008:6). A especula&#231;&#227;o criada em torno dos alimentos b&#225;sicos transforma-se em carburante e empurra os pre&#231;os dos cereais e do a&#231;&#250;car para novos m&#225;ximos, inating&#237;veis para uma imensa massa de popula&#231;&#227;o, que se encontra principalmente na &#193;sia, na &#193;frica e na Am&#233;rica Latina.<br />
<br />
Este conjunto de aumentos especulativos recentes nos pre&#231;os dos alimentos levaram a uma vaga de fome mundial que n&#227;o tem precedentes pela sua escala. A aus&#234;ncia de medidas de regulamento desencadeia a fome. O que desencadeia a fome &#233; a aus&#234;ncia de regula&#231;&#245;es nestes mercados especulativos. A volatilidade nos mercados alimentares &#233; devida sobretudo &#224; desregulariza&#231;&#227;o, falta de controle sobre os grandes agentes e a falta da interven&#231;&#227;o necess&#225;ria estatal a n&#237;vel internacional e nacional para estabilizar os mercados. No contexto actual, um congelamento da especula&#231;&#227;o nos mercados de alimentos de primeira necessidade, tomado como uma decis&#227;o p&#250;blica imperativa, contribuiria desde logo para baixar os pre&#231;os dos alimentos. Nada impede de o fazer mas nada faz prever que se esteja pensando num prudente e cuidadoso conjunto de medidas como este. Pelo que vemos n&#227;o &#233; isso que est&#225; sendo proposto pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monet&#225;rio Internacional (Michel Chossudovsky, &#171;Fome Global,&#187; Rebeli&#243;n, 12 de Maio de 2008).<br />
<br />
A crise alimentar est&#225; a acontecer enquanto h&#225; comida suficiente no mundo para alimentar a popula&#231;&#227;o global. A fome n&#227;o &#233; a consequ&#234;ncia da escassez de alimentos mas o contr&#225;rio: no passado, os excedentes de alimentos nos pa&#237;ses centrais foram utilizados para desestabilizar as produ&#231;&#245;es dos pa&#237;ses em desenvolvimento. Segundo a FAO, o mundo poderia ainda alimentar at&#233; 12 bili&#245;es de pessoas no futuro. A produ&#231;&#227;o mundial em gr&#227;o em 2007/2008 est&#225; estimada em 2108 milh&#245;es de toneladas (um aumento de 4,7% comparada &#224; de 2006/2007). Isso supera bastante a m&#233;dia de crescimento de 2% da d&#233;cada passada. Embora a produ&#231;&#227;o continue num n&#237;vel alto, os especuladores apostam na escassez esperada e aumentam artificialmente os pre&#231;os. De acordo com a FAO o pre&#231;o dos gr&#227;os de primeira necessidade aumentou 88% desde Mar&#231;o de 2007 (art. De See Ian Angus, Crise Alimentar: &#171;The greatest demonstration of the historical failure of the capitalist model&#187; (a maior demonstra&#231;&#227;o do falhan&#231;o hist&#243;rico do modelo capitalista), Global Research, Abril 2008)<br />
<br />
Enquanto os especuladores e com&#233;rcios de grande escala se beneficiam da crise actual, a maioria dos camponeses e agricultores n&#227;o se beneficiam dos pre&#231;os altos. A terra torna-se mais cara. A especula&#231;&#227;o com a terra agr&#237;cola aumenta cada vez mais. Os desalojamentos frequentemente for&#231;ados s&#227;o a consequ&#234;ncia. Os camponeses que se mant&#234;m cultivam os alimentos, mas a colheita frequentemente j&#225; est&#225; vendida a quem empresta o dinheiro, &#224; companhia de sementes agr&#237;colas ou directamente ao comerciante ou &#224; unidade de processamento. Embora os pre&#231;os que se pagam aos camponeses tenham subido para alguns cereais, esse aumento &#233; muito pouco comparado com os aumentos no mercado mundial e com os aumentos que se imp&#245;em aos consumidores.<br />
<br />
Durante os &#250;ltimos anos, as multinacionais e os poderes econ&#243;micos mundiais, desenvolverem rapidamente a produ&#231;&#227;o de agrocombust&#237;veis. Subs&#237;dios e investimentos massivos est&#227;o a atingir em cheio este sector. O resultado &#233; que as terras est&#227;o a passar em massa e rapidamente da produ&#231;&#227;o de comida para a produ&#231;&#227;o de agrocombust&#237;veis. As multinacionais e os analistas convencionais predizem que a terra ser&#225; cada vez mais utilizada para agrocombust&#237;veis (milho, mas tamb&#233;m azeite de palma, sementes de colza, cana de a&#231;&#250;car...) Uma parte importante do milho dos Estados Unidos &#171;desapareceu&#187; repentinamente, pois foi comprada para a produ&#231;&#227;o de etanol. Esta explos&#227;o descontrolada do sector dos bio-combust&#237;veis causou um grande impacto nos j&#225; inst&#225;veis mercados internacionais de cereais b&#225;sicos.<br />
<br />
A especula&#231;&#227;o aproveita-se da escassez relativa dos alimentos. Os vendedores mant&#234;m as suas reservas afastadas do mercado para estimular subidas de pre&#231;o no mercado nacional, criando enormes &#225;reas de terras agr&#237;colas &#224; volta das cidades com fins especulativos, expulsando os camponeses (www.ecoportal.net, Henry Saragih Coordenador Internacional de La Via Campesina).<br />
<br />
Nas &#250;ltimas d&#233;cadas O Banco Mundial e o Fundo Monet&#225;rio Internacional (FMI), juntamente com a Organiza&#231;&#227;o Mundial do Com&#233;rcio (OMC) for&#231;aram os pa&#237;ses a diminuir o seu investimento na produ&#231;&#227;o alimentar e o seu apoio aos camponeses e pequenos agricultores, que s&#227;o as chaves da produ&#231;&#227;o alimentar. As regras do jogo mudaram dramaticamente em 1995, quando o acordo na OMC sobre a agricultura entrou em vigor. As pol&#237;ticas neoliberais destru&#237;ram as produ&#231;&#245;es nacionais de alimentos, e obrigaram os camponeses a produzir cultivos comerciais para companhias multinacionais e a comprar os seus alimentos das multinacionais no mercado mundial. Os tratados de livre com&#233;rcio for&#231;aram os pa&#237;ses a &#171;liberalizar&#187; os seus mercados agr&#237;colas: reduzir os impostos &#224; importa&#231;&#227;o e aceitar importa&#231;&#245;es. Ao mesmo tempo, as multinacionais continuam a fazer dumping com os excedentes nos seus mercados, utilizando todas as formas de subs&#237;dios directos e indirectos &#224; exporta&#231;&#227;o. O resultado foi que o Egipto, o antigo silo de trigo do Imp&#233;rio Romano se tornou o primeiro importador; Indon&#233;sia, um dos ber&#231;os do arroz, hoje importa arroz transg&#233;nico e o M&#233;xico ber&#231;o da cultura do milho importa hoje milho transg&#233;nico. Os Estados Unidos, a Uni&#227;o Europeia, o Canad&#225; e a Austr&#225;lia s&#227;o os maiores exportadores.<br />
<br />
Assim, os pa&#237;ses perif&#233;ricos tornaram-se dependentes das importa&#231;&#245;es de alimentos baratos. E agora que os pre&#231;os est&#227;o a disparar, a fome est&#225; a crescer. Muitos pa&#237;ses que at&#233; ent&#227;o produziam comida suficiente para a sua pr&#243;pria alimenta&#231;&#227;o foram obrigados a abrir os seus mercados a produtos agr&#237;colas do estrangeiro. Ao mesmo tempo, a maioria das regula&#231;&#245;es estatais sobre exist&#234;ncias de reserva, pre&#231;os, produ&#231;&#245;es ou controle das importa&#231;&#245;es e exporta&#231;&#245;es foram desmanteladas gradualmente. Como resultado, as pequenas explora&#231;&#245;es agr&#237;colas e ganadeiras de todo o mundo n&#227;o t&#234;m sido capazes de competir com o mercado mundial e muitas arruinaram-se. (<a href="http://www.ecoportal.net">www.ecoportal.net</a>, Henry Saragih Coordenador Internacional de La Via Campesina)<br />
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As pol&#237;ticas neoliberais das &#250;ltimas d&#233;cadas expulsaram milh&#245;es de pessoas das &#225;reas rurais para as cidades onde a maioria acaba em bairros pobres, com uma vida muito prec&#225;ria. Os &#250;ltimos s&#227;o as primeiras v&#237;timas da crise actual, porque n&#227;o t&#234;m maneira de produzir o seu pr&#243;prio alimento. O seu n&#250;mero aumentou dramaticamente e t&#234;m de gastar uma grande parte dos seus rendimentos em comida. De acordo com a FAO, nos pa&#237;ses em vias de desenvolvimento a comida representa at&#233; 60-80% do gasto dos consumidores. Um aumento brusco nos pre&#231;os condena grandes maiorias &#224; fome.<br />
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Em todo o mundo estalam dist&#250;rbios pelos pre&#231;os dos alimentos. Houve protestos no Egipto, Camar&#245;es, Indon&#233;sia, Filipinas, Burkina Faso, Costa do Marfim, Maurit&#226;nia e Senegal. Demonstra&#231;&#245;es semelhantes, greves e choques tiveram lugar na maior parte da &#193;frica subsaariana e tamb&#233;m na Bol&#237;via, Peru, M&#233;xico e sobre tudo no Haiti. (Bill Van Auken, Para al&#233;m da crescente crise alimentar, os governos receiam a revolu&#231;&#227;o dos pobres, Global Research, Abril de 2008). O pre&#231;o dos alimentos no Haiti subiu em m&#233;dia mais de 40% em 2007, com os de primeira necessidade como o arroz, duplicando-se numa semana em fins de Mar&#231;o de 2008. Os dist&#250;rbios pela subida de pre&#231;os dos alimentos no Haiti deixaram mortos e centenas de feridos e levaram &#224; destitui&#231;&#227;o do primeiro-ministro Jacques-Edouard Alexis. O Programa Mundial de Alimentos classificou a actual crise alimentar como um &#171;tsunami silencioso&#187;, Amy Goodman, As ac&#231;&#245;es da Bolsa n&#227;o s&#227;o combust&#237;veis, Rebeli&#243;n).<br />
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Depois de 14 anos da NAFTA (Tratado de Livre Com&#233;rcio da Am&#233;rica do Norte) o M&#233;xico passou por uma grande crise, chamada frequentemente a &#171;crise da tortilha&#187;. De ser um pa&#237;s exportador, o M&#233;xico passou a ser dependente da importa&#231;&#227;o de milho dos Estados Unidos. Actualmente o M&#233;xico importa 30% do seu consumo de milho. Durante o &#250;ltimo semestre, crescentes quantidades de milho dos Estados Unidos foram subitamente derivadas para a produ&#231;&#227;o de agrocombust&#237;veis. As quantidades dispon&#237;veis para os mercados mexicanos diminu&#237;ram, provocando um aumento de pre&#231;os e deixando o pa&#237;s sem nenhuma seguran&#231;a alimentar.<br />
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Tamb&#233;m na Am&#233;rica Central a seguran&#231;a alimentar est&#225; em grande perigo. Afecta sobretudo El Salvador onde a dolariza&#231;&#227;o da economia arrasou com o sector agropecu&#225;rio. O TLC juntamente com a dolariza&#231;&#227;o desmantelou a agricultura como nenhum outro pa&#237;s. Quanto &#224;s exporta&#231;&#245;es destacamos que se est&#225; a comprar dos Estados Unidos para 2007 71% da produ&#231;&#227;o nacional de milho (que tanto em 2006 como em 2007 foi o terceiro produto mais importado dos Estados Unidos). Se acrescentarmos a importa&#231;&#227;o de milho branco do M&#233;xico, chega-se a 81% da produ&#231;&#227;o nacional de milho do ano 2005. Contrariamente ao credo do jogo livre de mercado, em El Salvador, os pre&#231;os dos grandes b&#225;sicos tiveram um aumento substancial. O pre&#231;o do milho por quintal em 2005 teve um aumento de 77% at&#233; Novembro de 2007, no mesmo per&#237;odo o pre&#231;o do maicillo (graminea semelhante ao milho) por quintal aumentou em 93%, o feij&#227;o vermelho de seda 39% e o arroz 1&#170; classe nacional 33%. (Julian Ernesto Salinas, &#171;Impactos do TLC a dois anos de implementa&#231;&#227;o).<br />
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<b>Perante a fome a proposta oficial &#233; mais neoliberalismo</b><br />
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Enquanto estalam os dist&#250;rbios da fome em todo o mundo, dirigentes mundiais como Pascal Lamy (Director Geral da OMC), Dominique Strauss-Kahn, director do Fundo Monet&#225;rio Internacional (FMI) e o Secret&#225;rio-Geral da ONU Ban Ki-Moon, est&#227;o a alertar sobre os perigos do proteccionismo. Segundo o senhor Ban, &#171;mais com&#233;rcio n&#227;o nos arrancar&#225; do aperto em que estamos&#187;. Sob as regras do livre com&#233;rcio, a protec&#231;&#227;o dos alimentos transformou-se num crime. O proteccionismo transformou-se numa palavra suja. Quanto contraste com a ajuda de milhares de milh&#245;es de d&#243;lares que recebem os grandes bancos e empresas financeiras para evitar a sua quebra perante os jogos especulativos.<br />
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O Banco Mundial e o FMI, assim como alguns pa&#237;ses centrais, est&#227;o agora a advogar por mais importa&#231;&#245;es eliminando todos os impostos para os pa&#237;ses pobres importadores de alimentos e liberalizando mais os mercados para que os pa&#237;ses possam melhorar os seus rendimentos mediante a exporta&#231;&#227;o. Continuam a promover mais acesso para as suas multinacionais na Ronda de Doha e a condicionar o apoio financeiro extra a crit&#233;rios pol&#237;ticos para aumentar a depend&#234;ncia desses pa&#237;ses. Nada dizem sobre a necessidade de uma maior regula&#231;&#227;o e estabiliza&#231;&#227;o do mercado, e muito menos da necessidade da soberania alimentar. A pergunta &#233;: Chegar&#225; a ajuda que tem que ir para a produ&#231;&#227;o agr&#237;cola baseada nos camponeses? N&#227;o, quando o pre&#231;o do trigo sobe, a ajuda alimentar para. A generosidade dos pa&#237;ses do Norte manifesta-se quando t&#234;m excedentes. Durante o per&#237;odo de 2005-2006 despacharam-se 8,3 milh&#245;es de toneladas de cereais para a ajuda humanit&#225;ria contra apenas 7,4 milh&#245;es em 2006-2007 Baillard, ob. Cit:6) <br />
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Robert Zoellick, actualmente presidente do Banco Mundial, anuncia que os pre&#231;os continuar&#227;o altos durante v&#225;rios anos, e que &#233; necess&#225;rio fortalecer a &#171;ajuda alimentar&#187; para gerir a crise. Zoellick, que passou para este cargo depois de ser chefe de negocia&#231;&#245;es dos Estados Unidos na Organiza&#231;&#227;o Mundial de Com&#233;rcio, sabe do que fala. A partir do seu posto anterior fez tudo que p&#244;de para quebrar a soberania alimentar dos pa&#237;ses, em fun&#231;&#227;o de favorecer os interesses das grandes multinacionais dos agroneg&#243;cios. Mesmo agora, a receita da &#171;ajuda alimentar&#187;, &#233; de novo um apoio encoberto para as mesmas multinacionais, que tradicionalmente s&#227;o quem vende ao Programa Mundial de Alimentos os cereais que &#171;caritativamente&#187; os entregam aos esfaimados, com a condi&#231;&#227;o de que eles n&#227;o produzam os alimentos de que necessitam. (veja-se Silvia Ribeiro A Fome dos agroneg&#243;cios, La Jornada, M&#233;xico, 10.05.08).<br />
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Os grandes vencedores da crise alimentar s&#227;o tamb&#233;m actores centrais e os grandes ganhadores na promo&#231;&#227;o dos agrocombust&#237;veis: as multinacionais que englobam o com&#233;rcio nacional e internacional de cereais, as empresas de sementes, os fabricantes de agrot&#243;xicos. Nestes &#250;ltimos dois t&#243;picos    s&#227;o em muitos casos as mesmas empresas: Monsanto, Bayer, Syngenta, Dupont, BASF e Dow. Estas seis empresas controlam o total das sementes transg&#233;nicas no mundo. Com a maior naturalidade do mundo, as sementes transg&#233;nicas e os agrot&#243;xicos constituem hoje a solu&#231;&#227;o que prop&#245;em os poderosos a todos os novos problemas que as mesmas multinacionais geraram. Cargill, ADM, ConAgra, Bunge, Dreyfus, juntos dominam mais de 80% do com&#233;rcio mundial de cereais. Um relat&#243;rio de Grain afirma que os lucros atingiram na Dreyfus at&#233; 77% no &#250;ltimo trimestre de 2007. O neoliberalismo permitiu que os alimentos passem a ser uma mercadoria mais exposta &#224; especula&#231;&#227;o e ao jogo do mercado&#187; (veja-se, Grain &#171;O neg&#243;cio de matar &#224; fome&#187; <a href="http://Da especula&#231;&#227;o imobili&#225;ria &#224; especula&#231;&#227;o com a fome">www.grain.org</a>),<br />
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As multinacionais n&#227;o se d&#227;o por satisfeitas e querem mais. Agora preparam o pr&#243;ximo assalto, monopolizando atrav&#233;s de patentes, os caracteres gen&#233;ticos que consideram &#250;teis para fazer plantas resistentes &#224; seca, salinidade e outros factores de clima extremo. Os governos ao seu servi&#231;o, como o M&#233;xico, pretendem apagar o fogo com gasolina: em vez de reivindicar a soberania alimentar e o controle campon&#234;s das sementes e prop&#245;em transg&#233;nicos ainda com mais modifica&#231;&#245;es e mais riscos (Silvia Ribeira, ob. Cit.), O Brasil por sua vez, prepara uma aut&#234;ntica ofensiva diplom&#225;tica, para convencer o mundo sobre a import&#226;ncia do etanol da cana-de-a&#231;&#250;car, que este ano ter&#225; como col&#243;fon uma cimeira mundial de biocombust&#237;veis. Numa confer&#234;ncia recente de imprensa, o presidente Bush defendeu a utiliza&#231;&#227;o de alimentos para produzir etanol. As companhias multinacionais e as principais pot&#234;ncias exploram sem piedade a situa&#231;&#227;o actual, condenando uma grande e crescente massa de pessoas a passar fome. &#201; uma pol&#237;tica genocida.<br />
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Soberania alimentar<br />
A resposta social perante a crise: soberania alimentar</b><br />
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Encontramo-nos perante um desenvolvimento estrutural, resultado directo de tr&#234;s d&#233;cadas de globaliza&#231;&#227;o neoliberal. Por outras palavras, o mercado de valores n&#227;o d&#225; de comer aos famintos, em vez disso condena-os &#224; morte. O neoliberalismo em muitos pa&#237;ses pobres enfrenta hoje uma crise de grandes propor&#231;&#245;es. &#201; assim em virtude das suas manifesta&#231;&#245;es que d&#227;o mostras de ser a de uma crise sist&#233;mica em todo o sentido da palavra. Por detr&#225;s da fome, por detr&#225;s dos dist&#250;rbios encontram-se os fracassos dos chamados acordos de com&#233;rcio livre e dos brutais acordos de empr&#233;stimos de emerg&#234;ncia impostos aos pa&#237;ses pobres pelas institui&#231;&#245;es financeiras como o Fundo Monet&#225;rio Internacional.<br />
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Perante a gravidade da crise, caem as m&#225;scaras e esvaziam-se discursos, como a receita dos agrocombust&#237;veis e os supostos benef&#237;cios do com&#233;rcio livre e a agricultura de exporta&#231;&#227;o. A soberania alimentar e o direito &#224; Alimenta&#231;&#227;o resulta na resposta mais evidente. A irracionalidade do sistema capitalista. &#171;Queimar alimentos dos pobres para que sirvam &#224; mobilidade dos pa&#237;ses ricos&#187; &#233; um crime contra a humanidade. A n&#237;vel internacional h&#225; que tomar medidas para a estabiliza&#231;&#227;o. Deve estabelecer-se reservas de seguran&#231;a internacionais assim como um mecanismo de interven&#231;&#227;o para estabilizar os pre&#231;os. Os pa&#237;ses exportadores devem aceitar as normas internacionais que controlam as quantidades que podem levar ao mercado. Os pa&#237;ses devem ter a liberdade de controlar as importa&#231;&#245;es para poder fomentar e proteger a produ&#231;&#227;o nacional de alimentos.<br />
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Jacques Diouf, secret&#225;rio geral da FAO, afirmou que os pa&#237;ses em vias de desenvolvimento devem poder chegar &#224; autosufici&#234;ncia alimentar. Urge uma morat&#243;ria imediata sobre os agrocombust&#237;veis para evitar um aut&#234;ntico genoc&#237;dio. A soberania alimentar &#233; um direito inalien&#225;vel dos povos. A pobreza e a fome n&#227;o s&#227;o fatalidades mas sim consequ&#234;ncias directas de um sistema econ&#243;mico desumano e destruidor que viola o direito &#224; vida. Por essa raz&#227;o, &#233; urgente estabelecer uma morat&#243;ria imediata sobre os biocombust&#237;veis... (Chegou o momento da soberania alimentar! La Via Campesina 2 de Maio de 2008).<br />
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Em cada pa&#237;s h&#225; que estabelecer um sistema de interven&#231;&#227;o que possa estabilizar os pre&#231;os do mercado. Para o conseguir, os controles &#224; importa&#231;&#227;o com taxas e quotas, s&#227;o necess&#225;rios com o fim de regular a importa&#231;&#227;o e evitar o dumping ou as importa&#231;&#245;es baratas que destroem a produ&#231;&#227;o interna do pa&#237;s. A terra deveria antes distribuir-se de forma igualit&#225;ria &#224;s pessoas sem terra e &#224;s fam&#237;lias dos camponeses mediante uma verdadeira reforma agr&#225;ria e da terra. Esta deveria incluir o controle e o acesso &#224; &#225;gua, as sementes, cr&#233;ditos e tecnologias apropriada. Deve permitir-se a n&#237;vel local produzir o seu pr&#243;prio alimento e sustentar as suas comunidades. H&#225; que impedir que arrebatem e desalojem as terras e se expandam as terras dedicadas &#224; agricultura dos grandes agro-neg&#243;cios. S&#227;o necess&#225;rias medidas imediatas para apoiar os pequenos agriculturas e camponeses para aumentar a sua produ&#231;&#227;o agro-ecol&#243;gica de alimentos. Os governos nacionais n&#227;o devem repetir o erro de promover que as grandes companhias agr&#237;colas invistam em unidades de produ&#231;&#227;o massiva de alimentos. Assim, paremos os tratados de livre com&#233;rcio sobre todas as economias t&#227;o abertas como as da Am&#233;rica Central.<br />
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<b>A crise de migrad&#243;lares: fim da v&#225;lvula de escape migrat&#243;ria.</b><br />
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De acordo com a Organiza&#231;&#227;o de Estados Iberoamericanos (OIE) o n&#250;mero de emigrantes internacionais duplicou a n&#237;vel mundial entre 1960 e 2005. Em 2005. Cerca de 190 milh&#245;es de pessoas, ou seja, 3% da popula&#231;&#227;o mundial vivia fora do seu pa&#237;s natal. Embora frequentemente se julgue que a emigra&#231;&#227;o &#233; um fen&#243;meno nitidamente masculino, os n&#250;meros revelam outro quadro. Dos emigrantes internacionais de todo o mundo, a metade (95 milh&#245;es) s&#227;o mulheres. A haver alguma tend&#234;ncia nas &#250;ltimas d&#233;cadas observa-se uma maior equidade nesta mat&#233;ria. Entre 1960 e 2005, os maiores aumentos de migra&#231;&#227;o feminina observam-se na Oceania /de 44% a 52%), na Am&#233;rica Latina e na Am&#233;rica Central (de 45 a 50%) e na antiga Uni&#227;o Sovi&#233;tica (de 48% a 58%). A &#250;nica regi&#227;o onde se registou uma diminui&#231;&#227;o da percentagem de mulheres emigrantes foi a &#193;sia (de 46% a 43%). Para maiores detalhes veja-se OEI &#171;A migra&#231;&#227;o internacional de mulheres&#187;, 2008).<br />
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Segundo o artigo &#171;Din&#226;mica recente das migra&#231;&#245;es na Am&#233;rica&#187; (veja-se o boletim nacional de popula&#231;&#227;o, Ano 6, n.o 98. 2002), a percentagem de mulheres entre os emigrantes nos Estados Unidos &#233; de 46% para os mexicanos, 50% para os do Corno Sul, 52% para os Centro-americano e inclusive 54% para os imigrantes procedentes da Am&#233;rica Central. Dos emigrantes centro-americano para os Estados Unidos, a grande maioria provem de zonas urbanas, mais de 90% dos emigrantes da Nicar&#225;gua provem de zonas urbanas, mais de 60% das Honduras e de El Salvador e s&#243; a metade da Guatemala (veja-se Eduardo Baumeister, &#171;Migra&#231;&#227;o internacional e desenvolvimento na Nicar&#225;gua&#187;, CELADE, Santiago do Chile, 2006).<br />
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As Na&#231;&#245;es Unidas deram a conhecer um relat&#243;rio, em que se indica que os trabalhadores imigrantes nos pa&#237;ses mais ricos enviaram &#224;s fam&#237;lias o n&#250;mero recorde de US$ 167,000 milh&#245;es durante o ano de 2005. Imigrantes latino-americanos nos Estados Unidos enviaram 30% disso aos seus pa&#237;ses de origem em 2005 com um montante de US$ 53.000 milh&#245;es. O anterior consistiu num novo recorde no envio de remessas. Segundo informa&#231;&#227;o do Banco Interamericano de Desenvolvimento BID, estes n&#250;meros representam um aumento de 17% em rela&#231;&#227;o ao ano anterior. Seja porque aumenta a capacidade de regist&#225;-las ou porque o volume &#233; realmente maior, as remessas pareciam crescer a um ritmo assombroso. Segundo a CEPAL, nos &#250;ltimos 25 anos, as remessas recebidas na Am&#233;rica Latina aumentaram de 1 mil 120 milh&#245;es de d&#243;lares em 1980 para mais de 20 mil milh&#245;es em 2994. Com pequenas flutua&#231;&#245;es, as remessas duplicam a cada cinco anos. Os montantes que recebem a Guatemala, Honduras e El Salvador dos seus emigrantes multiplicaram-se mais de dez vezes em 1980-1990 ao passar de 55 para 649 milh&#245;es de d&#243;lares, mostrando uma fecundidade realmente assombrosa se considerarmos que o n&#250;mero de cidad&#227;os desses pa&#237;ses para os Estados Unidos s&#243; se multiplicou por quatro. &#201; uma v&#225;lvula de escape muito vis&#237;vel perante os efeitos nefastos da pol&#237;tica neoliberal que em vez de politizar despolitiza. O futuro e a salva&#231;&#227;o s&#227;o acima de tudo de car&#225;cter individual e a solu&#231;&#227;o para os problemas encontra-se fora do pa&#237;s.<br />
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A alternativa est&#225; num &#171;projecto pa&#237;s&#187;</b><br />
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Com a crise financeira e hipotec&#225;ria, o montante total de remessas que os emigrantes latino-americanos fazem do exterior para os seus pa&#237;ses de origem desacelerou-se no ano de 2007, segundo um relat&#243;rio do Banco Interamericano de Desenvolvimento. S&#243; 50% dos imigrantes consultados assegurou enviar dinheiro para casa, perante 73 por cento que o fazia em 2006, o que constitui uma baixa de mais de 30%. Ao findar o ano de 2007, o M&#233;xico recebeu 23 979 milh&#245;es de d&#243;lares em remessas, o que representa um crescimento de apenas um por cento respeitante a 2006. Em Janeiro de 2008, os envios tiveram uma queda de 5.87 por cento, ao somar 757 milh&#245;es de d&#243;lares, revelam n&#250;meros do Banco do M&#233;xico (Banxico). A crise nos Estados Unidos afecta os emigrantes e com isso os familiares no seu pa&#237;s de origem. A v&#225;lvula de escape come&#231;a a fechar-se cada vez mais. Aumenta a xenofobia e s&#227;o cada vez mais os imigrantes deportados dos Estados Unidos. S&#243; no ano de 2003 foram deportados 260.000 centro-americanos sem contar os costariquenhos. Trata-se de 94 mil guatemaltecos, 76 mil hondurenhos, 50 mil nicaraguenses e 40 mil salvadorenhos (Baumeister, ob. Cit.).<br />
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Pa&#237;ses como as Honduras, Nicar&#225;gua, Guatemala, Haiti e Rep&#250;blica Dominicana v&#234;em-se mais afectados com a crise nas remessas do que o M&#233;xico, j&#225; que o peso relativo dos envios de dinheiro no PIB nacional &#233; muito maior. Os centro-americanos continuam a ser os que por capita enviam mais dinheiro. 65 por cento deles manda em 2007 remessas a suas fam&#237;lias. Fazem-no 49 por cento dos dominicanos, 48 por cento dos mexicanos e 42 por cento dos sul-americanos. Apesar da descida nas pessoas latino-americanas a enviar dinheiro, o volume total das remessas baixou 13% comparando com o ano 2005, alcan&#231;ando 45.900 milh&#245;es de d&#243;lares. O efeito n&#227;o foi maior devido a que os que continuam a mandar dinheiro o fazem agora com mais frequ&#234;ncia (de doze a quinze vezes por ano) e em quantidades levemente superiores. A m&#233;dia das remessas cresceu de 300 a 325 d&#243;lares por envio.<br />
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No ano de 2008, a crise econ&#243;mica e a da constru&#231;&#227;o em particular afecta especialmente os imigrantes ilegais que a&#237; trabalham ami&#250;de. A queda nas remessas ser&#225; irrevers&#237;vel e as deporta&#231;&#245;es aumentar&#227;o sem cessar.<br />
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As remessas que os emigrantes centro-americanos enviavam para os seus pa&#237;ses &#8212; predominantemente a partir dos Estados Unidos, embora a mi&#250;do de outros pa&#237;ses do istmo &#8212; alcan&#231;aram em 2007, segundo c&#225;lculos do BID, os 12 mil 160 milh&#245;es de d&#243;lares, ou seja, a metade do que enviaram os seus iguais mexicanos. Para a Guatemala 4.055 milh&#245;es de d&#243;lares, 3.530 para El Salvador, 2.675 para as Honduras, 990 para a Nicar&#225;gua, 590 para a Costa Rica e 320 para o Panam&#225;. Combinando as estimativas do BID com as estat&#237;sticas dos bancos centrais centro-americano podemos inferir que em 2006 as remessas superaram o valor das exporta&#231;&#245;es em El Salvador e nas Honduras, e quase chegaram a esse valor na Nicar&#225;gua; alcan&#231;aram um valor equivalente ao de metade das importa&#231;&#245;es em El Salvador, e representaram a quarta parte do PIB nas Honduras. Com as excep&#231;&#245;es da Costa Rica e Panam&#225;, as remessas colocaram-se num lugar de honra nas contas nacionais centro-americanas. O seu peso foi enorme e ser&#225; tamb&#233;m muito forte o impacto da crise norte-americana na Am&#233;rica Central.<br />
<br />
O valor das remessas est&#225; entre 9.4 e 25.5% do PIB, o de 60 a 173.5% do valor das exporta&#231;&#245;es, de 30.3 a 51.6% do valor das importa&#231;&#245;es, de 55 a 67.6% do valor do d&#233;fice comercial e de 88.7 a 153.5% do valor de d&#233;fice comercial com os Estados Unidos. Na Guatemala e El Salvador as remessas superam mais de seis e sete vezes, respectivamente, o investimento estrangeiro directo. Nas Honduras e Nicar&#225;gua as remessas somam o triplo e o dobro do valor deste investimento. Segundo estimativas do soci&#243;logo Eduardo Baumeister, nas Honduras as fam&#237;lias que recebem remessas somaram cerca de 16%; na Nicar&#225;gua, quase 20%; na Guatemala 24% e em El Salvador at&#233; 28% das fam&#237;lias do pa&#237;s (Veja-se Eduardo Baumeister, &#171;Migra&#231;&#227;o internacional e desenvolvimento na Nicar&#225;gua&#187;, CELADE, Na&#231;&#245;es Unidas, 2006).<br />
<br />
A crise dos migrad&#243;lares ser&#225; particularmente evidente no caso de El Salvador. At&#233; &#224; data foi um mecanismo de descompress&#227;o social. Uma ren&#250;ncia &#224; redistribui&#231;&#227;o pela via pol&#237;tica. Uma despolitiza&#231;&#227;o da redu&#231;&#227;o da pobreza. E tamb&#233;m tem um efeito perverso sobre os mecanismos de mobilidade social, porque as remessas separam a receita do emprego. E assim a posi&#231;&#227;o como trabalhador desvincula-se cada vez mais da posi&#231;&#227;o de classe, com que se refor&#231;a a despolitiza&#231;&#227;o e a evas&#227;o do conflito. A melhoria de qualidade de vida est&#225; posta num &#171;mais al&#233;m&#187; terreno, mas &#171;mais al&#233;m&#187; ao fim e ao cabo. Nada do que se faz &#233; &#171;aqui e agora&#187; repercute positivamente sobre o bem-estar familiar, excepto o cultivo de frequentes e am&#225;veis rela&#231;&#245;es com os que conseguiram chegar &#171;mais al&#233;m&#187;.<br />
<br />
A ruptura na chegada de remessas causar&#225; uma recupera&#231;&#227;o ideol&#243;gica for&#231;osa; acaba-se de uma vez com a ren&#250;ncia dos migrantes a procurar o desenvolvimento no seu pr&#243;prio pa&#237;s j&#225; que se acaba o sonho de &#171;mudar de pa&#237;s&#187; em vez de &#171;mudar o pa&#237;s&#187;. Acabar&#225; a ren&#250;ncia actual dos receptores de remessas para manter as conquistas elementares dos trabalhadores (veja-se Jos&#233; Lu&#237;s Rocha, ob. Cit.) Esta situa&#231;&#227;o latentemente explosiva exigir&#225; solu&#231;&#245;es dentro dos pa&#237;ses latino-americanos em geral e centro-americanos em particular. N&#227;o se trata apenas da soberania agr&#237;cola, mas da exig&#234;ncia de um projecto pa&#237;s. Aqui for&#231;as pol&#237;ticas como o FMLN de El Salvador ter&#225; muitas vantagens pol&#237;ticas sobre a ARENA e apresenta-se uma situa&#231;&#227;o de voltar de facto ao proteccionismo ainda que ressoem as ideologias neoliberais.<br />
<br />
<i>* Economista</i><br />
<br />
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	</item>
		<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=777&amp;c=1">
		<title>Antes pelo contr&#225;rio</title>
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		<dc:date>2008-06-25T07:00:00</dc:date>
		<dc:creator>Os Editores (mailto:od&#105;&#97;rio&#64;&#111;d&#105;ari&#111;.in&#102;&#111;)</dc:creator>
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		<content:encoded><![CDATA[O professor Vital Moreira (VM) anda incomodado, como tive ocasi&#227;o de constatar h&#225; dias quando alma caridosa me alertou para um escrito publicado a semana passada no P&#250;blico com o curioso t&#237;tulo de &#171;Equ&#237;vocos &#224; esquerda&#187;. E digo curioso porque de equ&#237;vocos &#224;, ou de esquerda tem VM t&#227;o vasta experi&#234;ncia, tese e mestrado que mais valia n&#227;o mexer no assunto, mas isso s&#227;o outros quinhentos que agora n&#227;o v&#234;m ao caso.<br />
<br />
Sucede que VM faz o favor de nos explicar, a prop&#243;sito do recente conclave que levou ao Trindade umas quantas personalidades, por que motivo considera n&#227;o haver no horizonte qualquer remota possibilidade de uma &#171;frente de esquerda&#187; caso o PS ganhe as pr&#243;ximas elei&#231;&#245;es sem maioria absoluta. Na sua douta opini&#227;o, o bus&#237;lis est&#225; no facto de o PCP e o BE votarem ao PS uma &#171;inimizade pol&#237;tica&#187; t&#227;o grande que n&#227;o s&#243; n&#227;o s&#227;o capazes de reconhecer &#171;as ineg&#225;veis melhorias nas pol&#237;ticas sociais&#187; levadas a cabo pelo governo S&#243;crates, como n&#227;o entendem, nem aceitam, que o PS, enquanto &#171;partido de esquerda governante&#187;, esteja &#171;naturalmente alinhado com as modernas orienta&#231;&#245;es da social-democracia europeia, assentes na &#8220;economia de mercado regulada&#8221;, na efici&#234;ncia e sustentabilidade do Estado social e no aprofundamento da integra&#231;&#227;o europeia&#187;.<br />
<br />
Esta &#171;explica&#231;&#227;o&#187;, por acaso &#8211; ser&#225;? &#8211; um equ&#237;voco pegado, d&#225; pano para mangas. <br />
<br />
Primeiro, porque no referido conclave (bem como nos pressupostos que lhe estiveram subjacentes) nem com uma lupa se vislumbrava o PCP, como de resto VM muito bem sabe; segundo, porque os que sonham com uma &#171;frente de esquerda&#187; com o governo S&#243;crates-parte dois n&#227;o est&#227;o assim t&#227;o desfasados do executivo e das suas pol&#237;ticas como se comprova pela praxi; e finalmente, porque para haver uma governa&#231;&#227;o de esquerda &#233; preciso no m&#237;nimo uma pol&#237;tica de esquerda, o que nem por equ&#237;voco se pode chamar &#224; presta&#231;&#227;o do PS nos sucessivos governos de que foi e &#233; respons&#225;vel. <br />
<br />
Tendo VM uma vis&#227;o tecnicolor do consulado S&#243;crates ao ponto de afirmar que [PCP e BE] &#171;insistem na den&#250;ncia de aumento da pobreza entre n&#243;s, que nenhum ind&#237;cio confirma, antes pelo contr&#225;rio&#187;, importa perceber se o problema &#233; do f&#243;rum oftalmol&#243;gico ou cognitivo, ou se pura e simplesmente &#233; mais um... equ&#237;voco, chamemos-lhe assim. <br />
<br />
&#201; que numa altura em que o Banco Alimentar anuncia estar a apoiar um n&#250;mero recorde de 230 mil pessoas; quando o endividamento das fam&#237;lias atinge j&#225; 129% do rendimento dispon&#237;vel; quando dados nacionais e europeus confirmam que Portugal &#233; o pa&#237;s da Uni&#227;o Europeia onde a desigualdade entre ricos e pobres &#233; maior, e onde 20 por cento das crian&#231;as est&#227;o expostas &#224; pobreza; quando um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por m&#234;s (e destes, a maioria com muito menos do que isso); quando tudo isto sucede, importa perguntar em que mundo vive o professor de Coimbra, que v&#234; ind&#237;cios do contr&#225;rio &#224; realidade social do pa&#237;s. &#201; prov&#225;vel que a vida lhe corra bem e s&#243; viaje de autoestrada, que tenha um gabinete climatizado e um bom restaurante sempre &#224; m&#227;o, e que os rendimentos lhe sobrem no final de cada m&#234;s.<br />
<br />
Mas ser&#225; muito mais do que um equ&#237;voco se VM ainda n&#227;o se deu conta de que no moderno Portugal de S&#243;crates ter sal&#225;rio e ter fome deixaram de ser realidades incompat&#237;veis. Antes pelo contr&#225;rio, est&#227;o na ordem do dia.<br />
<br />
<br />
<br />
<i>Este texto foi publicado no n&#186; 1.803 do Avante de 19 de Junho de 2008 <br />
</i><br />
]]></content:encoded>
	</item>
		<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=776&amp;c=1">
		<title>As origens americanas da ideolog&#237;a nazi</title>
		<link>http://www.odiario.info/index.php?p=776&amp;c=1</link>
		<dc:date>2008-06-24T07:00:00</dc:date>
		<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;dia&#114;io&#64;o&#100;&#105;&#97;ri&#111;.&#105;nfo)</dc:creator>
		<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
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		<description>A &#250;ltima guerra contra o Iraque foi acompanhada por um singular fen&#243;meno ideol&#243;gico: a tentativa de silenciar o movimento de protesto que ent&#227;o se desenvolveu, e que teve uma amplitude sem precedentes, lan&#231;ando contra ele a acusa&#231;&#227;o de antiamericanismo. E isso, mais do que uma atitude pol&#237;tica enganadora, foi e ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[A &#250;ltima guerra contra o Iraque foi acompanhada por um singular fen&#243;meno ideol&#243;gico: a tentativa de silenciar o movimento de protesto que ent&#227;o se desenvolveu, e que teve uma amplitude sem precedentes, lan&#231;ando contra ele a acusa&#231;&#227;o de antiamericanismo. E isso, mais do que uma atitude pol&#237;tica enganadora, foi e continua a ser desenhado, na previs&#227;o de novas guerras que se apresentam no horizonte, como uma epidemia, como um sintoma de pouca adapta&#231;&#227;o &#224; modernidade e de orelhas moucas &#225;s raz&#245;es da democracia. Essa epidemia &#8211; diz-se &#8211; &#233; comum a antiamericanos de esquerda e de direita, e caracteriza as piores p&#225;ginas da hist&#243;ria europeia. Portanto &#8211; concluiu-se &#8211; criticar Washington e a guerra preventiva n&#227;o promete nada de bom. Tem algum fundamento hist&#243;rico esta tese?<br />
<br />
Na realidade os bolcheviques sentem-se muito atra&#237;dos pela Am&#233;rica do melting pot e do self made man. Contrariamente, outros aspectos s&#227;o aos seus olhos decididamente repugnantes. Em 1924, Correpondace Internationale (vers&#227;o francesa do &#243;rg&#227;o da Internacional Comunista) publica o artigo de um jovem indochin&#234;s de passagem pelos EUA, que ao mesmo tempo que admira a revolu&#231;&#227;o americana, sente horror pela pr&#225;tica de linchamento que no sul atinge os negros. Um destes espect&#225;culos de massas &#233; assim descrito: <br />
<br />
&#171;O negro &#233; posto a cozer, assado na brasa, queimado. Mas ele merece morrer duas vezes em vez de uma s&#243;. Por isso &#233; cortado, ou mais correctamente, corta-se o que resta do seu cad&#225;ver&#8230;<br />
<br />
Quando toda a gente esta satisfeita, o cad&#225;ver &#233; baixado.<br />
<br />
A corda &#233; cortada em pequenos peda&#231;os que s&#227;o vendidos entre tr&#234;s e cinco d&#243;lares cada um&#187;.<br />
<br />
N&#227;o obstante, o desd&#233;m pelo regime de white supremacy n&#227;o contribui nada para uma condena&#231;&#227;o indiscriminada dos EUA: o Ku Klux Klan revela a &#171;brutalidade do fascismo&#187;, por isso acabar&#225; por ser derrotado, para al&#233;m dos negros, judeus e cat&#243;licos (as v&#237;timas a v&#225;rios n&#237;veis dessa brutalidade), por &#171;todos os americanos decentes&#187; (in Wade, 1997, 203-4). Naturalmente n&#227;o estamos perante um antiamericanismo indiferenciado.<br />
<br />
<b>Um &#171;fant&#225;stico Estado futuro&#187;</b><br />
<br />
&#201; verdade que o jovem indochin&#234;s (que dez anos depois voltar&#225; &#224; sua terra para adquirir o nome de Ho Chi Min, que o tornar&#225; famoso em todo o mundo) identifica o Ku Klux Klan com o fascismo. Tamb&#233;m as semelhan&#231;as entre os dois movimentos s&#227;o evidentes segundo testemunhos americanos daquele tempo. Bastantes vezes, com ju&#237;zos positivos ou negativos, esses testemunhos comparam os homens de branco do sul dos Estados Unidos aos &#171;camisas negras&#187; italianos e aos &#171;camisas castanhas&#187; alem&#227;es. Depois de chamar a aten&#231;&#227;o para os tra&#231;os comuns entre o Ku Klux Klan e o movimento nazi, uma estudiosa estadunidense dos nossos dias considera poder chegar a essa conclus&#227;o: &#171;&#201; certo que se a Grande depress&#227;o n&#227;o tivesse atingido a Alemanha com toda a for&#231;a como na verdade a atingiu, o nazi-fascismo podia ser tratado como por vezes se trata o Ku Klux Klan: como uma curiosidade hist&#243;rica cujo destino estava marcado&#187; (MacLean 1994,184). Ou seja, mais do que a diferente hist&#243;ria ideol&#243;gica e pol&#237;tica, seria o diferente contexto econ&#243;mico a explicar a derrota do Imp&#233;rio Invis&#237;vel nos EUA e o advento do Terceiro Reich na Alemanha. Esta afirma&#231;&#227;o pode parecer excessiva. Mas quando, para calar as cr&#237;ticas contra a pol&#237;tica de Washington, se recorda a contribui&#231;&#227;o essencial dos EUA, juntamente com outros pa&#237;ses (a come&#231;ar pela Uni&#227;o Sovi&#233;tica), deram &#224; luta contra a Alemanha hitleriana e os seus aliados, diz apenas uma parte da verdade; a outra parte &#233; constitu&#237;da pelo importante papel que os movimentos reaccion&#225;rios e racistas norte-americanos desenvolveram ao inspirar na Alemanha a agita&#231;&#227;o que foi conclu&#237;da com o triunfo de Hitler.<br />
<br />
Nos anos 20, entre o Ku Klux Klan e os c&#237;rculos alem&#227;es de extrema-direita foram estabelecidas rela&#231;&#245;es de colabora&#231;&#227;o em nome do racismo antinegros e antijudeus.<br />
<br />
Ainda em 1937, Rosenberg louva os EUA como &#171;extraordin&#225;rio pa&#237;s do futuro&#187;: pa&#237;s que teve o m&#233;rito de formular a feliz &#171;ideia nova de um estado racial&#187;, ideia que agora se trata de p&#244;r em pr&#225;tica, &#171;com a for&#231;a da juventude&#187;, atrav&#233;s da expuls&#227;o e deporta&#231;&#227;o de &#171;negros e amarelos&#187; (Rosenberg 1937, 673). Basta olhar a legisla&#231;&#227;o aprovada logo ap&#243;s a chegada do Terceiro Reich para dar conta das analogias com a situa&#231;&#227;o existente no sul dos EUA: &#233; &#243;bvio que na Alemanha s&#227;o em primeiro lugar os judeus alem&#227;es a tomar o lugar dos afro-americanos. Hitler preocupa-se em distinguir, taxativamente, tamb&#233;m no plano jur&#237;dico, a posi&#231;&#227;o dos arianos em rela&#231;&#227;o &#224; dos judeus e dos poucos mulatos que viviam na Alemanha (ap&#243;s o fim da primeira guerra mundial, tropas de pele escura do ex&#233;rcito franc&#234;s participaram na ocupa&#231;&#227;o do pa&#237;s). &#171;A quest&#227;o negra&#187; - escreve Rosenberg &#8211; &#233; &#171;nos EUA a primeira de todas as quest&#245;es decisivas&#187;; &#171;e uma vez que o absurdo princ&#237;pio da igualdade foi retirado aos negros, n&#227;o se compreende porque n&#227;o se tiram as necess&#225;rias consequ&#234;ncias tamb&#233;m para os amarelos e os judeus&#187; (Rosenberg, 1937, 668-9).<br />
<br />
Tudo isto nos deve espantar. Elemento central do programa nazi &#233; a constru&#231;&#227;o de um Estado racial. E quais foram naquele momento os poss&#237;veis modelos? Claro que Rosenberg se refere tamb&#233;m &#224; &#193;frica do Sul: &#233; bom que continue estritamente em &#171;m&#227;os n&#243;rdicas&#187; e brancas (gra&#231;as a oportunas leis de acusa&#231;&#227;o acusat&#243;rias, para al&#233;m dos &#171;&#237;ndios&#187;, tamb&#233;m dos &#171;negros, mulatos e judeus&#187;), e que constitua um &#171;forte basti&#227;o&#187; contra o perigo representado &#171;despertar negro&#187; (Rosenberg, 1937, 666). Mas o ide&#243;logo nazi sabe como a legisla&#231;&#227;o segregacionista da &#193;frica do Sul foi altamente inspirada pelo regime de white supremacy criado no sul dos EUA depois do final da Reconstru&#231;&#227;o (Noer 10978, 106-7, 115, 125). E por isso ele olha em primeiro lugar para essa realidade.<br />
<br />
Por outro lado, h&#225; uma outra raz&#227;o pela qual a rep&#250;blica mais ocidental do Atl&#226;ntico constitui um motivo de inspira&#231;&#227;o do Terceiro Reich.<br />
<br />
A Alemanha &#233; chamada a expandir-se na Europa oriental como numa esp&#233;cie de Far West, tratando os &#171;ind&#237;genas&#187; como peles-vermelhas (Losurdo 1996, 212-6), sem nunca esquecer o modelo norte-americano, do qual Hitler sa&#250;da &#171;a inaudita for&#231;a interior&#187; (Hitler, 1939, 153-4). Imediatamente depois da invas&#227;o, Hitler procede ao desmantelamento da Pol&#243;nia: uma parte &#233; directamente incorporada no Grande Reich (e de passagem expulsos os polacos); a outra constitui &#171;o governo-geral&#187; no qual &#8211; como declara o governador-geral Hans Frank &#8211; os polacos vivem como numa &#171;esp&#233;cie de reserva&#187;: est&#227;o subordinados &#224; jurisdi&#231;&#227;o alem&#227; sem serem &#171;cidad&#227;os alem&#227;es&#187; (Ruge-Schumann 1977, 36).  Aqui o modelo norte-americano de forma escol&#225;stica: n&#227;o podemos deixar de pensar na condi&#231;&#227;o dos peles-vermelhas.<br />
<br />
<b>O Estado racial entre os EUA e a Alemanha</b><br />
<br />
&#201; um modelo que tamb&#233;m deixa marcas profundas a n&#237;vel categoria e lingu&#237;sticas. O termo Untermensch n&#227;o &#233; mais do que a tradu&#231;&#227;o de Under Man. Rosenberg reconhece-o e expressa a sua admira&#231;&#227;o pelo autor estadunidense Lothrop Stodard: ele tem o m&#233;rito de ter puxado para primeiro plano a palavra em quest&#227;o que aparece como subt&#237;tulo (The Menace of the Under Man) de um livro publicado em Nova Iorque em 1922 e na sua vers&#227;o alem&#227; (Die Drohung des Untermenschen) publicada tr&#234;s anos depois. Quanto ao seu significado, Stoddard deixa claro que quer dizer massa de &#171;selvagens e b&#225;rbaros&#187;, &#171;essencialmente incapazes de civilidade e seus incorrig&#237;veis inimigos&#187;, aos quais h&#225; que pedir uma radical presta&#231;&#227;o de contas se se quer eliminar o perigo de fal&#234;ncia da civiliza&#231;&#227;o. Elogiado, primeiramente por Rosenberg, e depois por dois presidentes estadunidenses (Harding e Hoover), o autor americano &#233; sucessivamente recebido com todas as honras em Berlim, onde n&#227;o s&#243; encontra os mais ilustres expoentes da eug&#233;nica nazi, mas tamb&#233;m com os mais dignit&#225;rios do regime, incluindo Adolf Hitler [1], j&#225; lan&#231;ado na sua campanha de dizima&#231;&#227;o e escraviza&#231;&#227;o  dos Untermenschen, ou seja dos &#171;ind&#237;genas&#187; da Europa oriental.<br />
<br />
Nos EUA da white supremacy, tal como na Alemanha onde avan&#231;a cada vez mais o movimento que chegar&#225; ao nazismo, o programa de restabelecer as hierarquias raciais funde-se com o projecto eug&#233;nico. Trata-se em primeiro lugar de animar a procria&#231;&#227;o dos melhores para afastar o perigo do &#171;suic&#237;dio racial&#187; (Rasseselbstmord) que amea&#231;a os brancos: o sinal de alarme &#233; dado, em 1918, por Oswald Spenger que, a esse prop&#243;sito, refere os ensinamentos de Theodore Roosevelt (Spengler 1980, 683).<br />
<br />
Com efeito, no estadista norte-americano, a evoca&#231;&#227;o do espectro do &#171;suic&#237;dio racial&#187; (race suicide) ou seja da &#171;humilha&#231;&#227;o racial (race humiliation) est&#225; aliada &#224; den&#250;ncia da &#171;diminui&#231;&#227;o dos nascimentos entre as ra&#231;as superiores&#187;, isto &#233;, &#171;no &#226;mbito do antigo n&#250;cleo de nativos norte-americanos. &#201; &#243;bvio que a refer&#234;ncia n&#227;o &#233; aos &#171;selvagens&#187; peles-vermelhas mas aos Wasp (Cfr. Roosevelt, 1951, I, 487 nota 4, 647, 1.113; Roosevelt 1951, II 1.053). Trata-se, al&#233;m disso, de cavar um abismo inultrapass&#225;vel entre a ra&#231;a dos escravos e a ra&#231;a dos senhores, depurando estas &#250;ltimas dos elementos de refugo e colocando-a em condi&#231;&#245;es de enfrentar e romper com a revolta dos servos que, na onda da revolu&#231;&#227;o bolchevique se est&#225; a desenhar a n&#237;vel planet&#225;rio. Tamb&#233;m neste caso, uma investiga&#231;&#227;o hist&#243;rica aprofundada conduz a resultados surpreendentes.<br />
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Erbgesundheitslehre ou seja Rassennhygiene, outra palavra-chave da ideolog&#237;a nazi, em &#250;ltima an&#225;lise mais n&#227;o &#233; mais do que a tradu&#231;&#227;o alem&#227; de eug&#233;nica, a nova ci&#234;ncia inventada por Inglaterra na segunda metade do s&#233;culo dezanove por Francis Galton e que, n&#227;o por acaso, conhece o seu maior &#234;xito nos EUA. Aqui &#233; mais do que nunca agudo o problema da rela&#231;&#227;o entre as &#171;tr&#234;s ra&#231;as&#187; e entre &#171;nativos&#187; por um lado e massas crescentes de imigrantes por outro. Muito antes da chegada de Hitler ao poder, na v&#233;spera de primeira guerra mundial, publica-se em M&#243;naco um livro que, logo no seu t&#237;tulo, assinala os EUA como modelo de &#171;higiene racial&#187;. O autor, vice-c&#244;nsul do imp&#233;rio austro-h&#250;ngaro em Chicago, louva os EUA pela &#171;luminosidade&#187; e a &#171;pura raz&#227;o pr&#225;tica&#187; que d&#227;o mostras de enfrentar, com a devida energia, um problema t&#227;o importante: a viola&#231;&#227;o das leis que pro&#237;bem as rela&#231;&#245;es sociais e matrimoniais podem levar &#224; condena&#231;&#227;o at&#233; 10 anos de pris&#227;o e, no caso de condena&#231;&#227;o, al&#233;m dos protagonistas, s&#227;o tamb&#233;m condenados os seus c&#250;mplices (Hoffmann 1913, IX, 67-8).<br />
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Dez anos depois, em 1923, um doutor alem&#227;o, Fritz Lenz, queixa-se do facto de, no que diz respeito &#224; &#171;higiene racial&#187;, a Alemanha estar muito atr&#225;s dos EUA (Lifton 1986, 29). Tamb&#233;m, depois da conquista do poder pelo nazismo, os ide&#243;logos e &#171;cientistas&#187; da ra&#231;a continua a dizer: &#171;Tamb&#233;m a Alemanha tem muito que aprender com os norte-americanos: eles sabem muito bem o que fazem&#187; (Gunther 1934, 465).<br />
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As medidas eug&#233;nicas adoptadas imediatamente ap&#243;s a "Machtergreifung" t&#234;m o objectivo de enfrentar o perigo da "Volstod" (Lifton 1986,30), da "morte do povo", ou seja, da morte da "ra&#231;a". E chegamos outra vez ao tema do &#171;suic&#237;dio racial&#187;. Para eliminar o perigo do suic&#237;dio da ra&#231;a branca, que seria equivalente ao suic&#237;dio da civiliza&#231;&#227;o, n&#227;o se deve hesitar nas medidas mais en&#233;rgicas, nas solu&#231;&#245;es mais radicais, para com as &#171;ra&#231;as inferiores&#187; (inferior races); se uma destas ra&#231;as &#8211; diz Theodore Roosevelt &#8211; vier a agredir a ra&#231;a &#171;superior&#187;, esta deve reagir com uma &#171;guerra de exterm&#237;nio (a war of extermination), para &#171;dar a morte a homens, mulheres e crian&#231;as, exactamente como se fosse uma Cruzada&#187; (Roosevelt 1951, II, 377).<br />
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Significativamente, de uma vaga &#171;&#250;ltima solu&#231;&#227;o&#187; da quest&#227;o negra fala um livro aparecido em B&#243;ston em 1913 (Frederickson, 1987, 258 nota). Mais tarde, ao contr&#225;rio, os nazis teorizaram e tentaram p&#244;r em pr&#225;tica a &#171;solu&#231;&#227;o final&#187; (Endlosung) da quest&#227;o judia.<br />
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<b>O nazismo como projecto de white supremacy a n&#237;vel planet&#225;rio</b><br />
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Ao longo de toda a sua hist&#243;ria, os EUA tiveram de se confrontar de forma directa com os problemas procedentes dos encontros com &#171;ra&#231;as&#187; distintas e com massas de imigrantes procedentes de todos os cantos do mundo. Por outro lado, o furibundo movimento racista que se desenvolve no final do s&#233;culo dezanove &#233; a resposta &#224; grande revolu&#231;&#227;o representada pela guerra da Secess&#227;o e pelo per&#237;odo da Reconstru&#231;&#227;o radical. Enquanto os ex-donos de escravos est&#227;o momentaneamente privados dos direitos pol&#237;ticos enquanto rebeldes, os negros passam da condi&#231;&#227;o de escravid&#227;o &#224; plena cidadania pol&#237;tica: n&#227;o poucas vezes fazem parte dos organismos representativos, chegando assim, de alguma forma, a legisladores e dirigentes dos seus ex-donos.<br />
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Olhemos agora as experi&#234;ncias e as emo&#231;&#245;es, que 