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	<title>O ALCANCE ASSASSINO DA MOSSAD:AS MAIORES QUEST&#213;ES POL&#205;TICAS</title>
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	<dc:date>2010-03-08T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;di&#97;ri&#111;&#64;&#111;d&#105;&#97;r&#105;o.&#105;&#110;&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Colaboradores</dc:subject>
	<description>No dia 19 de Janeiro, a pol&#237;cia secreta internacional de Israel. Mossad, enviou um esquadr&#227;o da morte de dezoito membros a Dubai com passaportes europeus, supostamente &#171;roubados&#187; a cidad&#227;os de Israel com dupla nacionalidade e alterados com retratos falsos e assinaturas falsas, a fim de assassinar o l&#237;der palestiniano Mahmoud ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[No dia 19 de Janeiro, a pol&#237;cia secreta internacional de Israel. Mossad, enviou um esquadr&#227;o da morte de dezoito membros a Dubai com passaportes europeus, supostamente &#171;roubados&#187; a cidad&#227;os de Israel com dupla nacionalidade e alterados com retratos falsos e assinaturas falsas, a fim de assassinar o l&#237;der palestiniano Mahmoud al Mabhouh.<br />
<br />
As provas s&#227;o esmagadoras. A apresenta&#231;&#227;o pela pol&#237;cia de Dubai de v&#237;deos pormenorizados de seguran&#231;a dos assassinos foi corroborada pelo testemunho de peritos em seguran&#231;a israelitas e aplaudida pelos principais &#243;rg&#227;os de informa&#231;&#227;o de Israel e por colunistas. A Mossad, declarou abertamente que Mabhouh era um alvo priorit&#225;rio que tinha sobrevivido a tr&#234;s tentativas pr&#233;vias de assass&#237;nio. Israel nem mesmo se incomodou a negar o crime. Para al&#233;m disso, o sofisticado sistema de comunica&#231;&#227;o utilizado pelos assassinos, a log&#237;stica e o planeamento &#224; volta das suas entradas e sa&#237;das de Dubai e a dimens&#227;o e escala da opera&#231;&#227;o, possu&#237;am todas as caracter&#237;sticas duma opera&#231;&#227;o nacional de alto n&#237;vel. Ademais, s&#243; a Mossad teria acesso aos passaportes europeus dos seus cidad&#227;os de dupla nacionalidade. S&#243; a Mossad teria a capacidade, motiva&#231;&#227;o, inten&#231;&#227;o declarada e vontade expressa para provocar uma quest&#227;o diplom&#225;tica com os seus aliados europeus, sabendo muito bem que a irrita&#231;&#227;o dos governos ocidentais europeus se apagaria devido &#224;s suas liga&#231;&#245;es profundas com Israel. Depois de uma investiga&#231;&#227;o meticulosa e a interroga&#231;&#227;o de dois colaboradores palestinianos da Mossad capturados, o chefe da pol&#237;cia do Dubai declarou que tinha a certeza que a Mossad estava por detr&#225;s do crime.<br />
<br />
<b>AS MAIORES QUEST&#213;ES POL&#205;TICAS</b><br />
<br />
A pol&#237;tica de Israel de assass&#237;nios fora do seu territ&#243;rio levanta quest&#245;es profundas que amea&#231;am a ess&#234;ncia de um estado moderno: <b>soberania, regra legal e seguran&#231;a nacional e pessoal.<br />
</b><br />
Israel tem um pol&#237;tica publicamente declarada de violar a soberania de qualquer ou de todos os pa&#237;ses, para matar ou raptar os seus oponentes. Em ambas, proclama&#231;&#227;o e pr&#225;tica real, a lei de Israel decreta e as actua&#231;&#245;es no estrangeiro ultrapassam as leis e as ag&#234;ncias de cumprimento das leis de qualquer outro pa&#237;s. Se a ordem pol&#237;tica de Israel se converte em pr&#225;tica normal em todo o mundo, entrar&#237;amos numa selva hobbesiana*, onde os indiv&#237;duos ficariam sujeitos &#224;s inten&#231;&#245;es criminosas de esquadr&#245;es estrangeiros de assassinos, impunes a qualquer lei ou &#224; presta&#231;&#227;o de contas a qualquer autoridade nacional. Todos os pa&#237;ses poderiam impor as suas pr&#243;prias leis e atravessar fronteiras nacionais para matar, com toda a impunidade, cidad&#227;os ou residentes desses pa&#237;ses. <b>Os assass&#237;nios extra-territoriais de Israel</b> fazem tro&#231;a da no&#231;&#227;o de soberania nacional. A elimina&#231;&#227;o extra-territorial de oponentes pela pol&#237;cia secreta era uma pr&#225;tica comum da Gestapo nazi, da GPU estalinista e da DINA de Pinochet e tornou-se agora pr&#225;tica sancionada das "For&#231;as Especiais" dos EUA e da divis&#227;o clandestina da CIA. Tais pol&#237;ticas s&#227;o a marca de estados totalit&#225;rios, ditatoriais e imperialistas que, sistematicamente, pisam os direitos de soberania dos povos<br />
<br />
A pr&#225;tica de Israel <b>pelos crimes extra-julgamentos, extra-territoriais</b>, exemplificada pelo recente assass&#237;nio de Mahmoud al Mabhouh num quarto de hotel de Mubai, <b>viola todos os preceitos fundamentais da lei. Matan&#231;as extra-judiciais</b> ordenadas por <b>um estado</b>, significam que a sua pr&#243;pria pol&#237;cia secreta &#233; juiz, j&#250;ri, acusador e executor, irreprim&#237;vel pela soberania, lei e do dever das na&#231;&#245;es de proteger os seus cidad&#227;os e visitantes. Provas, procedimentos legais, defesa e interrogat&#243;rios s&#227;o retirados do processo. Assass&#237;nios extra-judiciais protegidos pelo estado destroem completamente o processo devido. A liquida&#231;&#227;o de oponentes no estrangeiro &#233; o pr&#243;ximo passo l&#243;gico depois dos espect&#225;culos dos julgamentos nacionais, baseados na aplica&#231;&#227;o das suas leis racistas e decretos de deten&#231;&#227;o administrativos, que desalojaram o povo palestiniano e violaram as leis internacionais.<br />
<br />
Os esquadr&#245;es da morte da Mossad operam directamente &#224;s ordens do Primeiro Ministro (que aprovou pessoalmente o assass&#237;nio recente). A grande maioria dos israelitas apoia orgulhosamente estes assass&#237;nios, especialmente quando os assassinos escapam deten&#231;&#227;o e captura. A opera&#231;&#227;o livre dos esquadr&#245;es da morte estrangeiros apoiados pelo estado, praticando assass&#237;nios extra-judiciais com impunidade, &#233; uma grave amea&#231;a para qualquer cr&#237;tico, escritor, l&#237;der pol&#237;tico e activista c&#237;vico que se atreva criticar Israel.      <br />
<br />
<b>OS ASSASS&#205;NIOS DA MOSSAD &#8211; FOGO SIONISTA</b><br />
<br />
O precedente de Israel matar os seus advers&#225;rios no estrangeiro, estabelece as fronteiras exteriores da repress&#227;o pelos seus apoiantes no estrangeiro nas organiza&#231;&#245;es sionistas, a maioria das quais  t&#234;m no presente como no passado apoiado a viola&#231;&#227;o da soberania nacional por Israel atrav&#233;s de mortes extra-judiciais. Se Israel elimina fisicamente os seus oponentes e cr&#237;ticos, as 51 mais importantes organiza&#231;&#245;es americanas-judaicas reprimem os cr&#237;ticos de Israel nos EUA. Pressionam activamente patr&#245;es, presidentes de universidades e dirigentes p&#250;blicos para despedir empregados, professores e funcion&#225;rios p&#250;blicos que se atrevem a falar ou a escrever contra a tortura em Israel, assass&#237;nios e a despovoa&#231;&#227;o sistem&#225;tica de palestinianos.<br />
<br />
At&#233; agora, os coment&#225;rios mais cr&#237;ticos, em Israel e noutras partes do mundo, do assass&#237;nio recente da Mossad no Dubai assinala a "incompet&#234;ncia" dos agentes, que inclui terem permitido que os seus rostos fossem apanhados por numerosas c&#226;maras de seguran&#231;a quando, desastradamente, retiraram as suas perucas e fatos sob os olhares da c&#226;maras. Outros cr&#237;ticos queixam-se  de que fazer mal a Israel &#233; "manchar a imagem de Israel" como estado democr&#225;tico e fornecer muni&#231;&#245;es aos <i>anti-semitas</i>. Nenhum destes criticismos superficiais t&#234;m sido repetidos pelo Congresso dos EUA, pela Casa Branca ou pelos Presidentes das principais organiza&#231;&#245;es amercanas-judaicas, onde a regra mafiosa do <i>Omerga</i>, ou sil&#234;ncio, reina, e a cumplicidade criminosa &#233; a lei<br />
<br />
<b>CONCLUS&#195;O</b><br />
<br />
Enquanto os cr&#237;ticos lastimam o desastrado trabalho da Mossad, tornando mais dif&#237;cil &#224;s pot&#234;ncias ocidentais conceder cobertura diplom&#225;tica para as suas opera&#231;&#245;es no estrangeiro, a quest&#227;o fundamental n&#227;o &#233; tratada. A aquisi&#231;&#227;o pela Mossad, e a altera&#231;&#227;o de passaportes oficiais brit&#226;nicos, franceses, alem&#227;es e irlandeses de cidad&#227;os israelitas com dupla nacionalidade, sublinha a natureza c&#237;nica e sinistra da explora&#231;&#227;o por Israel dos seus cidad&#227;os com dupla nacionalidade na procura dos seus pr&#243;prios objectivos sangrentos de pol&#237;tica estrangeira. A utiliza&#231;&#227;o pela Mossad de passaportes genu&#237;nos emitidos por quatro na&#231;&#245;es europeias soberanas em nome dos seus cidad&#227;os, para matar um palestiniano num quarto de hotel em Dubai, levanta a quest&#227;o  de quais cidad&#227;os israelitas, com dupla nacionalidade, realmente obrigam &#224; sua fidelidade, e at&#233; que ponto est&#227;o dispostos a ir em defesa ou na promo&#231;&#227;o dos assass&#237;nios de Israel no estrangeiro.<br />
<br />
Gra&#231;as &#224; utiliza&#231;&#227;o de passaportes brit&#226;nicos por Israel para entrar em Dubai e assassinar um advers&#225;rio, qualquer homem de neg&#243;cios brit&#226;nico ou turista que viage pelo M&#233;dio Oriente ser&#225; suspeito de ter liga&#231;&#245;es aos esquadr&#245;es da morte israelitas. Com elei&#231;&#245;es este ano, e os Partidos Trabalhista e Conservador a contarem fortemente nos sionistas milion&#225;rios para a campanha de fundos, ficamos para ver se o Primeiro Ministro Gordon Brown far&#225; mais do que lamuriar-se e rebaixar-se..<br />
<br />
<b>NOTA DO TRADUTOR:</b><br />
<i>"hobbesiana" de Thomas Hobbes (1588-1679) fil&#243;sofo ingl&#234;s, autor de Leviat&#227;, onde defendia uma sociedade humana dirigida por um poder absoluto e centralizado)<br />
<br />
* James Petras, Professor da Universidade de Nova Iorque, &#233; amigo e colaborador de <a href="http://odiario.info">odiario.info</a>.<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Jo&#227;o Manuel Pinheiro</i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1505&amp;c=1">
	<title>A televis&#227;o de mal a pior</title>
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	<dc:date>2010-03-06T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:od&#105;&#97;&#114;io&#64;o&#100;&#105;ar&#105;&#111;&#46;&#105;&#110;&#102;o)</dc:creator>
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	<description>Foi no passado s&#225;bado. Decorrera uma semana sobre a trag&#233;dia que atingira a Madeira e era esper&#225;vel que o assunto se mantivesse nos telenotici&#225;rios, embora em prov&#225;vel decl&#237;nio. 

Aconteceu, por&#233;m, que um sismo de elevado grau na escala de Richter atingiu o Chile naquele dia e, assim, foi com a ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Foi no passado s&#225;bado. Decorrera uma semana sobre a trag&#233;dia que atingira a Madeira e era esper&#225;vel que o assunto se mantivesse nos telenotici&#225;rios, embora em prov&#225;vel decl&#237;nio. <br />
<br />
Aconteceu, por&#233;m, que um sismo de elevado grau na escala de Richter atingiu o Chile naquele dia e, assim, foi com a not&#237;cia dessa outra desgra&#231;a que abriram todos os servi&#231;os informativos dessa noite nos quatro canais generalistas portugueses. Para mais, ventos violentos haviam soprado no Pa&#237;s provocando alguns estragos e at&#233; a morte de um garoto de dez anos que no adro de uma igreja esperava a hora de entrar para a li&#231;&#227;o de catequese. <br />
<br />
O resultado desse conjunto de calamidades foi que os notici&#225;rios se ocuparam delas quase exclusivamente, sobrando pouqu&#237;ssimo tempo at&#233; para o quotidiano e inesgot&#225;vel libelo acusat&#243;rio que a TV dedica ao engenheiro S&#243;crates. Da abordagem deste assunto ent&#227;o feita, s&#243; recordo agora o coment&#225;rio da dra. Manuela Ferreira Leite acusando o PM de ter uma obsess&#227;o pela sua imagem, e lembro-o, suponho, por ter achado ent&#227;o que, vindo de quem vinha, o reparo era quase dramaticamente compreens&#237;vel. <br />
<br />
O resto foi, totalmente ou quase, o relato das trag&#233;dias havidas ou porventura ainda em curso. Aparentemente, assim se justificava. Por&#233;m, alguma coisa ali me incomodava e n&#227;o me foi dif&#237;cil aperceber-me do que se tratava: &#233; que numa grande parte das not&#237;cias que nos eram dadas era manifesta a inten&#231;&#227;o de sublinhar o seu car&#225;cter dram&#225;tico, agressivo das sensibilidades dos telespectadores, mesmo quando teor da informa&#231;&#227;o n&#227;o justificava o tom adoptado. Um caso exemplar desse estilo ocorreu quando uma jovem jornalista, mimando os gestos de uma meteorologista apontando um mapa de parte do Oceano Pac&#237;fico, anunciou no tom exaltado de um relator desportivo perante uma incurs&#227;o perigosa em jogo de futebol que um tsunami &#171;avan&#231;ava a toda a velocidade para o Havai&#187;. N&#227;o sei, &#233; claro, qual &#233; &#171;toda a velocidade&#187; de um tsunami, mas julgo saber da inten&#231;&#227;o da jornalista quanto a p&#244;r os telespectadores em ansiosa tens&#227;o. E que aquela pequena contribui&#231;&#227;o se integrava perfeitamente num tom global que visava explorar tanto quanto poss&#237;vel o conjunto de desgra&#231;as que inundara os telenotici&#225;rios e que oferecera &#224; TV portuguesa o sentimento de, nesse dia, ter sido uma sortuda.<br />
<br />
&#201; leg&#237;timo, naturalmente, que uma esta&#231;&#227;o de TV queira atrair e prender a aten&#231;&#227;o dos telespectadores. Parece, por&#233;m, que essa legitimidade n&#227;o pode estender-se at&#233; ao direito de manipular sentimentos, de transformar sofrimentos terr&#237;veis em material de um com&#233;rcio macabro onde a desgra&#231;a alheia &#233; posta &#224; venda de modo a atrair o m&#225;ximo de clientes. Para mais, n&#227;o &#233; novidade que nem todas as desgra&#231;as havidas no mundo merecem na TV que nos &#233; fornecida o mesmo grau de aten&#231;&#227;o: h&#225; uma escolha, e n&#227;o &#233; atenuante decisiva que uma boa parte dessa escolha nem sequer seja feita pelas operadoras portuguesas de televis&#227;o mas sim pelas ag&#234;ncias que lhes fornecem material informativo. <br />
<br />
N&#227;o &#233; preciso imagina&#231;&#227;o para que nos lembremos das muitas desgra&#231;as que, dia ap&#243;s dia, no passado fim-de-semana ou em qualquer outro, seguramente acontecem em diversos lugares do mundo onde h&#225; jornalistas, correspondentes, enviados especiais. Dispenso-me de citar lugares geogr&#225;ficos, os leitores n&#227;o precisam disso. E h&#225; ainda as informa&#231;&#245;es viciadas por distor&#231;&#227;o ou amputa&#231;&#227;o, como ali&#225;s bem se sabe. <br />
<br />
Permito-me dar um exemplo muito recente: foi-nos dito h&#225; dias que existem em Cuba uns duzentos presos ditos pol&#237;ticos, mas a TV nunca nos disse quantos presos pol&#237;ticos h&#225; hoje nas Honduras, oito meses depois do golpe de estado platonicamente condenado por quase todo o mundo. Dir-se-&#225; que essa &#233; uma &#225;rea muito diferente da das cat&#225;strofes naturais, e &#233; verdade. <br />
<br />
Por&#233;m, a quest&#227;o &#233; que o h&#225;bito e a pr&#225;tica da manipula&#231;&#227;o na TV, e &#233; claro que n&#227;o apenas na TV, n&#227;o se compadece com uma eventual limita&#231;&#227;o de &#225;reas e algum respeito por fronteiras tem&#225;ticas: quem manipula, falsifica e suprime, pode come&#231;ar pelo tradicional &#171;soco no est&#244;mago&#187; do telespectador perante um desastre natural, mas &#233; duvidoso que tenha maiores escr&#250;pulos quando se trate do que talvez possa designar-se por desastres artificiais, fabricados com premedita&#231;&#227;o, sem princ&#237;pios mas com fins. De onde, inevitavelmente, uma quebra da confian&#231;a que a TV teria a obriga&#231;&#227;o de merecer, o afundamento do cr&#233;dito cuja manuten&#231;&#227;o &#233; o pr&#243;prio t&#237;tulo de honra da fun&#231;&#227;o informativa. <br />
<br />
Olha-se o televisor, v&#234;-se e ouve-se o que ele nos traz, e pensa-se inevitavelmente no que ele n&#227;o nos traz. E n&#227;o &#233; como se a televis&#227;o n&#227;o existisse: &#233;, desgra&#231;adamente, um pouco pior que isso.<br />
<br />
<br />
<br />
* Correia da Fonseca &#233; amigo e colaborador de <a href="http://odiario.info">odiario.info</a><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1504&amp;c=1">
	<title>Cuba e os Direitos Humanos</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1504&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-03-05T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;&#105;&#97;r&#105;&#111;&#64;o&#100;i&#97;&#114;&#105;&#111;.in&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Ao contr&#225;rio de outras democracias americanas em que s&#227;o comuns e constantes os motins, as mortes em massa em lutas Internas, os suic&#237;dios de presos, as mortes de detidos por falta de cuidados m&#233;dicos, por desnutri&#231;&#227;o, por tortura, em Cuba h&#225; que recuar mais de 50 anos para encontrar um ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Ao contr&#225;rio de outras democracias americanas em que s&#227;o comuns e constantes os motins, as mortes em massa em lutas Internas, os suic&#237;dios de presos, as mortes de detidos por falta de cuidados m&#233;dicos, por desnutri&#231;&#227;o, por tortura, em Cuba h&#225; que recuar mais de 50 anos para encontrar um antecedente como o de Orlando Herrera.<br />
<br />
E o subdesenvolvimento que Cuba apresenta em mat&#233;ria penitenci&#225;ria, igualmente demonstra o seu infeliz atraso no que respeita a Direitos Humanos.<br />
<br />
&#201; inconceb&#237;vel que depois de 50 anos de revolu&#231;&#227;o o governo desse pa&#237;s n&#227;o tenha podido ver e tomar como exemplo as democracias que o rodeiam e outras da Europa que o censuram para que adopte as pol&#237;ticas humanit&#225;rias que lhe prop&#245;em.<br />
<br />
N&#227;o obstante a f&#233;rrea repress&#227;o, em meio s&#233;culo de revolu&#231;&#227;o, Cuba n&#227;o foi capaz de protagonizar uma s&#243; matan&#231;a popular que a destaque. Ainda n&#227;o conseguiu emular matan&#231;as como a de Tathelolco, no M&#233;xico, onde o ex&#233;rcito mexicano despachou um milhar um milhar de estudantes, ou a de Chiapas, onde umas dezenas de ignorantes ind&#237;genas foram submetidas a m&#243;rbida obedi&#234;ncia. Tampouco soube levar a efeito matan&#231;as civis como as protagonizadas por pol&#237;cias brasileiros na favela carioca do Vig&#225;rio Geral onde foram exterminados 21 povoadores em 1993 e a 400 garimpeiros na selva amaz&#243;nica em 1987. Nem sequer conseguiu fazer uma matan&#231;a discreta de estudantes como a executada por soldados estadunidenses no Canal do Panam&#225; na repress&#227;o de insensatas reclama&#231;&#245;es de soberania para a zona, que foi apenas um ensaio para o eficaz bombardeamento do bairro Los Chorritos em que morreram 3 mil panamianos quando, anos mais tarde, invadiram aquele pa&#237;s, ou protagonizar matan&#231;as populares como as de Abril de 1984 na Rep&#250;blica Dominicana, com centenas de mortes pela cidadania &#224;s m&#227;os do benem&#233;rito ex&#233;rcito local em apenas alguns dias de trabalho, ou os v&#225;rios &#171;caracazos&#187; e &#171;bogotazos&#187; que a hist&#243;ria americana regista.<br />
<br />
Cinquenta anos de revolu&#231;&#227;o e Cuba ainda n&#227;o conseguiu reeditar um &#171;Cerro Maravilhas&#187; portoriquenho, ou p&#244;r em funcionamento modelares campos de concentra&#231;&#227;o como o que t&#234;m os estadunidenses em Guant&#226;namo, ou em outras dos seus c&#225;rceres clandestinos espalhados pelo mundo.<br />
<br />
Cuba continua sem saber implementar como costumam na democr&#225;tica Col&#244;mbia o seu ex&#233;rcito e os seus paramilitares, o que vem a ser o mesmo, fossas comuns para enterrar milhares de camponeses, e sepultar com cal viva ou fazer desaparecer dissidentes, ao bom estilo da democracia espanhola [1].<br />
<br />
Tamb&#233;m Cuba n&#227;o disp&#245;e da efic&#225;cia interrogadora dos estadunidenses bem evidenciada no Iraque ou no Afeganist&#227;o, al&#233;m de da carecer dos modernos m&#233;todos de interrogat&#243;rio como os conhecidos por &#171;a bolsa&#187;, o aguilh&#227;o, as sovas &#224; vontade, as viola&#231;&#245;es, e outras pr&#225;ticas policiais que, em qualquer caso, os ju&#237;zes trataram de negar e os meios de comunica&#231;&#227;o ignoraram, dado que a den&#250;ncia da tortura, como &#233; sabido, s&#243; corresponde a uma estrat&#233;gia dissidente.<br />
<br />
Para corrigir t&#227;o hist&#243;rico atraso e sempre com o pensamento em democratizar a sua sociedade, Cuba deve proceder imediatamente: &#224; neutraliza&#231;&#227;o, como na Guatemala, de quatro freiras e um bispo por cada per&#237;odo de tempo determinado ou incendiar uma ou outra embaixada que d&#234; asilo a dissidentes; copiando os exemplos salvadorenhos, de vez em quando deve repreender em plena eucaristia um cardeal [1] e para a&#237; uns cinco jesu&#237;tas; a reformar milhares de sindicalistas como na Col&#244;mbia, que converteu essa actividade na principal causa de morte entre os trabalhadores; a retirar da circula&#231;&#227;o os opositores mais recalcitrantes, com a discri&#231;&#227;o e a impunidade com que o faz, por exemplo, o actual governo hondurenho; a disparar contra jornalistas com a precis&#227;o e o alcance dos marines norte-americanos em todas as partes do mundo, ou a reprimir nas ruas com a devida contund&#234;ncia qualquer manifesta&#231;&#227;o popular, tal como vemos e apreciamos nas irrepreens&#237;veis democracias americanas e europeias.<br />
<br />
Cuba tamb&#233;m deve neutralizar estudantes p&#233;rfidos e professores c&#250;mplices como na democracia peruana e eliminar perigosos comunicadores como o fez a democracia argentina com as pessoas de Bonino e Cabezas, o gioverno peruano nos Andes de esse pa&#237;s, o Estado mexicano e o colombiano a todo o p&#233; de passada, o como ocorreu na Rep&#250;blica Dominicana com Orlando Martinez, Goyito e Narcisazo.<br />
<br />
Cuba deve aprender a rebentar os opositores ao regime, como fez a democr&#225;tica pol&#237;cia de Pinochet e a pr&#243;pria CIA nos ilustrou com o assass&#237;nio de Letelier [3] e da sua secret&#225;ria a um par de quarteir&#245;es da Casa Branca. Cuba deve aprender a fazer desaparecer n&#227;o s&#243; as queixas dos inconformados dissidentes mas tamb&#233;m os pr&#243;prios dissidentes, tendo em considera&#231;&#227;o as s&#225;bias experi&#234;ncias das democracias militares da Argentina, do Chile e do Uruguai e as suas opera&#231;&#245;es Condor, que no mar nunca v&#227;o descobrir-se inconvenientes fossas comuns; a seguir deve proceder a fortes matan&#231;as de negros, como na democracia estadunidense nos anos sessenta ou, mais recentemente, em Los Angeles depois das desordens ocorridas a seguir ao democr&#225;tico espancamento de um suposto cidad&#227;o negro.<br />
<br />
E para melhor iniciar estas reformas, Cuba deve mandar pelos ares um ou outro avi&#227;o de passageiros, tal e como fizeram milicianos anticastristas e agentes da CIA, como Posada Carriles e Orlando Bosch [4].<br />
<br />
Cuba ainda nem sequer foi capaz, apesar do tempo decorrido, de aprender a cometer erros como o que recentemente a CIA reconheceu ao mandar derrubar um avi&#227;o carregado de mission&#225;rios estadunidenses a quem confundiram com narcotraficantes, ou como os tantos e t&#227;o sangrentos erros que nas suas guerras humanit&#225;rias desencadeiam as for&#231;as da paz da NATO e os Estados Unidos nos pa&#237;ses que ocupam. <br />
 <br />
E estes n&#227;o s&#227;o as &#250;nicas mudan&#231;as que Cuba deve enfrentar.<br />
<br />
Em mat&#233;ria de educa&#231;&#227;o deve proceder imediatamente a uma massiva campanha de animaliza&#231;&#227;o que devolva o povo cubano &#224; feliz ignor&#226;ncia em que vivia antes da revolu&#231;&#227;o; deve erradicar das escolas costumes t&#227;o obscenos e perniciosos como a do fornecimento do pequeno-almo&#231;o escolar, substituindo o leite e o p&#227;o por cimento e gasolina; deve estimular nos seus estudantes condutas c&#237;vicas e democr&#225;ticas como as que se d&#227;o nos Estados Unidos para que os alunos da pr&#233;-prim&#225;ria e prim&#225;ria protagonizem matan&#231;as escolares dignas de enc&#243;mio. Tal atraso poderia contrariar-se submetendo os estudantes cubanos a permanentes sess&#245;es de cinema e televis&#227;o genuinamente &#171;americanas&#187; que substituam os caducos e tresloucados princ&#237;pios da educa&#231;&#227;o cubana pelos competitivos e crist&#227;os valores estadunidenses.<br />
<br />
Cuba tamb&#233;m deve estabelecer um encerramento massivo de escolas e institutos para que a sua inf&#226;ncia possa deambular nua e descal&#231;a pelas ruas do pa&#237;s, apanhando garrafas e dedicando-se a outras actividades s&#227;s e mercantis que a ajudem a compreender as caracter&#237;sticas da sociedade a que Cuba tem necessidade de assemelhar-se.<br />
<br />
Ocasionalmente, como ocorre noutras democracias latino-americanas a que Cuba deve abrir-se, tal e como pediu sua santidade Jo&#227;o Paulo II, procedendo a uma ordenada e meticulosa neutraliza&#231;&#227;o dos excedentes infantis nas ruas do pa&#237;s, para o que pol&#237;cia cubana deveria procurar ser assessorada por peritos comandantes das pol&#237;cias da Col&#244;mbia, Guatemala e Brasil.<br />
<br />
Em rela&#231;&#227;o &#224; sa&#250;de, Cuba deve suprimir o seu ineficaz sistema de hospitais p&#250;blicos e laborat&#243;rios, criando modernos consult&#243;rios de curandeiros. Nos centros m&#233;dicos que n&#227;o possam ser reconvertidos dever&#225; ser imposto o pagamento obrigat&#243;rio, como garantia pr&#233;via ao internamento do doente, incluindo aqui as urg&#234;ncias. Os que n&#227;o estejam em condi&#231;&#245;es de suportar os custos poder&#227;o sempre ser democraticamente mandados para a rua. Nas maternidades, como acontece em democracias vizinhas de Cuba, cada cama deve ser ocupada por duas ou tr&#234;s parturientes para que possam partilhar t&#227;o bela experi&#234;ncia, ajudar-se na contagem das dilata&#231;&#245;es e juntas fazerem for&#231;a. A injusta distribui&#231;&#227;o dos rebentos ser&#225; substitu&#237;da pela permuta de beb&#233;s e os sequestros de rec&#233;m-nascidos, &#224; semelhan&#231;a do que acontece nos pa&#237;ses vizinhos. Imediatamente, Cuba deve igualmente proceder ao encerramento do Hospital Pedi&#225;trico de Tarar&#225;, a 20 quil&#243;metros de Havana, onde o Estado cubano tem vindo a tratar gr&#225;tis, at&#233; hoje, 25.000 meninos e meninas de Chernobyl e outros pa&#237;ses do terceiro mundo, para, ent&#227;o, pode dedicar esse despaut&#233;rio aos investimentos em Bolsa. Pela mesma raz&#227;o deve ser encerrada a Universidade Internacional de Medicina, onde milhares de estudantes latino-americanos sem recursos estudam para essa carreira e dedicar esses bens e terrenos &#225; constru&#231;&#227;o de campos de golfe.<br />
<br />
No que respeita ao desporto, Cuba deve proibir, definitivamente, costumes t&#227;o insensatos como correr, saltar e outras impudicas semelhantes, bem como fechar est&#225;dios e campos de desporto para inaugurar em seu lugar casinos, hip&#243;dromos e galleras [5], bancas de apostas e lotarias, rifas diplom&#225;ticas e outras l&#250;dicas recrea&#231;&#245;es. <br />
<br />
No campo cultural Cuba deve fechar todas as absurdas escolas de cinema, de teatro, de dan&#231;a e de outras denegridas actividades para a condi&#231;&#227;o humana, fomentando em seu lugar &#171;m&#250;sica pimba&#187; t&#227;o do agrado dos turistas como &#171;el perrito&#187;, &#171;el pollito&#187; e &#171;el maco-penp&#233;n&#187;. Tamb&#233;m dever&#227;o promover espect&#225;culos como os &#171;t-shirt molhada&#187; e toda a esp&#233;cie de nus, naturalmente art&#237;sticos.  <br />
<br />
Na habita&#231;&#227;o Cuba deve esmerar-se na constru&#231;&#227;o de modernos condom&#237;nios ao estilo das democracias pr&#243;ximas e que em sua honra se chamar&#227;o o P&#226;ntano, o Buraco de Chul&#237;n, Vietname, Camboja, os Cart&#245;es e a Cucaracha, todos dotados das correspondentes &#225;guas negras e arom&#225;ticas pestil&#234;ncias <br />
<br />
Quanto ao trabalho Cuba deve diversificar as suas pol&#237;ticas de emprego para melhor encarar a presente crise com novos of&#237;cios e profiss&#245;es como: limpa-vidros, mergulhadores, do que houver [chiripero], vendedores de lotaria, vendedores de cachorros quentes e outros of&#237;cios id&#234;nticos.<br />
<br />
Do mesmo modo, os anacr&#243;nicos monumentos a Che, a M&#225;ximo Gomes, ou a Marti devem ser substitu&#237;dos por monumentais far&#243;is em homenagem ao nobre cors&#225;rio Drake, e est&#225;tuas de empres&#225;rios como Al Capone ou de santidades como Escriv&#225; de Balaguer.<br />
<br />
&#201; uma l&#225;stima que Cuba, n&#227;o obstante o clamor dos meios de comunica&#231;&#227;o do mundo livre para que se converta numa outra democracia como as descritas, se empenhe em continuar a ser diferente. <br />
<br />
<br />
<br />
<i>Notas do Tradutor:<br />
[1] O autor refere-se aos GAL, um aut&#234;ntico esquadr&#227;o da morte, criado em Espanha no tempo do governo do Partido Socialista Oper&#225;rio Espanhol (PSOE) liderado por Filipe Gonzalez.<br />
[2] Cardeal Romero que foi assassinado em plena missa, h&#225; cerca de 30 anos, sem que o Vaticano tenha feito os protestos adequados &#224; gravidade do acto.<br />
[3] Orlando Letelier foi ministro dos Neg&#243;cios Estrangeiros do governo de Salvador Allende<br />
[4] Dois terroristas confessos respons&#225;veis por muitas mortes, vivem livremente nos EUA com acesso a verbas governamentais, que lhes garantiu e aumenta as grandes fortunas que possuem. V&#225;rios pa&#237;ses da Am&#233;rica Latina pedem a sua extradi&#231;&#227;o para serem julgados por crimes de morte praticados nesses pa&#237;ses, mas os EUA protegem-nos e n&#227;o os extraditam.<br />
[5] Locais apropriados para luta de galos<br />
<br />
* Escritor e jornalista basco<br />
<br />
Publicado por Odio de Clase: <a href="http://odiodeclase.blogspot.com/2010/03/las-carencias-de-cuba-en-derechos.html">http://odiodeclase.blogspot.com/2010/03/las-carencias-de-cuba-en-derechos.html</a><br />
<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Jos&#233; Paulo Gasc&#227;o<br />
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	<title>A lua de fel EUA - China</title>
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	<dc:date>2010-03-04T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;d&#105;ari&#111;&#64;&#111;diar&#105;o.&#105;&#110;&#102;o)</dc:creator>
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	<content:encoded><![CDATA[Grande salto atr&#225;s ou tempestade num copo de &#225;gua? As rela&#231;&#245;es entre os EUA e a China passaram em poucas semanas do que parecia ser uma lua-de-mel a uma lua-de-fel. A visita de Obama em Novembro &#224; China culminava a aproxima&#231;&#227;o iniciada em Fevereiro de 2009, pouco depois da sua posse, quando a secret&#225;ria de Estado, Hillary Clinton, antecipava em Pequim o desejo de elevar as rela&#231;&#245;es bilaterais a uma nova fase. A abertura do di&#225;logo econ&#243;mico e estrat&#233;gico, o reatamento dos contactos militares, a modera&#231;&#227;o expressa por Washington durante os graves incidentes de Xiajiang em Julho passado, a valoriza&#231;&#227;o do yuan e a pouca aten&#231;&#227;o em mat&#233;ria dos direitos humanos, pareciam indicar a exist&#234;ncia de um novo ponto de encontro, e tamb&#233;m de partida, para a articula&#231;&#227;o das suas rela&#231;&#245;es baseado numa agenda diferente onde perdiam peso alguns dos assuntos de maior atrito ou o acentuar de um tom mais dialogante para outras controv&#233;rsias.<br />
<br />
A crise econ&#243;mica tinha elevado a China, antes do previsto, ao grupo de pa&#237;ses centrais da ordem internacional. Obama reconhecia-o, deixando no ar alguma sensa&#231;&#227;o de ter claudicado. Ao mesmo tempo, o Jap&#227;o de Hatoyama dava asas a uma Comunidade do Este Asi&#225;tico, descartando na proposta a presen&#231;a dos EUA. E no sudeste asi&#225;tico, a cria&#231;&#227;o da zona de com&#233;rcio livre entre a China e os pa&#237;ses da ANSEA amea&#231;ava dificultar a recupera&#231;&#227;o da tradicional influ&#234;ncia dos EUA, tamb&#233;m em queda nos &#250;ltimos anos. Hillary Clinton definiu ent&#227;o como a maior prioridade estrat&#233;gica do seu departamento o regresso &#224; &#193;sia-Pac&#237;fico, onde se decide hoje em dia a supremacia mundial.<br />
<br />
Tudo pareceu mudar em Copenhaga, ao tornar-se evidente, com uma clareza humilhante, o novo papel da China perante os EUA e a sua indisponibilidade de se enfeudar com os pa&#237;ses mais desenvolvidos do Ocidente ajoelhando perante as suas exig&#234;ncias. Essa perda de lideran&#231;a evidenciou-se novamente quando os servi&#231;os de emerg&#234;ncia da China chegavam ao Haiti duas horas antes dos enviados por Washington, apesar da sua clamorosa proximidade de Port au Prince. Por outro lado, a n&#237;vel interno, as expectativas de Obama face &#225; derrota de Massachussets e o desafio da elei&#231;&#227;o a meio do mandato provavelmente tamb&#233;m influ&#237;ram na mudan&#231;a de rumo marcada pela recupera&#231;&#227;o da agenda e pela atitude tradicional nas rela&#231;&#245;es bilaterais.<br />
<br />
O mont&#227;o de focos de atrito inclui a pol&#233;mica sobre o problema da Google, a venda de armas a Taiwan, as cr&#237;ticas pela manipula&#231;&#227;o do yuan, a recep&#231;&#227;o ao Dalai Lama, a adop&#231;&#227;o de medidas proteccionistas em diversos sectores, etc., provocando tens&#245;es de ordem comercial, pol&#237;tica e estrat&#233;gica e um retrocesso na sua compreens&#227;o aos tempos de Bush. A China n&#227;o se encolheu e, pelo contr&#225;rio, respondeu ao desafio colocado pela Casa Branca com fortes cr&#237;ticas, desmentidos, suspens&#227;o do di&#225;logo em mat&#233;ria de defesa, amea&#231;a de san&#231;&#245;es &#224;s empresas implicadas nas vendas a Taiwan, entre outras repres&#225;lias. &#192; medida que se consolida o seu poder, cresce tamb&#233;m a sua firmeza na hora de defender os seus pontos de vista.<br />
<br />
No jogo do gato e do rato entre os EUA e a China existem factores conjunturais relacionados com a crise financeira e os coincidentes interesses econ&#243;micos e comerciais de ambas as partes. Mas est&#225; bem presente um bra&#231;o-de-ferro de car&#225;cter estrat&#233;gico, surgido do desacordo manifestado em Novembro, quando as autoridades orientais fizeram orelhas moucas &#224; forma&#231;&#227;o de uma alian&#231;a ou G-2 capaz de dar respostas aos grandes desafios comuns e globais de aproxima&#231;&#227;o das suas respectivas identidades e modos de ver. A China n&#227;o deu garantias aos EUA de a subida da sua influ&#234;ncia mundial n&#227;o prejudicar a influ&#234;ncia da hoje &#250;nica super-pot&#234;ncia, o que faz prever o prolongamento no tempo das tens&#245;es bilaterais.<br />
<br />
Isto n&#227;o quer dizer que nos encontremos no pr&#243;logo de uma nova Guerra Fria. A interdepend&#234;ncia entre ambos os pa&#237;ses &#233; demasiado grande e exige de ambos o encontrar formas de entendimento em numerosos assuntos, embora nos grandes temas seja mais prov&#225;vel a afirma&#231;&#227;o das diferen&#231;as, enquanto a China n&#227;o aceitar entrar nas regras do jogo estadunidense e insista em pautar a sua ac&#231;&#227;o pela rejei&#231;&#227;o das exig&#234;ncias ocidentais sobre os seus valores e sistema.<br />
<br />
A China suportar&#225; o que for preciso para se afirmar como um poder aut&#243;nomo, o que n&#227;o agrada de Washington. Para debilitar Pequim, sabendo que os seus interesses centrais radicam na integridade territorial, na estabilidade e no regime pol&#237;tico, os EUA n&#227;o hesitar&#227;o em fazer o que puderem para desgastar o seu poder. Mas n&#227;o &#233; prov&#225;vel que a China claudique, mas ao contr&#225;rio opte por blindar o regime, lan&#231;ando m&#227;o do sonho nacionalista que lhe abre as portas para o fim da decad&#234;ncia, em boa medida provocada pela agress&#227;o ocidental de h&#225; s&#233;culo e meio. Quanto maior for a press&#227;o mais alta ter&#225; de ser a muralha, podendo com ela dissimular as suas maiores vulnerabilidades internas, sejam elas de origem s&#243;cio-pol&#237;tica ou econ&#243;mica.<br />
<br />
A luta de interesses entre ambos os pa&#237;ses ir&#225; em crescendo ao longo de 2010, que promete ser outro ano especialmente dif&#237;cil para a China.<br />
<br />
<i><br />
* Xulio R&#237;os &#233; director do Observat&#243;rio da Pol&#237;tica Chinesa<br />
<br />
Este texto foi publicado em <a href="http://www.politica-china.org">www.politica-china.org</a><br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Jos&#233; Paulo Gasc&#227;o<br />
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<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1502&amp;c=1">
	<title>Diplomacia de a&#231;o</title>
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	<dc:date>2010-03-03T13:48:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:odiar&#105;&#111;&#64;o&#100;ia&#114;io.inf&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>A visita da secret&#225;ria de Estado dos EUA Hillary Clinton ao presidente Lula prevista para esta quarta-feira (3) n&#227;o &#233; mera cortesia. &#201; mais uma tentativa de evitar que o Brasil assine acordo de coopera&#231;&#227;o nuclear com o Ir&#227;, de fazer com que nosso governo pressione o presidente da Venezuela ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[A visita da secret&#225;ria de Estado dos EUA Hillary Clinton ao presidente Lula prevista para esta quarta-feira (3) n&#227;o &#233; mera cortesia. &#201; mais uma tentativa de evitar que o Brasil assine acordo de coopera&#231;&#227;o nuclear com o Ir&#227;, de fazer com que nosso governo pressione o presidente da Venezuela Hugo Ch&#225;vez, ferrenho advers&#225;rio dos Estados Unidos e, de quebra, fazer propaganda dos F-18, os ca&#231;as estadunidenses que concorrem com os franceses e os suecos pela prefer&#234;ncia nacional. <br />
<br />
A visita da secret&#225;ria, n&#227;o por acaso, &#233; precedida pela presen&#231;a do porta-avi&#245;es US$ Carl Vinson, ancorado no Rio de Janeiro. O navio carrega armas nucleares, tem mais de 50 avi&#245;es de guerra, &#233; acompanhado por dois destr&#243;ieres, dois cruzadores e dois submarinos, com uma tripula&#231;&#227;o de mais de cinco mil homens. N&#227;o por acaso, o ponto alto da recep&#231;&#227;o promovida pelo comandante do navio a personalidades brasileiras no &#250;ltimo s&#225;bado (27), foi a visita aos ca&#231;as F-18. <br />
<br />
Tamb&#233;m n&#227;o coincidentemente, o diretor-geral da Ag&#234;ncia Internacional de Energia At&#244;mica (AIEA), da ONU, Yukiya Amano, declarou na segunda-feira (dia 1) que &#8220;o Ir&#227; n&#227;o coopera suficientemente com a AIEA na investiga&#231;&#227;o sobre as pol&#234;micas atividades de seu programa nuclear&#8221;. <br />
<br />
Em resposta aos sucessivos ataques desferidos pelos EUA, o presidente do Ir&#227; Mahmoud Ahmadinejad fez um apelo &#224; paz mundial atrav&#233;s da destrui&#231;&#227;o de todas as armas nucleares em n&#237;vel internacional. Al&#233;m disso, aceitou a proposta original da AIEA de enriquecer ur&#226;nio a 20% na R&#250;ssia. Essa sugest&#227;o, que anteriormente agradava aos EUA, Alemanha, Inglaterra e Fran&#231;a, repentinamente passou a n&#227;o interessar mais. <br />
<br />
A press&#227;o dos Estados Unidos contra o Ir&#225; &#233; crescente. Em meados de fevereiro, o Departamento do Tesouro ordenou o congelamento em seu pa&#237;s de todos os haveres financeiros de uma s&#233;rie de empresas iranianas, sob a alega&#231;&#227;o de um suposto envolvimento dessas empresas com a Guarda da Revolu&#231;&#227;o. O subsecret&#225;rio do Tesouro chegou a dizer que &#233; fundamental &#8220;congelar os bens dos que fazem proliferar armas de destrui&#231;&#227;o maci&#231;a&#8221;. <br />
<br />
O que vemos &#233; uma repeti&#231;&#227;o da propaganda e das san&#231;&#245;es que precederam a invas&#227;o do Iraque, com as conseq&#252;&#234;ncias que s&#227;o de conhecimento de todos: assassinatos em massa, a ocupa&#231;&#227;o territorial e a partilha das reservas petrol&#237;feras pelas transnacionais, a verdadeira raz&#227;o do genoc&#237;dio, pois chamar aquilo de guerra &#233; um atentado &#224; intelig&#234;ncia de qualquer ser humano. <br />
<br />
H&#225; de se perguntar quem elegeu os EUA como o fiscal mundial da produ&#231;&#227;o de armas nucleares? Que direito Clinton, Bush e Obama cr&#234;em ter para querer fiscalizar e controlar o que cada pa&#237;s faz. Se os Estados Unidos &#233; contra a prolifera&#231;&#227;o de armas nucleares, que comece a dar o exemplo e a destruir as suas. <br />
<br />
A press&#227;o estadunidense sobre a Cor&#233;ia do Norte s&#243; n&#227;o foi mais adiante por causa da China. Seria impens&#225;vel uma invas&#227;o no oriente, pois atentaria diretamente contra os interesses chineses. Da mesma maneira, n&#227;o &#233; t&#227;o tranq&#252;ila assim uma invas&#227;o ao Ir&#227;, tanto pelo seu porte econ&#244;mico, quanto pelo grande apoio popular que a revolu&#231;&#227;o iraniana que derrubou o x&#225; Reza Pahlevi conta j&#225; em 31&#186; ano, bem como pela posi&#231;&#227;o da R&#250;ssia, que n&#227;o a veria com bons olhos e a vetaria no Conselho de Seguran&#231;a da ONU. <br />
<br />
Barack Obama apesar de todo seu discurso de mudan&#231;as na campanha eleitoral, continua a beneficiar a ind&#250;stria armamentista estadunidense e a dar continuidade &#224; pol&#237;tica intervencionista e belicista da gest&#227;o anterior: apoiou o massacre da Faixa de Gaza promovido por Israel; mant&#233;m a ocupa&#231;&#227;o no Iraque para garantir os interesses das multinacionais do petr&#243;leo; desencadeou uma nova ofensiva no Afeganist&#227;o; pressiona a Cor&#233;ia do Norte; mant&#233;m o bloqueio a Cuba; interveio &#8220;sutilmente&#8221; em Honduras; constantemente amea&#231;a o Iraque e o Paquist&#227;o; sustenta a reativa&#231;&#227;o da IV Frota na costa da Am&#233;rica do Sul; firmou acordo para a instala&#231;&#227;o de sete bases militares na Col&#244;mbia; sem esquecer, ainda, das bases no Paraguai, regi&#227;o do Aq&#252;&#237;fero Guarani, a maior reserva de &#225;gua pot&#225;vel do mundo. E, para este ano, encaminhou e conseguiu a aprova&#231;&#227;o do maior or&#231;amento militar da hist&#243;ria dos EUA. Foi assim que ele ganhou o pr&#234;mio Nobel da Paz.Em verdade, o giro da secret&#225;ria Hillary Clinton pela Am&#233;rica do Sul denota a preocupa&#231;&#227;o da gest&#227;o Obama e das transnacionais com a autonomia do Ir&#227; e de outros pa&#237;ses do terceiro mundo, particularmente os do nosso continente. <br />
<br />
<br />
<i>* Jornalista brasileiro</i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1501&amp;c=1">
	<title>Nota dos EditoresVeto &#224; reelei&#231;&#227;o de UribeFoi derrota da direita Col&#244;mbiana</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1501&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-03-03T07:01:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:odiar&#105;o&#64;&#111;diar&#105;&#111;&#46;&#105;&#110;f&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Colaboradores</dc:subject>
	<description>A rejei&#231;&#227;o pelo tribunal Constitucional da Col&#244;mbia do referendo cujo objectivo era a segunda reelei&#231;&#227;o do presidente &#193;lvaro Uribe configura uma grande derrota da extrema-direita daquele pa&#237;s.

Uribe, comprando parlamentares, conseguira que o Congresso aprovasse uma emenda que viabilizava o referendo. Nas v&#233;speras da reuni&#227;o do Tribunal Constitucional nomeou para uma ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[A rejei&#231;&#227;o pelo tribunal Constitucional da Col&#244;mbia do referendo cujo objectivo era a segunda reelei&#231;&#227;o do presidente &#193;lvaro Uribe configura uma grande derrota da extrema-direita daquele pa&#237;s.<br />
<br />
Uribe, comprando parlamentares, conseguira que o Congresso aprovasse uma emenda que viabilizava o referendo. Nas v&#233;speras da reuni&#227;o do Tribunal Constitucional nomeou para uma embaixada europeia o pai de um dos ju&#237;zes e subornou outro. Mas o objectivo n&#227;o foi atingido. Por nove votos contra dois o referendo foi declarado inconstitucional.<br />
<br />
Seria um erro concluir que a Justi&#231;a colombiana, tradicionalmente corrupta, recuperou de repente a dignidade. Uribe perdeu a batalha porque a oligarquia colombiana lhe retirou o apoio. O grande capital que o elegeu e aprovara a sua reelei&#231;&#227;o para um segundo mandato simulou sempre ignorar o seu passado de narcotraficante, a alian&#231;a com os paramilitares e os crimes que cometeu no &#226;mbito da sua politica de &#171;seguran&#231;a nacional&#187;, eufemismo que oculta uma estrat&#233;gia de terrorismo de estado respons&#225;vel pelo assass&#237;nio de muitos milhares de colombianos.<br />
<br />
Mas o desgaste da imagem do grande aliado dos EUA no Continente, a crise econ&#243;mica resultante do seu desgoverno, a contesta&#231;&#227;o crescente do movimento popular e sobretudo o isolamento internacional da Col&#244;mbia agravado pela instala&#231;&#227;o de sete bases norte-americanas no pa&#237;s -  o peso acumulado dessa heran&#231;a de dois mandatos acabou por tornar &#193;lvaro Uribe Velez incomodo para a oligarquia.<br />
<br />
No dia 30 de Maio o povo ser&#225; chamado a eleger o futuro presidente. Juan Manuel Santos, o delfim de Uribe e seu homem de confian&#231;a, j&#225; anunciou que ser&#225;  candidato e, se eleito, dar&#225; continuidade &#224; escalada contra as FARC e ao fortalecimento das rela&#231;&#245;es com Washington. Mas haver&#225;  sete candidatos e existe a convic&#231;&#227;o de que ser&#225; necess&#225;ria uma segunda volta a 20 de Junho.<br />
<br />
Santos, rosto da extrema direita uribista &#8211; a sua fam&#237;lia &#233; propriet&#225;ria h&#225;  mais de um s&#233;culo do grande di&#225;rio El Tiempo - foi o organizador do bombardeamento de Sucumbios no Equador, em 2008, agress&#227;o pirata - promovida com a colabora&#231;&#227;o dos EUA e da Mossad israelense - em que foram mortos o comandante Raul Reyes das FARC , duas dezenas de camaradas seus e alguns jovens mexicanos de visita aquele acampamento. Esse crime levou ent&#227;o o governo do Equador a romper rela&#231;&#245;es diplom&#225;ticas com a Col&#244;mbia e a processar Juan Manuel Santos<br />
<br />
Segundo &#8220;El Tiempo&#8221;, de Bogot&#225;, o ex-ministro da Defesa j&#225; anunciou que, se vencer as elei&#231;&#245;es, nomear&#225; Uribe senador vital&#237;cio e possivelmente embaixador nos EUA.<br />
<br />
O governo de Obama identificava em Uribe o melhor aliado dos EUA no Continente. Era tamanha a sua confian&#231;a no ainda presidente que as For&#231;as Armadas da Col&#244;mbia, as mais poderosas da Am&#233;rica Latina com um efectivo de quase 300 000 homens, s&#227;o equipadas com armas a que somente Israel tem acesso.<br />
<br />
&#201; cedo para previs&#245;es, mas as for&#231;as progressistas da Col&#244;mbia festejaram o veto &#224; reelei&#231;&#227;o de &#193;lvaro Uribe como derrota das for&#231;as da extrema-direita com repercuss&#245;es continentais. <br />
<i><br />
OS EDITORES DE ODIARIO.INFO  </i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1500&amp;c=1">
	<title>A solidariedade silenciadaM&#233;dicos de Cuba no Haiti</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1500&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-03-03T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:odia&#114;i&#111;&#64;od&#105;&#97;&#114;&#105;o.&#105;&#110;f&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Os aproximadamente 400 cooperantes da Brigada m&#233;dica cubana no Haiti foram a mais importante assist&#234;ncia sanit&#225;ria ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas ap&#243;s o recente terramoto. Essa informa&#231;&#227;o foi censurada pelos grandes meios de comunica&#231;&#227;o internacionais.

A ajuda de Cuba ao povo haitiano n&#227;o come&#231;ou por ocasi&#227;o do terramoto. ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Os aproximadamente 400 cooperantes da Brigada m&#233;dica cubana no Haiti foram a mais importante assist&#234;ncia sanit&#225;ria ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas ap&#243;s o recente terramoto. Essa informa&#231;&#227;o foi censurada pelos grandes meios de comunica&#231;&#227;o internacionais.<br />
<br />
A ajuda de Cuba ao povo haitiano n&#227;o come&#231;ou por ocasi&#227;o do terramoto. Cuba atua no Haiti desde 1998 desenvolvendo um Plano Integral de Sa&#250;de (1), atrav&#233;s do qual j&#225; passaram mais de 6.000 cooperantes cubanos da sa&#250;de.<br />
<br />
Horas depois da cat&#225;strofe, no dia 13 de janeiro, somavam-se &#224; brigada cubana 60 especialistas em cat&#225;strofes, componentes do Contingente "Henry Reeve", que voaram de Cuba com medicamentos, soro, plasma e alimentos(2). Os m&#233;dicos cubanos transformaram o local onde viviam em hospital de campanha, atendendo a milhares de pessoas por dia e realizando centenas de opera&#231;&#245;es cir&#250;rgicas em 5 pontos assistenciais de Porto Pr&#237;ncipe. Al&#233;m disso, ao redor de 400 jovens do Haiti formados como m&#233;dicos em Cuba se uniam como refor&#231;o &#224; brigada cubana(3).<br />
<br />
Os grandes meios silenciaram tudo isso. O di&#225;rio El Pa&#237;s, em 15 de janeiro, publicava uma infografia sobre a "Ajuda financeira e equipamentos de assist&#234;ncia", na qual Cuba nem sequer aparecia dentre os 23 Estados que haviam colaborado (4). A cadeia estadunidense Fox News chegava a afirmar que Cuba &#233; dos poucos pa&#237;ses vizinhos do Caribe que n&#227;o prestaram ajuda.<br />
<br />
Vozes cr&#237;ticas dos pr&#243;prios Estados Unidos denunciaram esse tratamento informativo, apesar de que sempre em limitados espa&#231;os de difus&#227;o.<br />
<br />
Sarah Stevens, diretora do Center for Democracy in the Americas (5) dizia no blog The Huffington Post: Se Cuba est&#225; disposta a cooperar com os EUA deixando seu espa&#231;o a&#233;reo liberado, n&#227;o dever&#237;amos cooperar com Cuba em iniciativas terrestres que atingem a ambas na&#231;&#245;es e os interesses comuns de ajudar ao povo haitiano? (6)<br />
<br />
Laurence Korb, ex-subsecret&#225;rio de Defesa e agora vinculado ao Center for American Progress(7), pedia ao governo de Obama "aproveitar a experi&#234;ncia de um vizinho como Cuba" que "tem alguns dos melhores corpos m&#233;dicos do mundo" e com quem "temos muito o que aprender"(8).<br />
<br />
Gary Maybarduk, ex-funcion&#225;rio do Departamento de Estado prop&#244;s entregar &#224;s brigadas m&#233;dicas equipamento duradouro m&#233;dico com o uso de helic&#243;pteros militares dos EUA, para que possam deslocar-se para localidades pouco access&#237;veis do Haiti(9).<br />
<br />
E Steve Clemons, da New America Foudation(10) e editor do blog pol&#237;tico The Washington Note(11), afirmava que a colabora&#231;&#227;o m&#233;dica entre Cuba e EUA no Haiti poderia gerar a confian&#231;a necess&#225;ria para romper, inclusive, o estancamento que existe nas rela&#231;&#245;es entre Estados Unidos e Cuba durante d&#233;cadas(12).<br />
<br />
Por&#233;m, a informa&#231;&#227;o sobre o terramoto do Haiti, procedente de grandes ag&#234;ncias de imprensa e de corpora&#231;&#245;es midi&#225;ticas situadas nas grandes pot&#234;ncias, parece mais a uma campanha de propaganda sobre os donativos dos pa&#237;ses e cidad&#227;os mais ricos do mundo. Apesar de que a vulnerabilidade diante da cat&#225;strofe por causa da mis&#233;ria &#233; repetida uma e outra vez pelos grandes meios, nenhum quis se debru&#231;ar para analisar o papel das economias da Europa ou dos EUA no empobrecimento do Haiti. O drama desse pa&#237;s est&#225; demonstrando uma vez mais a verdadeira natureza dos grandes meios de comunica&#231;&#227;o: ser o gabinete de imagem dos poderosos do mundo, convertidos em doadores salvadores do povo haitiano quando foram e s&#227;o, sem paliativos, seus verdadeiros verdugos.<br />
<br />
*Quadro Informativo 1. Dados da coopera&#231;&#227;o de Cuba com o Haiti desde 1998:*<br />
<br />
&#8226;	Desde dezembro de 1998, Cuba oferece coopera&#231;&#227;o m&#233;dica ao povo haitiano atrav&#233;s do Programa Integral de Sa&#250;de;<br />
&#8226;	At&#233; hoje trabalharam no setor sa&#250;de no Haiti 6.094 colaboradores que realizaram mais de 14 milh&#245;es de consultas m&#233;dicas, mais de 225.000 cirurgias, tendo atendido a mais de 100.000 partos e salvado mais de 230.000 vidas. <br />
&#8226;	Em 2004, ap&#243;s a passagem da tormenta tropical Jeanne pela cidade de Gonaives, Cuba ofereceu sua ajuda com uma brigada de 64 m&#233;dicos e 12 toneladas de medicamentos.<br />
&#8226;	5 Centros de Diagn&#243;stico Integral, constru&#237;dos por Cuba e pela Venezuela, prestavam servi&#231;os ao povo haitiano antes do terramoto.<br />
&#8226;	Desde 2004 &#233; realizada a Opera&#231;&#227;o Milagre no Haiti e at&#233; 31 de dezembro de 2009 haviam sido operados um total de 47.273 haitianos.<br />
&#8226;	Atualmente, estudam em Cuba um total de 660 jovens haitianos; destes, 541 ser&#227;o diplomados como m&#233;dicos.<br />
&#8226;	Em Cuba j&#225; foram formados 917 profissionais, dos quais 570 como m&#233;dicos. Cuba coopera com o Haiti em setores tais como a agricultura, a energia, a pesca, em comunica&#231;&#245;es, al&#233;m de sa&#250;de e educa&#231;&#227;o.<br />
&#8226;	Como resultado da coopera&#231;&#227;o de Cuba na esfera da educa&#231;&#227;o, foram alfabetizados 160.030 haitianos.<br />
<br />
Dados das atua&#231;&#245;es do Contingente Internacional de M&#233;dicos Cubanos Especializados em Situa&#231;&#245;es de Desastres e Graves Epidemias, Brigada "Henry Reeve", anteriores &#224; coopera&#231;&#227;o no Haiti:*<br />
<br />
&#8226;	Desde sua constitui&#231;&#227;o, a Brigada Henry Reeve cumpriu miss&#245;es em 7 pa&#237;ses, com a presen&#231;a de 4.156 colaboradores, dos quais 2.840 s&#227;o m&#233;dicos.<br />
&#8226;	Guatemala (Furac&#227;o Stan): 8 de outubro de 2005, 687 colaboradores; destes 600 m&#233;dicos.<br />
&#8226;	Paquist&#227;o (Terramoto): 14 de outubro de 2005, 2 564 colaboradores; destes 1 463 m&#233;dicos.<br />
&#8226;	Bol&#237;via (inunda&#231;&#245;es): 3 de fevereiro de 2006-22 de maio, 602 colaboradores; destes, 601 m&#233;dicos.<br />
&#8226;	Indon&#233;sia (Terramoto): 16 de maio 2006, 135 colaboradores; destes, 78 m&#233;dicos.<br />
&#8226;	Peru (Terramoto): 15 de agosto 2007-25 de mar&#231;o 2008, 79 colaboradores; destes, 41 m&#233;dicos.<br />
&#8226;	M&#233;xico (inunda&#231;&#245;es): 6 de novembro de 2007 - 26 de dezembro, 54 colaboradores; destes, 39 m&#233;dicos.<br />
&#8226;	China (terramoto): 23 de maio 2008-9 de junho, 35 colaboradores; destes, 18 m&#233;dicos.<br />
&#8226;	Foram salvas 4 619 pessoas.<br />
&#8226;	Foram atendidos em consultas m&#233;dicas 3.083.158 pacientes.<br />
&#8226;	Operaram (cirurgia) a 18 898 pacientes.<br />
&#8226;	Foram instalados 36 hospitais de campanha completamente equipados, que foram doados por Cuba (32 ao Paquist&#227;o, 2 a Indon&#233;sia e 2 ao Peru).<br />
&#8226;	Foram beneficiados com pr&#243;teses de membros em Cuba 30 pacientes atingidos pelo terramoto do Paquist&#227;o.<br />
<br />
Notas:<br />
<br />
(1) <a href="http://cubacoop.com">http://cubacoop.com</a><br />
2) <a href="http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=153705&amp;Itemid=1">www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=153705&amp;Itemid=1</a><br />
(3) <a href="http://www.ain.cu/2010/enero/19cv-cuba-haiti-terramoto.htm">www.ain.cu/2010/enero/19cv-cuba-haiti-terramoto.htm</a><br />
(4) <a href="http://www.pascualserrano.net/noticias/el-pais-oculta-344-sanitarios-cubanos-en-haiti">www.pascualserrano.net/noticias/el-pais-oculta-344-sanitarios-cubanos-en-haiti</a><br />
(5) <a href="http://democracyinamericas.org">http://democracyinamericas.org</a><br />
(6) <a href="http://www.huffingtonpost.com/sarah-stephens/to-increase-help-for-hait_b_425224.html">www.huffingtonpost.com/sarah-stephens/to-increase-help-for-hait_b_425224.html</a><br />
(7) <a href="http://www.americanprogress.org/">www.americanprogress.org/</a><br />
(8) <a href="http://www.csmonitor.com/USA/Military/2010/0114/Marines-to-aid-Haitian-earthquake-relief.-But-who-s-in-command">www.csmonitor.com/USA/Military/2010/0114/Marines-to-aid-Haitian-earthquake-relief.-But-who-s-in-command</a><br />
(9) <a href="www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/01/14/AR2010011404417_2.html">www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/01/14/AR2010011404417_2.html</a><br />
(10) <a href="http://www.newamerica.net/">www.newamerica.net/</a><br />
(11) <a href="http://www.thewashingtonnote.com/">www.thewashingtonnote.com/</a><br />
(12) <a href="http://www.thewashingtonnote.com/archives/2010/01/american_diplom/">www.thewashingtonnote.com/archives/2010/01/american_diplom/</a><br />
<br />
<br />
* Jornalista basco<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de ADITAL<br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1499&amp;c=1">
	<title>Para onde vai a Arg&#233;lia?</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1499&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-03-02T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;diar&#105;o&#64;&#111;&#100;i&#97;&#114;io.&#105;n&#102;o)</dc:creator>
	<dc:subject>Colaboradores</dc:subject>
	<description>O fasc&#237;nio que Argel exerce h&#225; s&#233;culos sobre os estrangeiros que ali chegam &#233; insepar&#225;vel do cen&#225;rio.

O casario, predominantemente branco, sobe pelas encostas que a encerram em gigantesca ta&#231;a, moldura de uma ba&#237;a deslumbrante, apenas superada em grandeza pela Guabanara e N&#225;poles.

O Col&#243;quio Internacional de Homenagem a Georges Labica proporcionou-me ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[O fasc&#237;nio que Argel exerce h&#225; s&#233;culos sobre os estrangeiros que ali chegam &#233; insepar&#225;vel do cen&#225;rio.<br />
<br />
O casario, predominantemente branco, sobe pelas encostas que a encerram em gigantesca ta&#231;a, moldura de uma ba&#237;a deslumbrante, apenas superada em grandeza pela Guabanara e N&#225;poles.<br />
<br />
O Col&#243;quio Internacional de Homenagem a Georges Labica proporcionou-me em Fevereiro o reencontro com a cidade, por onde tinha passado em 1953 quando a Arg&#233;lia era ainda uma col&#243;nia mascarada de parcela da Fran&#231;a.<br />
<br />
<img src="http://www.odiario.info/b2-img/ARGEL - MESQUITA E LARGO.jpg" alt="" align="right" border="1" />Dessa breve visita guardava na mem&#243;ria imagens de uma cidade onde a grande maioria dos moradores era de origem francesa. Recordo ter percorrido ent&#227;o a Casbah, o n&#250;cleo urbano anterior &#224; conquista onde residiam muitas dezenas de milhares de mu&#231;ulmanos, definidos como ind&#237;genas pela administra&#231;&#227;o colonial.<br />
<br />
Achei a Casbah actual quase irreconhec&#237;vel.<br />
<br />
Agora Argel &#233; uma cidade mu&#231;ulmana onde os europeus s&#227;o uma minoria insignificante. Na Casbah n&#227;o h&#225; gendarmes nem bandeiras francesas, o &#225;rabe substituiu a l&#237;ngua de Voltaire como idioma nacional, mas a modernidade aparente da era da globaliza&#231;&#227;o imp&#245;e-se nos ru&#237;dos das ruas, nas cores de cartazes publicit&#225;rios, e no desaparecimento do vestu&#225;rio tradicional.<br />
<br />
Declarada patrim&#243;nio da humanidade, a cidade velha n&#227;o se assemelha a qualquer outra do Isl&#227;o. Nos 45 hectares que restam da antiga capital amuralhada da &#233;poca da conquista, concentram-se 1.200 casas, labirinto de ruelas, becos, escadas tortuosas, numa malha urbana onde se destacam mesquitas e pal&#225;cios do per&#237;odo da domina&#231;&#227;o turca, santu&#225;rios, museus, <b>um medersa</b> (universidade cor&#226;nica) e min&#250;sculas lojas.<br />
<br />
Com alguma surpresa, recordando cidades asi&#225;ticas do Isl&#227;o como a antiga Cabul, achei a Casbah limpa.<br />
<br />
Percorrendo o d&#233;dalo das suas ruas, a minha imagina&#231;&#227;o viajou pelo tempo. Revivi a gesta da resist&#234;ncia de 18 anos do emir Abdel Kader &#224; invas&#227;o francesa de 1830 e, com emo&#231;&#227;o, a luta travada na Casbah pelos patriotas da FLN contra os paraquedistas de Massu, imortalizada em &#171;A Batalha de Argel&#187;, o filme de Pontecorvo.<br />
<br />
Pisando aquele solo milenar, com o olhar descendo para o mar azul das escarpas nuas que fecham o horizonte, subiu em mim naquela tarde fria um sentimento de respeito e admira&#231;&#227;o pelos povos da Arg&#233;lia que ao longo de 20 s&#233;culos se bateram com hero&#237;smo contra todos os invasores desde Roma &#224; ocupa&#231;&#227;o francesa.<br />
<br />
<b>UM PA&#205;S MILITARIZADO </b><br />
<br />
As For&#231;as Armadas Argelinas, avaliadas em 180.000 homens (as mulheres s&#227;o escassas no ex&#233;rcito), constituem hoje talvez o corpo militar mais numeroso no Continente africano, superando as do Egipto.<br />
<br />
Esse gigantismo n&#227;o resulta de qualquer amea&#231;a externa previs&#237;vel. O ex&#233;rcito cresceu como resposta do Estado &#224; onda de viol&#234;ncia desencadeada na sociedade argelina pela Frente Isl&#226;mica de Salva&#231;&#227;o &#8211; FIS.<br />
<br />
N&#227;o cabe neste artigo comentar a situa&#231;&#227;o criada pelo desafio do radicalismo islamista ao Poder detido pelos herdeiros do movimento que dirigira a luta pela independ&#234;ncia nacional.<br />
<br />
Registo somente que a mensagem do FIS encontrou de in&#237;cio receptividade entre as camadas mais desfavorecidas de uma popula&#231;&#227;o mis&#233;rrima, que perdera a esperan&#231;a suscitada pela independ&#234;ncia e as promessas do &#171;socialismo argelino&#187;.<br />
<br />
Enquanto a popula&#231;&#227;o do pa&#237;s quadruplicou desde meados do s&#233;culo passado &#8211; hoje supera os 30 milh&#245;es &#8211; a anunciada revolu&#231;&#227;o n&#227;o se concretizou e o &#234;xodo total da popula&#231;&#227;o europeia provocou o desmoronamento do sistema econ&#243;mico preexistente.<br />
<br />
A anula&#231;&#227;o das elei&#231;&#245;es ganhas pelo FIS, que beneficiava do descontentamento geral, traduziu-se numa vaga de viol&#234;ncia irracional (150.000 mortos e centenas de milhares de exilados). O Grande Medo contribuiu decisivamente para a perda de popularidade da organiza&#231;&#227;o.<br />
<br />
A resposta do Estado foi a militariza&#231;&#227;o do pa&#237;s.<br />
<br />
Argel &#233; hoje uma cidade muito mais &#171;segura&#187; do que a maioria das capitais da Am&#233;rica Latina. A FIS foi militarmente esmagada.<br />
<br />
Mas o pre&#231;o social da derrota infligida &#224; organiza&#231;&#227;o islamista foi muito alto. A densidade do policiamento e a visibilidade do dispositivo militar impressionam o forasteiro.<br />
<br />
&#192;s seis da tarde n&#227;o se encontra uma mulher nas pra&#231;as e ruas do centro; &#224;s oito, a cidade, deserta, parece adormecida. A vida nocturna &#233; praticamente inexistente.<br />
<br />
O contraste com o dia perturba o visitante porque a grande metr&#243;pole (talvez uns tr&#234;s milh&#245;es com os sub&#250;rbios, mas as estat&#237;sticas argelinas n&#227;o inspiram muita confian&#231;a) &#233; um formigueiro de gente desde a manh&#227; ao p&#244;r-do-sol.<br />
<br />
Na pr&#243;pria Resid&#234;ncia oficial onde se realizou o Col&#243;quio Labica, reservada aos participantes e convidados, n&#227;o se podia entrar sem passagem por um detector de metais similar ao dos aeroportos.<br />
<br />
Um cord&#227;o de militares cerca a capital &#224; noite. Mas nas tr&#234;s vezes que sa&#237;mos para jantar em restaurantes do centro, distante meia d&#250;zia de quil&#243;metros dos bairros altos, os carros oficiais em que segu&#237;amos foram submetidos a numerosos controlos em postos militares. Com os t&#225;xis, a inspec&#231;&#227;o &#233; mais rigorosa.<br />
<br />
<b>UMA ECONOMIA FR&#193;GIL </b><br />
<br />
Durante a nossa breve perman&#234;ncia em Argel, a minha companheira e eu tivemos a oportunidade de manter prolongados encontros com velhos combatentes da guerra de independ&#234;ncia. Essas conversas proporcionaram-me uma informa&#231;&#227;o importante, embora superficial sobre a conjuntura argelina, tal como a sentem e vivem intelectuais revolucion&#225;rios distanciados do Poder.<br />
<br />
Falei tamb&#233;m com jornalistas que esbo&#231;aram um panorama da comunica&#231;&#227;o social.<br />
<br />
Uma realidade indesment&#237;vel: a depend&#234;ncia da Arg&#233;lia dos combust&#237;veis &#233; preocupante. O petr&#243;leo e o g&#225;s fornecem, segundo as estat&#237;sticas oficiais, quase 98% das exporta&#231;&#245;es do pa&#237;s e representam 40% do Produto Interno Bruto. As reservas comprovadas garantem a extrac&#231;&#227;o no n&#237;vel actual at&#233; 2030, o que suscita inquieta&#231;&#227;o quanto ao futuro de uma sociedade na qual o sector produtivo &#233; de uma insufici&#234;ncia transparente.<br />
<br />
A agricultura atravessa uma crise profunda, agravada pela pol&#237;tica neoliberal ortodoxa imposta no in&#237;cio dos anos 90. Um punhado de multimilion&#225;rios monopoliza as importa&#231;&#245;es de cereais, leite e carne, com a cumplicidade de personalidades destacadas do Ex&#233;rcito. A consequ&#234;ncia dessa estrat&#233;gia foi desastrosa para os produtores nacionais, incapazes de suportar a concorr&#234;ncia dos pre&#231;os internacionais. Ali&#225;s, as cooperativas estatais formadas ap&#243;s a independ&#234;ncia n&#227;o puderam corresponder &#224;s esperan&#231;as nelas depositadas por falta de apoio do Poder central.<br />
<br />
Essa grande burguesia, que acumulou fortunas colossais, possui casas no estrangeiro, onde passa largas temporadas. N&#227;o se conhece o n&#237;vel das suas contas em bancos su&#237;&#231;os, mas &#233; certamente elevad&#237;ssimo. Num patamar inferior, formou-se uma burguesia pr&#243;spera, enriquecida tamb&#233;m atrav&#233;s de neg&#243;cios escuros.<br />
<br />
Mas muitos milh&#245;es de argelinos vivem abaixo do n&#237;vel da pobreza.<br />
<br />
A crise econ&#243;mica e social assumiu tamanhas propor&#231;&#245;es que o governo sentiu a necessidade de reconhecer o fracasso da chamada economia de mercado cuja apologia fizera durante anos. No seu discurso de Junho de 2008, o Presidente Bouteflika anunciou uma viragem de estrat&#233;gia. Mas a condena&#231;&#227;o da pol&#237;tica neoliberal n&#227;o foi acompanhada da formula&#231;&#227;o de uma alternativa. N&#227;o basta reconhecer que as transnacionais que tinham prometido realizar investimentos grandiosos trataram de saquear o pa&#237;s, tripudiando sobre os compromissos assumidos. A nova lei de finan&#231;as suprimiu os privil&#233;gios de que gozava o capital estrangeiro; mas o Poder n&#227;o elaborou um projecto nacional.<br />
<br />
O Presidente Boumedienne, ap&#243;s o golpe que derrubou Ben Bella, ainda utilizou durante algum tempo a express&#227;o &#171;socialismo argelino&#187;. Mas a f&#243;rmula, ret&#243;rica, n&#227;o travou a marcha do pa&#237;s rumo a um capitalismo dependente.<br />
<br />
A ind&#250;stria metal&#250;rgica, que gerou esperan&#231;as gra&#231;as a uma siderurgia nacional que viabilizou a produ&#231;&#227;o de tractores e a montagem de ve&#237;culos de transporte, &#233; hoje pouco mais do que uma recorda&#231;&#227;o.<br />
<br />
O PIB per capita n&#227;o excede 2.300 d&#243;lares.<br />
<br />
A Arg&#233;lia &#233; territorialmente um gigante com mais de 2.350.000 quil&#243;metros quadrados (grande parte no Deserto do Sahara, onde se concentram o petr&#243;leo e o g&#225;s). Mas enormes extens&#245;es de terras f&#233;rteis permanecem incultas.<br />
<br />
<b>TEMOR DO FUTURO </b><br />
<br />
Uma implanta&#231;&#227;o d&#233;bil da Internet facilita a compreens&#227;o de um absurdo aparente: as grandes tiragens dos jornais argelinos num Continente onde se l&#234; pouqu&#237;ssimo.<br />
<br />
O maior di&#225;rio do pa&#237;s, em l&#237;ngua &#225;rabe, tem uma tiragem que ronda os 400.000 exemplares. O principal dos di&#225;rios de l&#237;ngua francesa atinge os 80.000.<br />
<br />
Oficialmente n&#227;o existe censura. Mas jornalistas com quem falei disseram-me que a auto-censura &#233; rotineira na maioria das redac&#231;&#245;es.<br />
<br />
Como a corrup&#231;&#227;o &#233; considerada um flagelo nacional, os editoriais e reportagens sobre grandes esc&#226;ndalos s&#227;o tolerados e por vezes incentivados. Mas desde que neles n&#227;o seja transparente o envolvimento de altas personalidades das For&#231;as Armadas.<br />
<br />
Oficialmente, estas apresentam-se unidas no apoio ao regime. Mas a realidade desmente a imagem difundida. No corpo de oficiais, mesmo nos escal&#245;es superiores, manifestam-se tend&#234;ncias contradit&#243;rias quanto ao rumo do pa&#237;s.<br />
<br />
Na &#225;rea internacional a imprensa &#233; anti-sionista e, com o apoio oficial, solid&#225;ria com a luta dos povos da Palestina e do L&#237;bano. O Hamas e o Hezbollah n&#227;o s&#227;o satanizados, ao contr&#225;rio do que ocorre noutros pa&#237;ses mu&#231;ulmanos. As cr&#237;ticas &#224;s guerras de agress&#227;o dos EUA no Iraque e no Afeganist&#227;o e &#224;s campanhas contra o Ir&#227;o s&#227;o ali&#225;s frequentes.<br />
<br />
Mas no tocante &#224;s rela&#231;&#245;es internacionais do governo Bouteflika as surpresas s&#227;o muitas para o visitante desconhecedor dos meandros sinuosos da estrat&#233;gia do Poder.<br />
<br />
A economia est&#225; orientada para a Uni&#227;o Europeia (aproximadamente 60% do com&#233;rcio externo), mas o alto comando do Ex&#233;rcito aprofunda a coopera&#231;&#227;o militar com a China e mant&#234;m rela&#231;&#245;es cordiais com Washington. &#201; inquietante que a CIA tenha sido autorizada a funcionar discretamente em Argel. O governo Obama, invocando a necessidade de &#171;combater o terrorismo&#187; no Continente iniciou negocia&#231;&#245;es &#8211; segundo a revista web de Michel Collon &#8211;   tendentes &#224; utiliza&#231;&#227;o pelos EUA da nova base militar instalada em Tamanrasset, no extremo sul.<br />
<br />
<img src="http://www.odiario.info/b2-img/ARGEL - UMA PRACA.jpg" alt="" align="left" border="1" />Com o governo de Sarkozy as rela&#231;&#245;es s&#227;o hoje marcadas por uma tens&#227;o inocult&#225;vel. A Fran&#231;a foi for&#231;ada pela luta do povo argelino a aceitar a independ&#234;ncia do pa&#237;s. Mas os seus sucessivos governos nunca assumiram uma atitude respons&#225;vel no relacionamento com a Rep&#250;blica da Arg&#233;lia. N&#227;o somente recusaram sempre debater a legitimidade de repara&#231;&#245;es materiais ao povo da sua antiga col&#243;nia (centenas de milhares de argelinos foram mortos durante os oito anos da guerra que provocou enormes destrui&#231;&#245;es materiais) como, sobretudo desde que Sarkozy chegou &#224; Presid&#234;ncia, insistem em reescrever a Hist&#243;ria, apresentando a coloniza&#231;&#227;o como globalmente positiva. <br />
<br />
<b>UM GOVERNO DESPRESTIGIADO </b><br />
<br />
<img src="http://www.odiario.info/b2-img/ARGEL - VISTA PARA O MEDITERRANEO.jpg" alt="" align="right" border="1" />A FLN, o partido do governo, &#233; hoje uma caricatura do movimento de liberta&#231;&#227;o que dirigiu a luta pela independ&#234;ncia numa guerra de oito anos. Como n&#227;o disp&#245;e de uma base eleitoral que lhe garanta maioria no Parlamento montou uma heterog&#233;nea coliga&#231;&#227;o, a Alian&#231;a Presidencial. Os seus parceiros s&#227;o a Uni&#227;o Nacional Democr&#225;tica (RND), um partido de tecnocratas cuja bandeira &#233; a moderniza&#231;&#227;o do pa&#237;s, e o Movimento Social Popular (ex-Hamas), organiza&#231;&#227;o populista.<br />
<br />
A ideologia est&#225; ausente da teoria e da pr&#225;tica da Alian&#231;a e do governo por ela apoiado.<br />
<br />
O Presidente Bouteflika mant&#233;m-se no poder pela inexist&#234;ncia de uma alternativa a curto prazo. Mas perdeu o escasso prest&#237;gio que tinha ao ser eleito em 1999. Na opini&#227;o de observadores internacionais o FIS, n&#227;o obstante inspirar hoje mais temor e repulsa do que simpatia, venceria as pr&#243;ximas elei&#231;&#245;es se elas fossem normais. Seria essa uma forma de castigar Bouteflika e os seus aliados.<br />
<br />
Para se avaliar a complexidade da reac&#231;&#227;o popular perante o Poder e aqueles que para o enfrentar optaram por uma orgia de viol&#234;ncia &#233; &#250;til esclarecer que o analfabetismo real na Arg&#233;lia deve rondar os 50%, o que desmente as estat&#237;sticas oficiais.<br />
<br />
O fosso que separa uma intelectualidade brilhante (na Universidade o franc&#234;s predomina sobre o &#225;rabe) e as massas &#233; muito profundo.<br />
<br />
Mas &#233; importante registar que houve um enorme progresso no campo da Educa&#231;&#227;o. Antes da independ&#234;ncia apenas umas centenas de argelinos tinham acesso ao ensino universit&#225;rio, reservado quase exclusivamente a europeus. Hoje, o total de estudantes nas numerosas universidades existentes ultrapassa os 250.000. Lamentavelmente, o diploma, conclu&#237;dos os cursos, n&#227;o assegura trabalho a dezenas de milhares, cuja frustra&#231;&#227;o &#233; leg&#237;tima.<br />
<br />
Os sindicatos s&#227;o hoje de pura fachada, e o desemprego, elevad&#237;ssimo, dificulta a luta dos trabalhadores cuja combatividade &#233; escassa pela aus&#234;ncia de uma organiza&#231;&#227;o revolucion&#225;ria com implanta&#231;&#227;o entre a classe oper&#225;ria, capaz de a mobilizar em defesa dos seus direitos, uma organiza&#231;&#227;o que pudesse desempenhar o papel assumido durante a guerra pelo Partido Comunista Argelino.<br />
<br />
Num pa&#237;s onde o sal&#225;rio m&#237;nimo equivale a 150 euros, e o m&#233;dio oscila entre os 250 e os 300, o custo de vida &#233; compar&#225;vel ao de Portugal com a peculiaridade de os hot&#233;is e os restaurantes serem car&#237;ssimos.<br />
<br />
Para onde caminha a Arg&#233;lia?<br />
<br />
N&#227;o me sinto em condi&#231;&#245;es de esbo&#231;ar uma resposta. <br />
<br />
Nos meus breves dias de Argel encontrei-me me num pa&#237;s desconhecido que perdeu a grande esperan&#231;a que mobilizou a na&#231;&#227;o numa guerra de liberta&#231;&#227;o &#233;pica. <br />
<br />
A juventude actual nasceu ap&#243;s a guerra da independ&#234;ncia, tal como a gera&#231;&#227;o anterior. Sente uma enorme frustra&#231;&#227;o pela aus&#234;ncia de perspectivas. Um veterano do combate dos anos 50 dizia-me, com tristeza: &#171;Milhares de jovens emigram todos os anos, principalmente para a Fran&#231;a e o Quebec, no Canad&#225;. Acredito que se n&#227;o fosse a extrema dificuldade de obten&#231;&#227;o de vistos para entrar na Europa e na Am&#233;rica, nove entre cada dez jovens argelinos, deixaria o pa&#237;s&#187;.<br />
<br />
O futuro pr&#243;ximo parece sombrio. Mas a hist&#243;ria her&#243;ica dos povos da Arg&#233;lia demarca-me de uma atitude pessimista.<br />
<br />
Conheci ali neste reencontro homens cuja lucidez e firmeza refor&#231;aram a minha confian&#231;a no amanh&#227; da terra milenarmente martirizada da Arg&#233;lia, ber&#231;o de grandes pensadores e s&#225;bios e de revolucion&#225;rios que se impuseram ao respeito da humanidade.<br />
<br />
<br />
<i>Serpa, Fevereiro de 2010</i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1498&amp;c=1">
	<title>A terceira intinfada</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1498&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-03-01T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;i&#97;&#114;&#105;o&#64;od&#105;ar&#105;&#111;&#46;i&#110;f&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>O Primeiro-Ministro do governo de Gaza, Ismail Haniyeh (Hamas) apelou ontem [23 de Fevereiro] &#224; popula&#231;&#227;o palestina da Cismontana para lan&#231;ar a Terceira Intifada como resposta &#224; decis&#227;o do governo de Israel de declarar &#171;patrim&#243;nio nacional&#187; a mesquita de Ibrahim ou Tumulo dos Patriarcas de Hebron, e o Tumulo de ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[O Primeiro-Ministro do governo de Gaza, Ismail Haniyeh (Hamas) apelou ontem [23 de Fevereiro] &#224; popula&#231;&#227;o palestina da Cismontana para lan&#231;ar a Terceira Intifada como resposta &#224; decis&#227;o do governo de Israel de declarar &#171;patrim&#243;nio nacional&#187; a mesquita de Ibrahim ou Tumulo dos Patriarcas de Hebron, e o Tumulo de Raquel ou mesquita de Bilal ibn Rabah, em Bel&#233;m.<br />
<br />
Haniyeh pediu ainda ao mundo &#225;rabe que apoie a resist&#234;ncia palestina &#171;perante uma tentativa do ocupante sionista de enterrar os s&#237;mbolos isl&#226;micos e palestinos&#187;.<br />
<br />
Ao mesmo tempo, reclamou que a Autoridade Palestina &#171;ponha termo &#224; coordena&#231;&#227;o de seguran&#231;a com Israel e liberte os presos pol&#237;ticos&#187;.<br />
<br />
A mesquita se Ibrahim (Abra&#227;o) ou Tumulo dos Patriarcas &#233; no cora&#231;&#227;o da Cidade Velha de Hebron e  um dos pontos quentes da Palestina.<br />
<br />
Considerada o segundo lugar sagrado do juda&#237;smo, depois do Templo de Jerusal&#233;m, por albergar os t&#250;mulos de v&#225;rios patriarcas, entre eles Abra&#227;o, tamb&#233;m &#233; considerada  um lugar sagrado por crist&#227;os e mu&#231;ulmanos, para os quais tamb&#233;m Abra&#227;o &#233; um patriarca.<br />
<br />
Depois de em 1967 ocupar Hebron, Israel fomentou a presenta de colonos ultra-direita em Kiryat Arba, junto da Mesquita de Ibrahim, ao mesmo tempo que se verificava uma forte persegui&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o palestina aut&#243;ctone.<br />
<br />
Em 1994, o colono Baruch Goldstein, nascido em Nova Iorque, matou a tiro 29 palestinos na referida mesquita.<br />
<br />
Actualmente, parte do templo est&#225; consagrado a mesquita e a outra parte como sinagoga. Os mu&#231;ulmanos t&#234;m de passar por numerosos controlos para chegar ao templo, enquanto os judeus t&#234;m uma entrada directa desde a col&#243;nia.<br />
<br />
Al&#233;m disso, tanto a mesquita de Ibrahim como o Tumulo de Raquel, em Bel&#233;m, se encontram em territ&#243;rio palestino ocupado pelo que a sua classifica&#231;&#227;o como &#171;patrim&#243;nio nacional&#187; n&#227;o respeita a legalidade internacional, tal o como j&#225;sucede com as col&#243;nias sionistas na Cisjord&#226;nia e em Jerusal&#233;m.<br />
<br />
<b>Confrontos com soldados em Hebron, Bel&#233;m e Jerusal&#233;m</b><br />
<br />
Os choques entre palestinos e o Ex&#233;rcito israelense repetiram-se ontem [33 de Janeiro] pelo segundo dia consecutivo. Dezenas de pessoas manifestaram-se no centro da cidade e lan&#231;aram pedras contra os soldados israelenses que controlam os acessos &#224; mesquita de Ibrahim.<br />
<br />
Por outro lado, a popula&#231;&#227;o de Bel&#233;m fez ontem uma greve geral para denunciar a iniciativa israelense. Col&#233;gios, reparti&#231;&#245;es p&#250;blicas e empresas privadas fecharam as suas portas como protesto pela decis&#227;o adoptada no passado domingo pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.<br />
<br />
Tamb&#233;m se registaram v&#225;rios confrontos em Jerusal&#233;m, onde residentes do campo de refugiados da Shu&#8217;fat enfretaram os soldados que dispararam com fogo real.<br />
<br />
A Autoridade Palestina (ANP) condenou a medida israelense, j&#225; que &#171;prejudica os esfor&#231;os internacionais destinados a conseguir a reabertura do processo de paz&#187;.<br />
<br />
O coordenador especial das Na&#231;&#245;es Unidas para o M&#233;dio Oriente, Robert H. Serry, expressou a sua preocupa&#231;&#227;o pela decis&#227;o de Israel e manifestou em comunicado que ela &#171;pode provocar tens&#245;es&#187;.<br />
<br />
Estes lugares est&#227;o em territ&#243;rio ocupado palestino e tem import&#226;ncia hist&#243;rica e religiosa n&#227;o s&#243; para o juda&#237;smo, mas tamb&#233;m para os mu&#231;ulmanos e para o cristianismo&#187;, destacou Serry.<br />
<br />
Os governos da S&#237;ria e da Jord&#227;nia tamb&#233;m rejeitaram a decis&#227;o tomada por Telavive . Tanto Damasco como Amam destacaram que a medida constitui uma viola&#231;&#227;o das leis internacionais. <br />
<br />
<br />
<br />
<i>Este texto foi publicado por Gara, <a href="http://www.gara.net/paperezkoa/20100224/184739/es/Ira-palestina-ante-plan-israeli-apropiarse-mezquita-Ibrahim">www.gara.net/paperezkoa/20100224/184739/es/Ira-palestina-ante-plan-israeli-apropiarse-mezquita-Ibrahim</a>, de 24 de Janeiro de 2010. </i><br />
<br />
<br />
<i>* Jornal basco diario editado em Gipuzkoa<br />
<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Jos&#233; Paulo Gasc&#227;o<br />
</i>]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1497&amp;c=1">
	<title>Parque oculta</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1497&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-28T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;&#100;iar&#105;o&#64;&#111;dia&#114;i&#111;&#46;i&#110;f&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Em 2007, Maria de Lurdes Rodrigues iniciou o processo de transfer&#234;ncia da maioria das escolas que eram propriedade do Estado para uma empresa p&#250;blica (Parque Escolar EPE.). &#192; empresa competiria requalificar o nosso parque escolar, ficando progressivamente propriet&#225;ria dos edif&#237;cios e das suas formas de explora&#231;&#227;o comercial.
 
Se tivermos em ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Em 2007, Maria de Lurdes Rodrigues iniciou o processo de transfer&#234;ncia da maioria das escolas que eram propriedade do Estado para uma empresa p&#250;blica (Parque Escolar EPE.). &#192; empresa competiria requalificar o nosso parque escolar, ficando progressivamente propriet&#225;ria dos edif&#237;cios e das suas formas de explora&#231;&#227;o comercial.<br />
 <br />
Se tivermos em considera&#231;&#227;o que normalmente os complexos escolares e espa&#231;os exteriores adjacentes est&#227;o implantados em centros urbanos consolidados e s&#227;o objecto, na maioria dos casos, de uma enorme press&#227;o imobili&#225;ria, &#233; f&#225;cil de concluir que teria sido mais prudente realizar uma discuss&#227;o p&#250;blica pr&#233;via e participada que pudesse envolver a comunidade escolar, t&#233;cnicos e munic&#237;pios. Por outro lado, as nomea&#231;&#245;es para a administra&#231;&#227;o da Parque Escolar EPE, entre ex-dirigentes da REFER e ex-directores de construtoras, n&#227;o foram um sinal positivo no que diz respeito &#224; gest&#227;o do patrim&#243;nio, ainda, p&#250;blico.<br />
 <br />
Os piores receios confirmaram-se. Tr&#234;s anos de ac&#231;&#227;o do Parque Escolar revelam como se pode transformar um programa de requalifica&#231;&#227;o escolar num obscuro processo de utiliza&#231;&#227;o de dinheiros p&#250;blicos.<br />
<br />
Neste texto faltar-me-&#227;o linhas para abordar as in&#250;meras queixas da comunidade escolar sobre as escolas &#8220;requalificadas&#8221;, avaliar o custos extraordin&#225;rios que a precipita&#231;&#227;o eleitoralista infligiu ao processo, explicar o artif&#237;cio processual que fez com que meia d&#250;zia de empresas de constru&#231;&#227;o dominassem praticamente todas as empreitadas ou conceber um exerc&#237;cio disciplinar sobre a oportunidade desperdi&#231;ada de se pensar os edif&#237;cios escolares para os pr&#243;ximos cinquenta anos &#8211; &#224; imagem do que foi feito no programa an&#225;logo em Inglaterra, Building Schools for the Future.<br />
Entretanto, um grupo de jovens arquitectos do qual fa&#231;o parte decidiu lan&#231;ar uma peti&#231;&#227;o on-line para denunciar a forma como o programa que concentrou a maioria das obras p&#250;blicas dos &#250;ltimos dois anos est&#225; a ser gerido.<br />
No que diz respeito &#224; encomenda de presta&#231;&#245;es de servi&#231;os de projecto, socorrendo-se de uma s&#233;rie de malabarismos jur&#237;dicos e perante o sil&#234;ncio complacente das ordens profissionais, o Governo deu m&#227;os livres aos administradores da Parque Escolar para decidirem a quem adjudicar milh&#245;es de euros. O caso ainda resulta mais absurdo quando, apenas seis meses ap&#243;s a entrada em vigor do novo c&#243;digo de contrata&#231;&#227;o p&#250;blica (no qual est&#225; previsto, por exemplo, um procedimento de concurso de presta&#231;&#227;o de servi&#231;os realiz&#225;vel em 24 horas), o Governo anuncia um regime de excep&#231;&#227;o para o Parque Escolar que, sob o pretexto da urg&#234;ncia, permite que as decis&#245;es de contrata&#231;&#227;o possam ser decididas sem as m&#237;nimas condi&#231;&#245;es de transpar&#234;ncia. Aquilo que nas declara&#231;&#245;es do presidente do Parque Escolar &#233; visto como a &#8220;parte mais injusta&#8221; do programa &#233;, no fundo, a suspens&#227;o do Estado de direito e o abdicar de uma das suas premissas fundamentais na escolha do adjudicat&#225;rio: o interesse p&#250;blico.<br />
<br />
A desconfian&#231;a reina. Por que ter&#227;o sido adjudicados 25 projectos de arquitectura a apenas tr&#234;s empresas de projectistas? Qual ser&#225; a justifica&#231;&#227;o para que 5 empresas de arquitectura concentrem mais de 20% da encomenda?<br />
Na sequ&#234;ncia da peti&#231;&#227;o, a Parque Escolar veio anunciar que umas migalhas ser&#227;o objecto de concurso p&#250;blico. As outras ficar&#227;o novamente ao abrigo de um procedimento limitado de pr&#233;via qualifica&#231;&#227;o, que n&#227;o ser&#225; mais do que uma forma da actual administra&#231;&#227;o continuar a nomear os seus escolhidos.<br />
Bem sei que os nossos padr&#245;es de esc&#226;ndalo p&#250;blico t&#234;m sofrido s&#233;rias muta&#231;&#245;es nos &#250;ltimos anos. Por toda a Europa, as escolas p&#250;blicas s&#227;o entendidas como equipamentos que devem ser submetidos a concurso, para que se escolha o melhor projecto. S&#243; o clima de total impunidade que grassa no nosso pa&#237;s permite que o Conselho de Administra&#231;&#227;o da Parque Escolar n&#227;o seja imediatamente demitido, quando justifica as suas escolhas pelo facto de entender que existem poucas empresas em Portugal habilitadas a projectar escolas.<br />
 <br />
<br />
<i>* Arquitecto </i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1496&amp;c=1">
	<title>A Besta da Guerra</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1496&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-27T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;di&#97;r&#105;o&#64;o&#100;&#105;ari&#111;&#46;&#105;&#110;&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Tendo como objectivo o &#171;desenvolvimento&#187; de um &#171;novo&#187; conceito estrat&#233;gico at&#233; ao final de 2010, a NATO concluiu, no final de Fevereiro, a dita fase de &#171;reflex&#227;o&#187;, iniciando a fase de &#171;consulta&#187; de cada um dos seus membros. Relativamente a Portugal, est&#225; anunciada a desloca&#231;&#227;o, em meados de Mar&#231;o, de ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Tendo como objectivo o &#171;desenvolvimento&#187; de um &#171;novo&#187; conceito estrat&#233;gico at&#233; ao final de 2010, a NATO concluiu, no final de Fevereiro, a dita fase de &#171;reflex&#227;o&#187;, iniciando a fase de &#171;consulta&#187; de cada um dos seus membros. Relativamente a Portugal, est&#225; anunciada a desloca&#231;&#227;o, em meados de Mar&#231;o, de elementos do grupo que est&#225; encarregue de apresentar uma proposta para o conceito estrat&#233;gico desta organiza&#231;&#227;o pol&#237;tico-militar de car&#225;cter agressivo, que agora se pretende com interven&#231;&#227;o de &#226;mbito global.<br />
<br />
A este prop&#243;sito &#233; (in)digna de registo a interven&#231;&#227;o do Secret&#225;rio-geral da NATO proferida na recente &#171;Confer&#234;ncia de Seguran&#231;a de Munique&#187;, onde explanou o que se ambiciona para o futuro da NATO.<br />
<br />
Ap&#243;s ter, de uma penada, mandado &#224;s urtigas princ&#237;pios fundamentais da Carta da ONU e do direito internacional &#8211; como a solu&#231;&#227;o pac&#237;fica dos conflitos internacionais ou a n&#227;o inger&#234;ncia nos assuntos internos dos outros Estados &#8211; ao postular que a &#171;defesa territorial&#187; dos pa&#237;ses membros da NATO se inicia &#171;fora das (suas) fronteiras&#187;, o Secret&#225;rio-geral da NATO enumera o que considera serem as novas &#171;amea&#231;as&#187;, formuladas &#224; &#171;medida do fregu&#234;s&#187;, isto &#233;, de forma a possibilitar a instrumentaliza&#231;&#227;o e a militariza&#231;&#227;o de praticamente todas as esferas das rela&#231;&#245;es internacionais (de que &#233; exemplo a ajuda humanit&#225;ria ou ao desenvolvimento, recorde-se o Haiti), a inger&#234;ncia, a desestabiliza&#231;&#227;o e o intervencionismo militar, obviamente, em fun&#231;&#227;o dos interesses imperialistas dos EUA e das pot&#234;ncias da Uni&#227;o Europeia.<br />
<br />
Nas inten&#231;&#245;es expostas pelo Secret&#225;rio-geral da NATO, esta organiza&#231;&#227;o transformar-se-ia no &#171;f&#243;rum de consulta ao n&#237;vel mundial sobre quest&#245;es de seguran&#231;a&#187;. A NATO seria a institui&#231;&#227;o para a &#171;seguran&#231;a&#187; de um proclamado &#171;sistema internacional&#187;, que integraria outros &#171;actores&#187; como a ONU, a UE, o FMI, o Banco Mundial ou as Organiza&#231;&#245;es N&#227;o Governamentais (ONG), cada um &#171;nas suas respectivas posi&#231;&#245;es&#187; (pol&#237;tica, econ&#243;mica, militar,&#8230;), mas cooperando entre si &#171;para um mesmo fim&#187; (ali&#225;s, apresenta-se a agress&#227;o ao Afeganist&#227;o como precursora desta &#171;nova forma de fazer&#187;). E, utilizando o &#171;canto de sereia&#187; para procurar esconder o &#171;abra&#231;o do urso&#187;, a NATO estende maliciosamente o convite &#224; China e &#224; R&#250;ssia &#8211; n&#227;o falasse mais alto a gritante realidade e a verdade crua dos factos...<br />
<br />
Isto &#233;, a NATO assumiria o mundo como seu campo de actua&#231;&#227;o, diversificaria as suas miss&#245;es e interviria sem limites a pretexto de todas as quest&#245;es, instrumentalizando a ONU para branquear e facilitar a sua ac&#231;&#227;o belicista (recorde-se a controversa e perigosa declara&#231;&#227;o comum assinada entre a NATO e o actual Secret&#225;rio-geral da ONU, relativa &#224; sua coopera&#231;&#227;o m&#250;tua).<br />
<br />
Moral da hist&#243;ria, a voragem capitalista, o imperialismo, com todo o seu cortejo de atrocidades, opress&#227;o e explora&#231;&#227;o, confronta-se (sempre) com as mais leg&#237;timas e elementares aspira&#231;&#245;es e necessidades da Humanidade, pois representa, t&#227;o s&#243;, a sua brutal nega&#231;&#227;o para milh&#245;es e milh&#245;es de seres humanos. <br />
<br />
Por mais silenciada e desvirtuada que seja, a verdade &#233; que os povos (sempre) resistem e lutam pela sua liberta&#231;&#227;o. S&#243; assim se poder&#227;o entender os repetidos esfor&#231;os do imperialismo para impor a sua domina&#231;&#227;o e tutela colonial, atrav&#233;s de todas as formas, incluindo a utiliza&#231;&#227;o da m&#225;quina de agress&#227;o que &#233; a NATO. Isto &#233;, o militarismo e a guerra s&#227;o apan&#225;gio do imperialismo, a paz &#233; a luta dos povos.<br />
 <br />
<br />
<i>* Pedro Guerreiro foi deputado no Parlamento Europeu na &#250;ltima legislatura<br />
 <br />
Este texto foi publicado em Avante N&#186; 1.891 de 25 de Fevereiro de 2010</i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1495&amp;c=1">
	<title>Os Pagadores</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1495&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-26T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;dia&#114;&#105;&#111;&#64;odiario&#46;&#105;n&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Colaboradores</dc:subject>
	<description>&#201; fim-de-semana. O tempo est&#225; mau em diversos lugares do mundo e tamb&#233;m por c&#225;. Da Madeira, a televis&#227;o traz imagens impressionantes e not&#237;cias que incluem as de dezenas de mortos, gente que em muitos casos estaria recolhida nas suas pr&#243;prias casas supostamente ao abrigo do pior e que a ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[&#201; fim-de-semana. O tempo est&#225; mau em diversos lugares do mundo e tamb&#233;m por c&#225;. Da Madeira, a televis&#227;o traz imagens impressionantes e not&#237;cias que incluem as de dezenas de mortos, gente que em muitos casos estaria recolhida nas suas pr&#243;prias casas supostamente ao abrigo do pior e que a vistosa gest&#227;o do doutor Jardim, extensa j&#225; de mais de trinta anos, n&#227;o conseguiu defender. De c&#225;, fere-me sobretudo a informa&#231;&#227;o da morte de mais pescadores. Esses n&#227;o estavam em casa, andavam no mar, no trabalho, no estreito gume da faca que separa a vida da morte. <br />
<br />
E o pior &#233; que, se n&#227;o me engano acerca do que a televis&#227;o me vem dizendo (nestes casos sempre um pouco &#224; pressa e em segundo plano, depois do largo tempo de antena investido em intrigas, insinua&#231;&#245;es, at&#233; porventura verdades com o ar de n&#227;o o serem, que se tornaram o sal dos telenotici&#225;rios portugueses), andam a morrer muitos pescadores. N&#227;o em casa, n&#227;o nas suas camas da morte dita natural, n&#227;o nas estradas ao conduzirem os seus carros, mas no seu posto de trabalho. Apetece dizer que na sua trincheira, mas ao diz&#234;-lo torna-se indispens&#225;vel explicitar que o inimigo desses homens que morreram, e mais dos que infelizmente vir&#227;o a morrer em id&#234;nticas circunst&#226;ncias, n&#227;o &#233; o mar, mas sim os factores que obrigam o pescador a saltar para o barco e enfrentar o perigo quando a m&#237;nima prud&#234;ncia desaconselha a que o fa&#231;a. <br />
<br />
A quest&#227;o, como bem se sabe, &#233; que s&#227;o muitas as vezes em que o oper&#225;rio do mar tem de escolher entre a fome, e lembremo-nos de que a fome tem um territ&#243;rio mais vasto e modalidades mais numerosas do que a palavra isolada nos sugere, e o risco de vida. &#201; ent&#227;o preciso apostar. E, ap&#243;s algumas vezes, muitas ou poucas, em que a aposta &#233; ganha, surge um dia, uma noite, uma madrugada, em que o pescador perde a aposta. <br />
<br />
<b>Curto prazo, longo prazo<br />
</b><br />
O facto &#233; que na Madeira ou no mar, num trabalho de constru&#231;&#227;o civil ou entre a maquinaria de uma f&#225;brica, h&#225; todos os dias homens, e tamb&#233;m mulheres, que s&#227;o obrigados a arriscar a vida. &#171;Por pouco dinheiro&#187;, como h&#225; anos cantou S&#233;rgio Godinho. Mas entenda-se que esse risco de vida nem sempre se apresenta nas circunst&#226;ncias tr&#225;gicas e &#250;ltimas que levam &#224; morte de pescadores ao largo da costa portuguesa: h&#225; outras formas de morte. <br />
<br />
Por vezes a longo prazo, quando um desfecho dram&#225;tico se apresenta como poss&#237;vel ao fim de um per&#237;odo de tempo mais ou menos largo (e creio que essa &#233; uma das sinistras amea&#231;as que refor&#231;am o vigor da luta dos mineiros de Neves-Corvo, de que ali&#225;s n&#227;o tenho visto not&#237;cias na televis&#227;o portuguesa), noutras vezes sob uma forma sorna, quotidiana, que destr&#243;i a vida ao longo de anos e anos at&#233; ao desespero final. <br />
<br />
E acontece que a soma de tudo isso, multiplicada pelo tempo fora, resulta num aut&#234;ntico genoc&#237;dio que contudo nos dizem ser natural e mesmo inevit&#225;vel: seriam as invis&#237;veis leis do funcionamento de sociedades como a nossa a imporem que no seio delas alguns, muitos, paguem o custo da sustenta&#231;&#227;o cobrado pelo sistema, enquanto a outros, poucos, cabem o comando e as alt&#237;ssimas remunera&#231;&#245;es que t&#227;o exigente tarefa recomenda. <br />
<br />
Quanto aos pagadores, os que gota a gota v&#227;o perdendo a vida numa esp&#233;cie de hemorragia lenta quando n&#227;o lhes acontece, como aos pescadores naufragados, que ela se lhes derrame de uma s&#243; vez, &#233; lhes dito que n&#227;o h&#225; outra solu&#231;&#227;o, que sendo pobre o Pa&#237;s n&#227;o &#233; poss&#237;vel assegurar a todos uma exist&#234;ncia em que valha a pena respirar, que o &#250;nico rem&#233;dio &#233; ir vivendo e tendo paci&#234;ncia. <br />
<br />
H&#225; tamb&#233;m, invocado por vezes, o argumento supletivo de que este mundo &#233; dif&#237;cil mas o mundo posterior &#224; morte ser&#225; de uma permanente felicidade para quem at&#233; l&#225; se porte bem, mas parece que esta modalidade de est&#237;mulo &#224; resigna&#231;&#227;o est&#225; a cair em desuso, substitu&#237;da pelo &#171;nada a fazer, as coisas s&#227;o assim mesmo&#187;. <br />
<br />
Contudo, parece tamb&#233;m, e com muito maior for&#231;a, que os pagadores da vida alheia com as suas pr&#243;prias vidas j&#225; descobriram que h&#225; qualquer coisa a fazer, sim, ainda que seja tarefa que demore tempo e exija paci&#234;ncia. <br />
<br />
Um grande e inesquec&#237;vel portugu&#234;s do nosso tempo disse um dia que &#171;a impaci&#234;ncia &#233; fascista&#187;. A frase foi proferida em circunst&#226;ncias bem determinadas, mas implica que um seu eventual complemento, &#171;a paci&#234;ncia &#233; progressista&#187;, seja igualmente adequada. <br />
<br />
H&#225;, de facto, muita coisa a fazer. Num quadro onde n&#227;o se esque&#231;a que a Hist&#243;ria se move sempre, mas n&#227;o tem a nossa pressa. E de tudo isso &#233; que a TV nunca, nem de leve, nos fala.<br />
<i><br />
* Correia da Fonseca &#233; amigo e colaborador de odirio.info</i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1494&amp;c=1">
	<title>A Gr&#233;cia &#233; s&#243; a primeira tentativa...</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1494&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-25T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;dia&#114;io&#64;&#111;dia&#114;&#105;&#111;&#46;&#105;n&#102;o)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Parece que agora o povo grego &#233; o culpado de todos os males da Europa; a sua situa&#231;&#227;o econ&#243;mica est&#225; a deixar muito nervosos os outros membros da Uni&#227;o Europeia, que rapidamente t&#234;m de adoptar medidas para o socorrer ou melhor dito, para se socorrerem a si pr&#243;prios. Todas as ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Parece que agora o povo grego &#233; o culpado de todos os males da Europa; a sua situa&#231;&#227;o econ&#243;mica est&#225; a deixar muito nervosos os outros membros da Uni&#227;o Europeia, que rapidamente t&#234;m de adoptar medidas para o socorrer ou melhor dito, para se socorrerem a si pr&#243;prios. Todas as aten&#231;&#245;es est&#227;o voltadas para o pa&#237;s hel&#233;nico, falam-nos dos graves problemas que eles t&#234;m, de como os seus dirigentes foram irrespons&#225;veis, da maldade institucionalizada na vida econ&#243;mica e laboral do pa&#237;s, etc&#8230;<br />
<br />
E a Europa caritativa n&#227;o vai deixar morrer um irm&#227;o, ainda que a sua situa&#231;&#227;o cr&#237;tica seja por n&#227;o ter feito caso do que recomendavam os gurus econ&#243;micos e financeiros. Para salvar a Gr&#233;cia receitamos-lhe uns medicamentos que s&#227;o verdadeiramente novos e eficazes para tratar da sua grave enfermidade: baixar os sal&#225;rios aos funcion&#225;rios p&#250;blicos entre 10 e 40%, poss&#237;vel elimina&#231;&#227;o de um dos dois subs&#237;dios [f&#233;rias ou 13&#186; m&#234;s], subida do IVA e de outros impostos indirectos, aumento da idade de reforma, etc&#8230;<br />
<br />
Ser&#225; que na Gr&#233;cia o campesinato, os trabalhadores e trabalhadoras, os funcion&#225;rios p&#250;blicos, os pequenos empres&#225;rios, reformados, a juventude e os desempregados s&#227;o realmente culpados da situa&#231;&#227;o econ&#243;mica por que est&#227;o a passar?<br />
<br />
A imensa maioria do povo grego &#233; simplesmente v&#237;tima da oligarquia financeira que ao longo dos &#250;ltimos anos se encheu de dinheiro especulando na bolsa, das pr&#225;ticas clientelares das dinastias pol&#237;ticas dos Papandreu e Karamanlis que se revezam no poder, e das t&#225;cticas como as dos banqueiros de Wall Street que ajudaram a maquilhar as contas, uma maquilhagem que impediu a sa&#237;da &#224; luz do dia do imenso deficit do Estado grego.<br />
<br />
Mas na hora da verdade, a Joaquim Almunia [N. do T.:comiss&#225;rio europeu que comparou a situa&#231;&#227;o grega &#224; de Portugal e Espanha], ao Banco Central Europeu e aos ministros das finan&#231;as da UE o que menos lhes importa &#233; apontar e castigar os verdadeiros culpados. Com a crise grega passam a ter uma grande oportunidade para retirar direitos sociais e laborais &#224; sua popula&#231;&#227;o.<br />
<br />
E n&#227;o querem que essa elimina&#231;&#227;o de direitos seja apenas para a Gr&#233;cia, mas que a desculpa da n&#227;o desej&#225;vel mas sempre poss&#237;vel extens&#227;o da crise sirva para vacinar o resto da Uni&#227;o Europeia. &#201; por essa e n&#227;o outra qualquer raz&#227;o que no Estado espanhol os jornais e articulistas, as ag&#234;ncias de not&#237;cias e os notici&#225;rios j&#225; est&#227;o h&#225; quase um m&#234;s a lan&#231;ar a mensagem, todos juntos e mancomunados, de que n&#227;o sendo t&#227;o grave a situa&#231;&#227;o devem adoptar-se medidas que garantam a estabilidade econ&#243;mica e financeira. Curiosamente, entre essas medidas destacam o aumento da idade de  reforma e do tempo de desconto para o c&#225;lculo das pens&#245;es, o congelamento ou os aumentos irris&#243;rios de sal&#225;rios e o aumento do IVA.<br />
<br />
E nessas receitas coincidem os gestores do sistema, tanto os de rosa como os de azul [N. do T.: o autor refere-se, respectivamente ao PSOE e ao PP], aos quais s&#243; &#233; permitido discordar sobre quando ser&#225; o melhor momento para apertar o gasganete ao enfermo do modo mais adequado para lhe retirar direitos sociais.<br />
<br />
Face a esta situa&#231;&#227;o e &#224;s amea&#231;as dos verdadeiros culpados e dos c&#250;mplices da actual situa&#231;&#227;o econ&#243;mica h&#225; duas sa&#237;das: na Gr&#233;cia algumas organiza&#231;&#245;es sindicais come&#231;aram a mobilizar-se em torno da exig&#234;ncia de uma nova pol&#237;tica econ&#243;mica e financeira que n&#227;o pressuponha a perda de direitos pelos sectores maiorit&#225;rios da sociedade que n&#227;o tiraram qualquer benef&#237;cio no tempo das vacas gordas nem s&#227;o respons&#225;veis pela actual crise do modelo econ&#243;mico neoliberal; outros, ao contr&#225;rio pedem responsabilidade e apoio de todos ao governo para sair da crise. No Estado espanhol e na Galiza a situa&#231;&#227;o n&#227;o &#233; muito diferente, uns apresentam propostas para sair da crise que passam pela garantia das conquistas sociais e na substitui&#231;&#227;o do actual sistema econ&#243;mico especulativo por um sistema baseado na economia produtiva. Outros, como o grande capital, defendem prop&#245;em com criminosa reincid&#234;ncia e aleivosia aumentos salariais de 1% e re&#250;nem-se com o rei no seu pal&#225;cio na busca de n&#227;o se sabe que acordo. <br />
<br />
Com o medo do terrorismo internacional tiraram-nos liberdades e com o medo da crise econ&#243;mica querem tirar-nos direitos sociais. Aten&#231;&#227;o, porque do que se passar na Gr&#233;cia devemos tirar as li&#231;&#245;es que nos permitam articular uma resposta contundente.<br />
<i><br />
* Professor e dirigente sindical na Galiza</i><br />
<br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1493&amp;c=1">
	<title>A reconfigura&#231;&#227;o do Estados ao servi&#231;o do grande capital</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1493&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-24T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;&#100;&#105;&#97;r&#105;o&#64;&#111;d&#105;&#97;rio.&#105;n&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Colaboradores</dc:subject>
	<description>Para abordar o tema que me foi proposto &#8211; o da reconfigura&#231;&#227;o do Estado ao servi&#231;o dos grandes interesses econ&#243;micos &#8211; ser&#225; talvez necess&#225;rio recuar mais longe do que a d&#233;cada que temos em an&#225;lise, incluindo at&#233; o per&#237;odo da resist&#234;ncia antifascista. &#201; &#250;til relembrar, no contexto actual, o que ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Para abordar o tema que me foi proposto &#8211; o da reconfigura&#231;&#227;o do Estado ao servi&#231;o dos grandes interesses econ&#243;micos &#8211; ser&#225; talvez necess&#225;rio recuar mais longe do que a d&#233;cada que temos em an&#225;lise, incluindo at&#233; o per&#237;odo da resist&#234;ncia antifascista. &#201; &#250;til relembrar, no contexto actual, o que &#193;lvaro Cunhal escreveu acerca das posi&#231;&#245;es da burguesia liberal sobre as necessidades de modifica&#231;&#227;o ou substitui&#231;&#227;o do Estado fascista pela revolu&#231;&#227;o democr&#225;tica: [existe uma] &#171;&#237;ntima rela&#231;&#227;o entre os objectivos pol&#237;ticos que cada sector atribui &#224; revolu&#231;&#227;o antifascista e as suas posi&#231;&#245;es em rela&#231;&#227;o ao problema do Estado: quanto menores s&#227;o as transforma&#231;&#245;es de ordem social e pol&#237;tica encaradas, tanto menores s&#227;o as exig&#234;ncias de modifica&#231;&#227;o ou substitui&#231;&#227;o do Estado fascista&#187;.<br />
<br />
Um dos tra&#231;os mais originais da nossa Revolu&#231;&#227;o consistiu no facto de se terem operado no Pa&#237;s, num muito curto per&#237;odo de tempo, transforma&#231;&#245;es sociais e econ&#243;micas profundas sem que, em algum momento, se tivesse constitu&#237;do um poder coerentemente revolucion&#225;rio e sem que se tivesse criado um aparelho de Estado correspondente &#224;s transforma&#231;&#245;es alcan&#231;adas. Mais ainda, essas transforma&#231;&#245;es prosseguiram ainda quando j&#225; se instalara nos &#243;rg&#227;os de poder uma correla&#231;&#227;o de for&#231;as profundamente desfavor&#225;vel.<br />
<br />
Muito do que fora alcan&#231;ado foi destru&#237;do. Mas que tenha sido poss&#237;vel, primeiro, realizar t&#227;o profundas transforma&#231;&#245;es nas condi&#231;&#245;es existentes e, depois, defend&#234;-las de forma t&#227;o prolongada num quadro de rela&#231;&#245;es de poder profundamente desfavor&#225;veis continua a constituir um dos tra&#231;os mais not&#225;veis do processo de Abril. <br />
<br />
No decurso do per&#237;odo mais criador da Revolu&#231;&#227;o e apesar das contradi&#231;&#245;es internas nos &#243;rg&#227;os de poder existentes foi poss&#237;vel a tomada de muitas decis&#245;es e medidas progressistas. E mesmo quando o &#237;mpeto transformador de Abril foi detido ter-se-&#225; prolongado durante um certo per&#237;odo uma situa&#231;&#227;o com caracter&#237;sticas muito semelhantes &#224;quelas que Lenine prev&#234; no seu texto cl&#225;ssico sobre o Estado, ou seja, a possibilidade de ocorrerem &#171;excepcionalmente per&#237;odos em que as classes em luta se mant&#234;m uma &#224; outra t&#227;o perto do equil&#237;brio que o poder de Estado [&#8230;.] alcan&#231;a momentaneamente uma certa autonomia face a ambos&#187;. <br />
<br />
Quando Marx e Engels reflectiram sobre a quest&#227;o do Estado, a &#250;nica experi&#234;ncia real de um poder exercido pela classe oper&#225;ria e pelo povo eram os breves e her&#243;icos dias da Comuna de Paris. Quando Lenine escreveu &#171;O Estado e a Revolu&#231;&#227;o&#187; os sovietes eram j&#225; uma nova e importante realidade, mas n&#227;o fora ainda criado o primeiro Estado prolet&#225;rio da hist&#243;ria nem existia ainda verdadeiro poder sovi&#233;tico. A teoriza&#231;&#227;o marxista identificou justamente, desde as primeiras formula&#231;&#245;es, o Estado como instrumento de domina&#231;&#227;o e opress&#227;o de classe e como factor de reprodu&#231;&#227;o dessa domina&#231;&#227;o. Mas ao longo de todo o s&#233;culo XX e at&#233; aos dias de hoje surgiram diferentes formas de organiza&#231;&#227;o do Estado, desde os estados fascistas &#224;s democracias burguesas que, pressionadas pela luta dos trabalhadores &#8211; animada pela ampla consagra&#231;&#227;o de direitos aos trabalhadores e aos povos nos pa&#237;ses socialistas &#8211; integraram no sistema do Estado um conjunto de importantes fun&#231;&#245;es sociais. Desde o final do s&#233;culo passado e at&#233; hoje um processo complexo de hegemoniza&#231;&#227;o do campo capitalista pelo imperialismo levou &#224; derrota do campo socialista e a um feroz ataque, sob a bandeira do neoliberalismo, aos direitos conquistados pelos trabalhadores. A constitui&#231;&#227;o de institui&#231;&#245;es supranacionais &#8211; decorrente da tend&#234;ncia para a uma ordem internacional hegemonizada por uma s&#243; pot&#234;ncia &#8211; com o imperialismo assumir no plano internacional tarefas de repress&#227;o anteriormente reservadas aos estados nacionais (como sucede ao abrigo do chamado &#171;direito de inger&#234;ncia humanit&#225;ria&#187;); a abdica&#231;&#227;o de parcelas &#8211; cada vez mais importantes &#8211; da sua soberania por parte dos estados dependentes. <br />
<br />
Mas a avalia&#231;&#227;o do papel do Estado permanece necessariamente centrada na identifica&#231;&#227;o dos interesses de classe ao servi&#231;o dos quais &#233; organizado. No decurso da d&#233;cada cujo balan&#231;o fazemos a preval&#234;ncia desses interesses tornou-se ainda mais evidente do que em qualquer per&#237;odo anterior desde 1976. Tornou-se mais evidente nomeadamente no plano das fun&#231;&#245;es sociais do Estado, no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores, no que diz respeito ao papel e &#224;s miss&#245;es das for&#231;as armadas e de seguran&#231;a, no que diz respeito &#224; justi&#231;a, no que diz respeito ao papel do Estado na economia e no ordenamento do territ&#243;rio, no que diz respeito &#224;s liberdades e garantias dos cidad&#227;os e ao regime democr&#225;tico, no que diz respeito &#224; mutila&#231;&#227;o da soberania nacional. Os fen&#243;menos de desresponsabiliza&#231;&#227;o do Estado manifestam-se tanto no plano das leis com no das estruturas do aparelho de Estado. <br />
<b><br />
Ofensiva em todas as frentes</b><br />
<br />
Quando a direita afirma que h&#225; funcion&#225;rios p&#250;blicos a mais isso significa fundamentalmente que do que se trata &#233; de reduzir as fun&#231;&#245;es sociais e culturais do Estado. A coloca&#231;&#227;o de milhares de trabalhadores do Minist&#233;rio da Agricultura na situa&#231;&#227;o de dispon&#237;veis acompanhou o processo de destrui&#231;&#227;o da agricultura portuguesa; o emagrecimento do or&#231;amento para a cultura art&#237;stica e a abdica&#231;&#227;o do projecto da sua democratiza&#231;&#227;o traduziu-se no esvaziamento t&#233;cnico-financeiro e humano da Direc&#231;&#227;o Geral da Cultura. O Estado externaliza aspectos das suas fun&#231;&#245;es t&#233;cnicas e as estruturas, descentralizadas ou meramente desconcentradas, dos minist&#233;rios deixam de ser &#243;rg&#227;os de apoio aos trabalhadores para se tornarem tent&#225;culos do aparelho de Estado, exercendo fun&#231;&#245;es de controlo e propaganda. <br />
<br />
Depende determinantemente do papel assumido pelo Estado a concretiza&#231;&#227;o do direito dos cidad&#227;os &#224; educa&#231;&#227;o, &#224; cultura, &#224; sa&#250;de, &#224; justi&#231;a. E &#233; assim porque incumbe ao Estado proporcionar condi&#231;&#245;es de igualdade na concretiza&#231;&#227;o desses direitos a cidad&#227;os que, por for&#231;a n&#227;o apenas da sua situa&#231;&#227;o social e econ&#243;mica mas tamb&#233;m da sua localiza&#231;&#227;o no territ&#243;rio nacional est&#227;o &#224; partida em posi&#231;&#245;es de profunda discrimina&#231;&#227;o e desigualdade. Mas o que se acentuou ao longo desta d&#233;cada foram processos de redu&#231;&#227;o do papel do Estado no sentido de assegurar esses direitos, de aliena&#231;&#227;o de responsabilidades pela privatiza&#231;&#227;o directa ou indirecta e a mercantiliza&#231;&#227;o de servi&#231;os p&#250;blicos, de reorganiza&#231;&#227;o das redes de equipamentos e servi&#231;os em termos que agravam ainda mais as desigualdades regionais. A escola p&#250;blica, o posto de sa&#250;de, a maternidade, o tribunal ficam mais longe e mais caro. O interior do Pa&#237;s fica mais discriminado e desertificado, a faixa litoral mais congestionada e subequipada, o Pa&#237;s mais assim&#233;trico. <br />
<br />
A reconfigura&#231;&#227;o da Escola P&#250;blica torna mais desiguais as crian&#231;as e os jovens no que diz respeito &#224; rede e aos custos, mas torna-as ainda mais desiguais perante a organiza&#231;&#227;o curricular, os programas de ensino, os conte&#250;dos, as condi&#231;&#245;es de funcionamento que encaminham para o insucesso as crian&#231;as e os jovens oriundos de meios social, econ&#243;mica e culturalmente mais marginalizados. <br />
<br />
O desmantelamento dos direitos sociais, nomeadamente o direito &#224; sa&#250;de e o direito &#224; seguran&#231;a social, avan&#231;ou sob a capa da &#171;sustentabilidade&#187;. Mas aquilo que &#233; dito insustent&#225;vel enquanto universal e p&#250;blico, torna-se um bom neg&#243;cio quando passa a privado e acess&#237;vel apenas aos que o podem pagar, porque o Estado assegura aos privados que se houver lucros s&#227;o seus, mas se houver preju&#237;zos o Estado pagar&#225; por eles. <br />
<br />
A reconfigura&#231;&#227;o do Estado ao servi&#231;o do capital monopolista constitui uma longa narrativa, que passa por todo o processo de privatiza&#231;&#245;es, nesta d&#233;cada sobretudo marcada pelas obscuras negociatas em torno do sector energ&#233;tico. Privatiza&#231;&#245;es no interesse do grande capital mas tamb&#233;m, no final da d&#233;cada, nacionaliza&#231;&#245;es com o mesmo sentido, enterrando milh&#245;es provenientes do sector p&#250;blico da banca em socorro dos bancos afundados em resultado de opera&#231;&#245;es que, em alguns casos, s&#227;o simplesmente do foro criminal.<br />
<br />
O Estado n&#227;o s&#243; vem transferindo para o sector privado o que &#233; rent&#225;vel, tanto no sector empresarial como nos servi&#231;os p&#250;blicos. O Estado age tamb&#233;m no sentido de que esses sectores se tornem ainda mais lucrativos e rent&#225;veis, nomeadamente atrav&#233;s das comiss&#245;es ditas &#171;reguladoras&#187; para a fixa&#231;&#227;o das tarifas e dos pre&#231;os, dos benef&#237;cios fiscais, da toler&#226;ncia face ao funcionamento em cartel, ao desinvestimento, &#224; fraude e &#224; evas&#227;o fiscal, de uma pol&#237;tica laboral que incentiva o constante agravamento da explora&#231;&#227;o dos trabalhadores. Acompanhando e apoiando a financeiriza&#231;&#227;o da economia o Estado tornou-se pe&#231;a fundamental no empolamento da especula&#231;&#227;o fundi&#225;ria e imobili&#225;ria (&#224; qual os grandes grupos financeiros est&#227;o intimamente associados), nomeadamente atrav&#233;s dos processos de aliena&#231;&#227;o do patrim&#243;nio imobili&#225;rio p&#250;blico sob a tutela de diferentes minist&#233;rios, do favorecimento de amplas opera&#231;&#245;es ditas de reabilita&#231;&#227;o urbana nas quais a componente especulativa &#233; central, como sucedeu em Lisboa com a Expo 98 e como sucede com v&#225;rias das opera&#231;&#245;es POLIS, ou com a escandalosa excepcionalidade atribu&#237;da aos processos PIN e PIN+.<br />
<br />
<b>O Estado n&#227;o &#233; neutro</b><br />
<br />
As For&#231;as Armadas que desempenharam um t&#227;o decisivo papel na Revolu&#231;&#227;o de Abril existem hoje num quadro profundamente diferente, com efectivos profissionais e contratados, subordinadas a um conceito estrat&#233;gico desprovido de efectivo compromisso patri&#243;tico e ligado ao povo, participando, contra a Constitui&#231;&#227;o, em opera&#231;&#245;es de agress&#227;o e ocupa&#231;&#227;o imperialista no Kosovo, no Iraque, no Afeganist&#227;o. O papel do Estado n&#227;o pode ser o mesmo numa democracia antimonopolista ou num regime em que o grande capital controla de forma cada vez mais determinante o poder pol&#237;tico. O Estado n&#227;o &#233; neutro, e a sua interven&#231;&#227;o ou &#233; democr&#225;tica, como instrumento de defesa e concretiza&#231;&#227;o dos direitos, aspira&#231;&#245;es e liberdades populares e dos trabalhadores, esmagadoramente maiorit&#225;rios, ou assume a defesa e concretiza&#231;&#227;o dos interesses do grande capital, dos exploradores, dos interesses infinitamente minorit&#225;rios de todos aqueles cuja prosperidade reside na perpetua&#231;&#227;o das desigualdades, das injusti&#231;as, da hipoteca dos interesses nacionais, e, nesse caso, configura-se tendencialmente como um Estado antidemocr&#225;tico.<br />
<br />
Quando vemos hoje construir-se passo a passo um processo de governamentaliza&#231;&#227;o do aparelho da justi&#231;a, de centraliza&#231;&#227;o dos servi&#231;os de informa&#231;&#245;es e das for&#231;as de seguran&#231;a, de press&#227;o e controle de toda a comunica&#231;&#227;o social, j&#225; de si t&#227;o controlada e desprovida de pluralismo, quando vemos uma pol&#237;tica que justifica toda a sua iniciativa pela defesa dos grandes interesses econ&#243;micos, ao mesmo tempo que conduz uma brutal ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, quando vemos aprovar-se legisla&#231;&#227;o que tem como &#250;nico objectivo estrangular financeiramente o PCP e negar ao PCP o direito de se organizar de acordo com os seus estatutos e a vontade dos seus militantes, quando se sucedem os prop&#243;sitos de alterar a legisla&#231;&#227;o eleitoral em termos que visam distorcer radicalmente a express&#227;o da vontade popular, este quadro j&#225; nada tem a ver com o Portugal de Abril, mas tem muito a ver com tudo contra o qual Abril se realizou.<br />
<br />
Dizem os nossos cl&#225;ssicos que o Estado surge, n&#227;o em consequ&#234;ncia das contradi&#231;&#245;es internas numa dada sociedade, mas a partir do momento em que essas contradi&#231;&#245;es se tornam irremediavelmente insan&#225;veis.<br />
<br />
Se o Estado que a pol&#237;tica de direita gera se coloca em confronto insan&#225;vel com os interesses, direitos, aspira&#231;&#245;es e liberdades dos trabalhadores e do povo, a luta dos trabalhadores e do povo far&#225; com que, cedo ou tarde, chegue a momento em que essa contradi&#231;&#227;o ser&#225; superada, numa radical ruptura que retome o caminho de Abril.<br />
<br />
<br />
<br />
<i><br />
<br />
Texto da interven&#231;&#227;o de Filipe Diniz, em 6 de Fevereiro, no semin&#225;rio organizado pelo PCP, &#171;Dez anos de Pol&#237;tica de Direita&#187;.</i><br />
 <br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1492&amp;c=1">
	<title>Onde est&#227;o os prisioneiros fantasma da CIA?</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1492&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-23T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;d&#105;&#97;&#114;io&#64;o&#100;i&#97;&#114;io&#46;&#105;&#110;fo)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Um parecer novo e importante sobre as pol&#237;ticas de deten&#231;&#245;es secretas no mundo inteiro levado a cabo por quatro peritos independentes em direitos humanos das Na&#231;&#245;es Unidas, concluiu que: &#171;&#192; escala mundial, as deten&#231;&#245;es secretas em rela&#231;&#227;o &#224;s pol&#237;ticas de contra-terrorismo continuam a ser um problema grave&#187; e &#171;se se ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Um parecer novo e importante sobre as pol&#237;ticas de deten&#231;&#245;es secretas no mundo inteiro levado a cabo por quatro peritos independentes em direitos humanos das Na&#231;&#245;es Unidas, concluiu que: &#171;&#192; escala mundial, as deten&#231;&#245;es secretas em rela&#231;&#227;o &#224;s pol&#237;ticas de contra-terrorismo continuam a ser um problema grave&#187; e &#171;se se recorre a elas de forma sistem&#225;tica e prolongada, essas deten&#231;&#245;es secretas podem alcan&#231;ar o limiar de crime contra a humanidade.&#187;<br />
<br />
O parecer de 226 p&#225;ginas, publicado no passado dia 27 de Janeiro como adiantamento de uma vers&#227;o in&#233;dita, &#233; o culminar de um estudo conjunto, que durou um ano, do Relator Especial sobre a tortura e outros tratamentos ou castigos degradantes, cru&#233;is e desumanos, do Relator Especial para a promo&#231;&#227;o e protec&#231;&#227;o dos direitos humanos e das liberdades fundamentais na hora de contra-prender o terrorismo, do Grupo de Trabalho sobre Deten&#231;&#245;es Arbitr&#225;rias e do Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos For&#231;ados ou Involunt&#225;rios. Ser&#225; apresentado no pr&#243;ximo m&#234;s de Mar&#231;o no Conselho para os Direitos Humanos das Na&#231;&#245;es Unidas.<br />
<br />
Na introdu&#231;&#227;o, os peritos da ONU estabelecem o seguinte:<br />
<br />
&#171;Mant&#233;m-se uma pessoa em deten&#231;&#227;o secreta se as autoridades do Estado actuam em virtude da sua capacidade oficial, ou determinadas pessoas actuam sob as ordens das mesmas, com autoriza&#231;&#227;o, consentimento, apoio ou aquiesc&#234;ncia do Estado, ou em qualquer outra situa&#231;&#227;o em que a ac&#231;&#227;o ou omiss&#227;o da pessoa que leva a cabo a ac&#231;&#227;o de deter &#233; atribu&#237;vel ao Estado e priva  a outra pessoa da sua liberdade; quando a essa pessoa n&#227;o se lhe permite contacto algum com o mundo exterior ("deten&#231;&#227;o com incomunicabilidade"); e quando o que det&#233;m ou outra qualquer autoridade competente nega, recusa confirmar ou desmentir, ou oculta de forma activa, o facto de se ter privado a uma pessoa a sua liberdade, que o foi escondido do mundo exterior, por exemplo, perante a sua fam&#237;lia, advogados independentes ou organiza&#231;&#245;es n&#227;o governamentais, ou quando se negam a proporcionar, ou ocultar de forma activa, informa&#231;&#227;o sobre o destino ou paradeiro do detido/a&#187;<br />
<br />
Depois de rever a origem hist&#243;rica das deten&#231;&#245;es secretas - num contexto legal e atrav&#233;s de in&#250;meros exemplos do s&#233;culo XX - o parecer centra-se fundamentalmente nas deten&#231;&#245;es secretas dos &#250;ltimos nove anos, proporcionando uma descri&#231;&#227;o detalhada das pol&#237;ticas dos EUA depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, e fazendo tamb&#233;m uma revis&#227;o das pr&#225;ticas de deten&#231;&#245;es secretas levadas a cabo noutros 25 pa&#237;ses, entre os quais figuram a Arg&#233;lia, China, Egipto, &#205;ndia, Iraque, Ir&#227;o, Israel, L&#237;bia, Paquist&#227;o, R&#250;ssia, Ar&#225;bia Saudita, Sri Lanka, Sud&#227;o, S&#237;ria, Uganda e Zambeze.<br />
<br />
Essas passagens cont&#233;m resumos valiosos que explicam como, em muitos casos, o terrorismo &#233; utilizado como cobertura de pol&#237;ticas de deten&#231;&#227;o secreta de natureza pol&#237;tica. Contudo, o cora&#231;&#227;o do parecer constitui uma an&#225;lise detalhada das pol&#237;ticas da &#171;guerra contra o terror&#187; da administra&#231;&#227;o Bush.<br />
<br />
De preocupa&#231;&#227;o particular para os autores do estudo conjunto - para al&#233;m da ilegalidade global de todo o projecto concebido e executado pela administra&#231;&#227;o Bush - &#233; o destino de dezenas de homens mantidos em pris&#245;es secretas dirigidas pela CIA, ou transferidos pela CIA para pris&#245;es noutros pa&#237;ses. Baseando-se em n&#250;meros revelados num dos tristemente c&#233;lebres &#171;memorandos sobre a tortura&#187; do Gabinete do Conselho Legal, escrito em Maio de 2005 pelo Promotor Geral Adjunto Stephen Bradbury, a CIA havia &#171;assumido a custodia de 94 prisioneiros e havia utilizado t&#233;cnicas refor&#231;adas em v&#225;rios graus nos interrogat&#243;rios de 28 desses detidos&#187;.<br />
<br />
Os 28 homens submetidos a &#171;"t&#233;cnicas refor&#231;adas&#187; s&#227;o claramente &#171;detidos de alto valor&#187; - incluindo Khalid Sheikh Mohammed, o suposto c&#233;rebro dos ataques do 11/S, e Abu Zubaydah - que foram transferidos para Guant&#225;namo em Setembro de 2006, mas nunca nenhuma informa&#231;&#227;o oficial explicou o que sucedeu aos outros 14 detidos de alto valor, nem tampouco &#224; maioria dos restantes 66 homens detidos.           <br />
<br />
O parecer tamb&#233;m estabelece que, como m&#237;nimo, levaram muitas dezenas de outros prisioneiros a pris&#245;es de outros pa&#237;ses.<br />
<br />
Seguindo a pista desses homens, o parecer desvenda o desenvolvimento do programa de deten&#231;&#245;es secretas dos EUA, recorrendo a novas investiga&#231;&#245;es nos registos de voo, para demonstrar que os avi&#245;es que levaram as entregas, cuidadosamente ocultadas nos registos, voaram &#224; Pol&#243;nia, Rom&#233;nia e Litu&#226;nia. O parecer refere-se tamb&#233;m &#224; exist&#234;ncia de uma instala&#231;&#227;o secreta dentro de Guant&#225;namo, exposta por Scott Horton no Harper's Magazine da passada semana, que fez com que os peritos assinalassem que estavam &#171;muito preocupados perante a possibilidade de que tr&#234;s detidos de Guant&#225;namo (Salah Ahmed al-Salami, Mani Shaman al-Utaybi e Yasser Talal al-Zahrani) pudessem ter sido mortos a 9 de Junho de 2006 durante os interrogat&#243;rios realizados nessas instala&#231;&#245;es, em vez de nas sua pr&#243;pria celas.&#187;<br />
<br />
Tamb&#233;m s&#227;o mencionadas duas instala&#231;&#245;es, supostamente de tamanho reduzido, nos Balc&#227;s - dentro do Campo Bondsteel, no Kosovo, e na Base Eagle em Tuzla, na Bosnia - Herzegovina - e afirma ainda que a base Diego Garcia, no Oceano &#205;ndico (um territ&#243;rio brit&#226;nico arrendado aos EUA), foi utilizada em 2005-2006 para reter ali a Mustafa Setmariam Nasar, uma pessoa com duas nacionalidades, s&#237;ria e espanhola.<br />
<br />
A partir da descri&#231;&#227;o de outros prisioneiros, o parecer concentra-se numa s&#233;rie de pris&#245;es secretas no Afeganist&#227;o, em particular na &#171;Pris&#227;o Escura&#187;, na &#171;Salt Pit&#187; e numa instala&#231;&#227;o secreta no interior da base a&#233;rea de Bagram. Dos 94 homens mencionados por Stephen Bradbury - menos os 14 transferidos para Guant&#225;namo, em Setembro de 2006 - o parecer estabelece que se libertou a oito, que outros 23 foram transferidos para Guant&#225;namo (a maioria em 2004), que quatro mais escaparam de Bagram em Julho de 2005, que outros quatro est&#227;o ainda em Bagram (tr&#234;s dos quais &#224; espera da senten&#231;a dos tribunais de apela&#231;&#227;o norte-americanos sobre as suas bem sucedidas peti&#231;&#245;es de habeas corpus do passado Mar&#231;o) e que outros cinco foram devolvidos &#224; L&#237;bia em 2006.          <br />
<br />
Entre estes &#250;ltimos cinco figura Ibn al-Shaykh al-Libi, o &#171;prisioneiro fantasma&#187; mais tristemente c&#233;lebre da CIA, que confessou falsamente, sob as torturas a que o submeteram no Egipto, que existiam liga&#231;&#245;es entre Al-Qaeda e Saddam Hussein, o que serviu de justifica&#231;&#227;o para a invas&#227;o do Iraque. Depois de m&#250;ltiplas entregas a outros pa&#237;ses, o regresso de al-Libi &#224; L&#237;bia chegou a um final tenebroso em Maio passado, quando morreu em circunst&#226;ncias misteriosas.<br />
<br />
Ao referir-se a outros prisioneiros, cujos paradeiros actuais ningu&#233;m se incomodou a explicar, os peritos assinalaram: &#171;&#201; prov&#225;vel que alguns desses homens tenham regressado aos seus pa&#237;ses de origem e que outros estejam ainda em Bagram&#187;. Como expliquei num artigo na semana passada, depois da publica&#231;&#227;o da primeira lista de prisioneiros retidos em Bagram, pode efectivamente ser poss&#237;vel que um punhado desses homens se l&#225; encontre, todavia n&#227;o todos, e &#233;, portanto, imperativo que a publica&#231;&#227;o desta lista sirva para pressionar a administra&#231;&#227;o Obama para que revele pormenores de todos os detidos &#171;desaparecidos&#187;. <br />
<br />
O parecer examinava tamb&#233;m os casos de 35 homens entregues pela CIA &#224; Jord&#226;nia, Egipto, S&#237;ria e Marrocos, entre 2001 e 2004.Do mesmo modo que no caso dos &#171;prisioneiros fantasma&#187; no Afeganist&#227;o, muitos desses homens apareceram depois em Guant&#225;namo, ou foram libertados, contudo n&#227;o se conhece, em absoluto, o paradeiro de outros  - especialmente dos da S&#237;ria e, provavelmente, de outros homens completamente desconhecidos entregues ao Egipto - apesar de alguns dos prisioneiros entregues &#224; S&#237;ria terem sido levados para l&#225; em v&#225;rios voos j&#225; em 2002 e, pelo menos em dois casos, eram apenas uns adolescentes nessa altura.  <br />
<br />
H&#225; tamb&#233;m passagens sobre as deten&#231;&#245;es secretas na Eti&#243;pia, Djibuti e Uzbequist&#227;o, e os peritos criticam tamb&#233;m outros pa&#237;ses por estarem implicados no programa, incluindo a Austr&#225;lia, Canad&#225;, Alemanha, It&#225;lia, Qu&#233;nia e Reino Unido. Segundo a Reuters, ao longo do parecer aparecem um total de 66 pa&#237;ses implicados de uma forma ou de outra em pr&#225;ticas de deten&#231;&#245;es secretas, de forma independente ou como parte da guerra ao terror dirigida por EUA.   <br />
<br />
Ao concluir de rever as pol&#237;ticas de deten&#231;&#227;o norte-americanas desde o 11/S, os peritos congratularam-se pelo compromisso do Presidente Obama de revogar e repudiar muitas das pol&#237;ticas da administra&#231;&#227;o Bush, incluindo o encerramento de todos os s&#237;tios negros da CIA, todavia exigem clarifica&#231;&#227;o &#171;sobre os detidos que havia nos &#8220;s&#237;tios negros&#8221; da CIA no Iraque e Afeganist&#227;o ou noutros lugares quando o Presidente Obama chegou ao poder, e o que se passou com os detidos retidos nessa &#233;poca&#187;. Est&#227;o tamb&#233;m &#171;preocupados que a Ordem Executiva que deu instru&#231;&#245;es &#224; CIA &#8220;para encerrar qualquer instala&#231;&#227;o de deten&#231;&#227;o actualmente operativa&#8221; n&#227;o se alastre &#224;s instala&#231;&#245;es onde a CIA tem detidos indiv&#237;duos em &#171;fun&#231;&#227;o de uma base transit&#243;ria de um prazo curto&#187; e, &#224; luz das sugest&#245;es de Scott Horton de que a instala&#231;&#227;o secreta em Guant&#225;namo pode ter estado dirigida pelo Comando de Opera&#231;&#245;es Especiais Conjuntas (JSOC, nas siglas em ingl&#234;s), assinalam que a ordem &#171;n&#227;o parece alastrar &#224;s instala&#231;&#245;es de deten&#231;&#227;o controladas por&#187; JSOC.<br />
<br />
Todavia, essas n&#227;o s&#227;o as &#250;nicas preocupa&#231;&#245;es. Embora se felicitem pelo arranque de uma nova pol&#237;tica em Agosto de 2009, em fun&#231;&#227;o da qual se devem notificar ao Comit&#233; Internacional da Cruz Vermelha todos os nomes dos prisioneiros depois de duas semanas da sua deten&#231;&#227;o, assinalam que &#171;n&#227;o h&#225; justifica&#231;&#227;o legal para esse per&#237;odo de duas semanas de deten&#231;&#227;o secreta&#187;, por que o Congresso de Genebra permite apenas uma semana, e tamb&#233;m devido ao temor de que se retenham prisioneiros que n&#227;o foram capturados no campo de batalha e que, na realidade, podem ser, como assinalei num artigo em Setembro, prisioneiros que foram levados &#224;s instala&#231;&#245;es &#224; margem do controlo do ex&#233;rcito (em Bagram, no Afeganist&#227;o e no Campo Nama, no Iraque). Os peritos explicaram que tinham indicado com preocupa&#231;&#227;o as informa&#231;&#245;es aparecidas nos media que citam funcion&#225;rios actuais do governo a dizerem que &#171;se tem incrementado a import&#226;ncia de Bagram como lugar onde se ret&#234;m suspeitos de terrorismo capturados fora do Afeganist&#227;o e do Iraque sob a administra&#231;&#227;o Obama, que proibiu a CIA de utilizar as suas pris&#245;es secretas para deten&#231;&#245;es de longa dura&#231;&#227;o&#187;.<br />
<br />
A &#250;ltima preocupa&#231;&#227;o dos peritos refere-se ao novo sistema de revis&#227;o das situa&#231;&#245;es dos prisioneiros de Bagram. Assinalam que a decis&#227;o de substituir o sistema existente, de que o juiz dos casos de habeas corpus do passado Mar&#231;o descreveu como um processo que &#171;n&#227;o cumpre sequer o que o Supremo Tribunal avaliou como inadequado em Guant&#225;namo&#187;, era ainda mais inadequada. E explicam:<br />
<br />
&#171;O novo sistema de revis&#227;o n&#227;o toma em conta o facto dos detidos numa zona de guerra activa deverem estar sujeitos &#224;s Conven&#231;&#245;es de Genebra, e deverem ser investigados perto do momento e local da captura se houver alguma d&#250;vida sobre o seu estatuto, e n&#227;o dever&#227;o ser submetidos a revis&#245;es em nenhum momento ap&#243;s a sua captura, para determinar se deveriam continuar detidos.&#187;    <br />
<br />
Tamb&#233;m estavam &#171;preocupados que o sistema pare&#231;a ter como objectivo espec&#237;fico impedir que os tribunais norte-americanos possam ter acesso aos detidos estrangeiros noutros pa&#237;ses que depois se entregaram em Bagram&#187;, e apesar da satisfa&#231;&#227;o pela publica&#231;&#227;o dos nomes de 645 prisioneiros em Bagram, urgem ao governo norte-americano a &#171;proporcionar informa&#231;&#227;o sobre a cidadania, dura&#231;&#227;o da deten&#231;&#227;o e lugar de captura de todos os detidos actualmente retidos dentro da Base A&#233;rea de Bagram.&#187;<br />
<br />
Apesar do parecer ser bastante extenso, podia antecipar-se a resposta da administra&#231;&#227;o norte-americana perante os seus achados acerca do legado de prisioneiros &#171;desaparecidos&#187; da administra&#231;&#227;o Bush e o seu enfoque em rela&#231;&#227;o a algumas zonas escuras das actuais pol&#237;ticas de Obama. Contudo, at&#233; ao presente, s&#243; tem havido sil&#234;ncio por parte das autoridades norte-americanas, e apenas os brit&#226;nicos, queixando-se de afirma&#231;&#245;es &#171;irrespons&#225;veis e n&#227;o comprovadas&#187; se atreveram, at&#233; ao momento, a desafiar a sua provada cumplicidade com as pol&#237;ticas de deten&#231;&#245;es secretas, o que confirma que, um ano depois de Obama chegar ao poder, n&#227;o parecem terem-se desenterrado de verdade os aspectos relativos &#224; guerra contra o terror.<br />
<i><br />
* Historiador e jornalista brit&#226;nico<br />
<br />
Este texto foi publicado em <a href="http://www.truthout.org/un-secret-detention-report-asks-where-are-the-cia-ghost-prisioners56473">www.truthout.org/un-secret-detention-report-asks-where-are-the-cia-ghost-prisioners56473</a><br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Jo&#227;o Manuel Pinheiro<br />
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	<title>Portugal no Mundo</title>
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	<dc:date>2010-02-22T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;&#105;&#97;&#114;i&#111;&#64;od&#105;ar&#105;&#111;&#46;&#105;&#110;fo)</dc:creator>
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	<description>A orienta&#231;&#227;o nacional e democr&#225;tica da Revolu&#231;&#227;o do 25 de Abril foi a breve trecho subvertida pela contra-revolu&#231;&#227;o que, ao longo dos &#250;ltimos 35 anos, tem continuadamente abalado Portugal. Sob a lideran&#231;a do capital financeiro, vem sendo desde ent&#227;o travada uma acesa luta de classes, as classes exploradoras comandando o ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[A orienta&#231;&#227;o nacional e democr&#225;tica da Revolu&#231;&#227;o do 25 de Abril foi a breve trecho subvertida pela contra-revolu&#231;&#227;o que, ao longo dos &#250;ltimos 35 anos, tem continuadamente abalado Portugal. Sob a lideran&#231;a do capital financeiro, vem sendo desde ent&#227;o travada uma acesa luta de classes, as classes exploradoras comandando o aparelho do estado com o apoio material e pol&#237;tico do imperialismo, colhendo e alargando os seus privil&#233;gios contra e em detrimento das classes trabalhadoras.  <br />
<br />
A perman&#234;ncia na NATO (desde a sua funda&#231;&#227;o em 1949) tem sido um constrangimento permanente. Primeiro ao apoiar a sobreviv&#234;ncia do regime fascista em Portugal, ap&#243;s a derrota do nazi-fascismo na Europa. Depois ao apoiar esse regime na condu&#231;&#227;o da guerra colonial e na subjuga&#231;&#227;o do povo portugu&#234;s e dos povos colonizados. E, nestas pen&#250;ltima e &#250;ltima d&#233;cadas, ao envolver Portugal no disp&#234;ndio e na mobiliza&#231;&#227;o de recursos escassos, para ac&#231;&#245;es e conflitos b&#233;licos e a subvers&#227;o da ordem internacional, nos Balc&#227;s, no &#193;sia Meridional, no Oceano &#205;ndico.<br />
<br />
A ades&#227;o &#224; Comunidade Europeia em 1986, e o for&#231;ado aprofundamento do projecto europeu imperialista, tem sido um outro grave e apertado constrangimento para Portugal. A actual Uni&#227;o Europeia combina estruturas e processos decis&#243;rios intergovernamentais com outros supranacionais, escapando &#224; compreens&#227;o e ao escrut&#237;nio dos cidad&#227;os comuns. Desde a insinuante e sinuosa coordena&#231;&#227;o de politicas, como as que criaram o Mercado &#218;nico (do capital, do trabalho, das mercadorias e servi&#231;os, e da moeda &#250;nica), subsequentemente alargadas sob o leitmotif da &#8220;economia do conhecimento&#8221; da Estrat&#233;gia de Lisboa, aos espa&#231;os europeus do ensino superior e da investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica, que deveria ter conduzido a Uni&#227;o Europeia aos p&#237;ncaros da lideran&#231;a mundial em 2010. At&#233; &#224; imposi&#231;&#227;o sem escr&#250;pulo do Tratado de Lisboa, que procurar&#225; impor a integra&#231;&#227;o de numerosas e sens&#237;veis pol&#237;ticas sectoriais internas e externas, incluindo a seguran&#231;a e a defesa, e bem assim concluir a marcha for&#231;ada para a desregulamenta&#231;&#227;o e privatiza&#231;&#227;o dos servi&#231;os p&#250;blicos.    <br />
<br />
Esta anula&#231;&#227;o da soberania e a depend&#234;ncia externa conduzidas pelo capital sem fronteiras, t&#234;m provado ter pesada responsabilidade na involu&#231;&#227;o econ&#243;mica do nosso pa&#237;s e das condi&#231;&#245;es de vida da larga maioria do povo portugu&#234;s. Sectores fundamentais da economia nacional foram alienados; desde o financeiro que passou quase inteiramente para o servi&#231;o do grande capital parasit&#225;rio; ao industrial que foi privatizado e em grande parte destru&#237;do; &#224; deprecia&#231;&#227;o da produ&#231;&#227;o prim&#225;ria dos recursos do solo, subsolo e mar. Em consequ&#234;ncia, a depend&#234;ncia alimentar, energ&#233;tica e tecnol&#243;gica agravou-se e, com ela, o desequil&#237;brio da balan&#231;a comercial e a d&#237;vida externa.<br />
<br />
Seria necess&#225;ria uma reformula&#231;&#227;o s&#233;ria e radical de pol&#237;ticas. Mas n&#227;o obstante a correria para o desastre e a multiforme e estrondosa crise de 2008, os erros n&#227;o s&#227;o reconhecidos e mant&#234;m-se objectivos, discurso e pr&#225;ticas, com mais do mesmo. As palavras de ordem s&#227;o a liberdade de circula&#231;&#227;o e de concentra&#231;&#227;o supra-nacional do capital e, com este, da utiliza&#231;&#227;o dos meios de produ&#231;&#227;o; a produ&#231;&#227;o focalizada para a exporta&#231;&#227;o comandada pela divis&#227;o internacional do trabalho tal como concebida pelos c&#233;rebros do imperialismo; a liberaliza&#231;&#227;o absoluta do mercado, mesmo num pa&#237;s deficit&#225;rio que importa o que produz tamb&#233;m; a ilus&#227;o da inova&#231;&#227;o tecnol&#243;gica atrav&#233;s de saber fazer e de instrumentos quase totalmente importados; a apologia da mobilidade, mesmo quando &#233; a migra&#231;&#227;o for&#231;ada pelo desemprego em larga escala.      <br />
<br />
Fazemos um balan&#231;o muito negativo da pol&#237;tica externa portuguesa. Pol&#237;tica esta que, al&#233;m de n&#227;o ter contribu&#237;do para a afirma&#231;&#227;o aut&#243;noma do nosso pa&#237;s na Europa e no Mundo, em v&#225;rios respeitos foi desenvolvida contra os interesses do povo portugu&#234;s. &#201; evidentemente esse o caso da actua&#231;&#227;o de sucessivos governos na &#225;rea da pol&#237;tica europeia, com as consequ&#234;ncias da&#237; decorrentes para o desenvolvimento da crise em que Portugal se encontra mergulhado. <br />
Assim &#233; tamb&#233;m no que toca a pol&#237;ticas que t&#234;m envolvido o nosso pa&#237;s em algumas das mais negras p&#225;ginas da hist&#243;ria da pol&#237;tica externa portuguesa, como a cimeira dos A&#231;ores antecedendo a agress&#227;o ao Iraque; a Presid&#234;ncia Portuguesa da Uni&#227;o Europeia aquando a aprova&#231;&#227;o do Tratado de Lisboa; o reconhecimento da independ&#234;ncia ilegal do Kosovo; o envolvimento sigiloso nas opera&#231;&#245;es de sequestro, transporte ilegal e tortura de prisioneiros dos EUA; a colabora&#231;&#227;o em miss&#245;es internacionais de inger&#234;ncia inseridas na estrat&#233;gia neo-colonial da NATO; at&#233; ao ponto de participa&#231;&#227;o activa em guerras de agress&#227;o como no Afeganist&#227;o, que para al&#233;m da desumanidade comportam repercuss&#245;es imprevis&#237;veis.<br />
<br />
Pelo contr&#225;rio, falham pol&#237;ticas de afirma&#231;&#227;o aut&#243;noma de Portugal no Mundo, as comunidades portuguesas, patentes no alheamento face &#224;s popula&#231;&#245;es emigrantes e luso-descendentes; na ruinosa pol&#237;tica de redu&#231;&#227;o da rede de consulados; no desinvestimento no ensino e difus&#227;o da l&#237;ngua e cultura portuguesas. <br />
<br />
Na nossa &#243;ptica a pol&#237;tica externa portuguesa deve basear-se na defesa e promo&#231;&#227;o dos interesses leg&#237;timos de Portugal e dos portugueses, tomando a independ&#234;ncia e a soberania nacionais como valores inalien&#225;veis. O que significa uma pol&#237;tica externa que rejeite imposi&#231;&#245;es externas incompat&#237;veis com a dignidade, independ&#234;ncia e soberania do pa&#237;s.<br />
<br />
Esta postura n&#227;o radica em qualquer concep&#231;&#227;o de isolacionismo, pelo contr&#225;rio, radica no respeito pela soberania e a igualdade dos estados e na n&#227;o inger&#234;ncia nos assuntos internos dos pa&#237;ses. Esse &#233; o caminho seguro para, num mundo de grandes interdepend&#234;ncias, se garantir um quadro de rela&#231;&#245;es externas assente na coopera&#231;&#227;o reciprocamente vantajosa, na busca de solu&#231;&#245;es pac&#237;ficas para os conflitos, e no respeito pelos valores da solidariedade. Uma concep&#231;&#227;o que se contrap&#245;e &#224; pr&#225;tica de direct&#243;rios de pot&#234;ncias econ&#243;micas que, &#224; frente ou atr&#225;s da NATO, fora ou dentro da ONU, procuram impor as suas vontades e interesses a cada pa&#237;s terceiro e &#224; comunidade internacional no seu todo. <br />
<br />
Ao analisarmos as pol&#237;ticas externas levadas a cabo pelo actual e outros governos recentes facilmente conclu&#237;mos que as suas pol&#237;ticas se t&#234;m afastado ou at&#233; entrado em contradi&#231;&#227;o com os princ&#237;pios plasmados na Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Portuguesa. Ora estes dever&#227;o estar sempre presentes ao analisarem-se quest&#245;es t&#227;o importantes como a natureza das miss&#245;es das for&#231;as armadas portuguesas; o quadro das rela&#231;&#245;es externas de Portugal, cada vez mais confinado &#224; Uni&#227;o Europeia e ao eixo transatl&#226;ntico; a natureza e os objectivos do relacionamento com os pa&#237;ses africanos, cada vez mais amea&#231;ados pelo garrote neo-colonial; o papel da NATO e a submiss&#227;o de Portugal &#224; sua estrat&#233;gia b&#233;lica; a postura de Portugal na discuss&#227;o da reforma das institui&#231;&#245;es internacionais, nomeadamente a ONU, em risco de virem a ser completamente instrumentalizadas pelo imperialismo. <br />
A pol&#237;tica externa de que Portugal necessita ter&#225; de libertar-se das grilhetas da pol&#237;tica de blocos imperialistas que caracteriza a actual situa&#231;&#227;o internacional. Pelas potencialidades pr&#243;prias, pelo patrim&#243;nio das suas rela&#231;&#245;es internacionais e dos la&#231;os hist&#243;ricos e culturais que o seu povo mant&#233;m com in&#250;meros outros povos, Portugal det&#233;m condi&#231;&#245;es para, com voz pr&#243;pria e rejeitando o espartilho em que os EUA e as grandes pot&#234;ncias da Uni&#227;o Europeia pretendem aprision&#225;-lo, e liberto da NATO, inserir-se na grande corrente que luta por um Mundo de paz e coopera&#231;&#227;o e de progresso social. <br />
 <br />
Essa ser&#225; uma condi&#231;&#227;o necess&#225;ria para retomarmos o caminho de desenvolvimento social e econ&#243;mico que o povo portugu&#234;s deseja e merece.<br />
<br />
<i><br />
Lisboa, 5 Fevereiro 2010<br />
<br />
Texto da interven&#231;&#227;o de Rui Namorado Rosa, em 6 de Fevereiro, no semin&#225;rio organizado pelo PCP, &#171;Dez anos de Pol&#237;tica de Direita&#187;.</i><br />]]></content:encoded>
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<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1490&amp;c=1">
	<title>PIIGS &#8211; Uma designa&#231;&#227;o ofensiva e sintom&#225;tica</title>
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	<dc:date>2010-02-21T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:od&#105;&#97;r&#105;&#111;&#64;od&#105;&#97;&#114;&#105;&#111;&#46;i&#110;&#102;o)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Nas &#250;ltimas semanas, nos meios pol&#237;tico-financeiros, isto &#233;, nos segmentos dominantes do sistema capitalista mundial e seus instrumentos de manipula&#231;&#227;o ideol&#243;gica, surgiu e tornou-se recorrente a utiliza&#231;&#227;o de uma nova sigla: Piigs. Os seus "inventores" e utilizadores t&#227;o-pouco ocultam o intencional uso depreciativo do novo acr&#243;nimo, com o qual pretendem ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Nas &#250;ltimas semanas, nos meios pol&#237;tico-financeiros, isto &#233;, nos segmentos dominantes do sistema capitalista mundial e seus instrumentos de manipula&#231;&#227;o ideol&#243;gica, surgiu e tornou-se recorrente a utiliza&#231;&#227;o de uma nova sigla: Piigs. Os seus "inventores" e utilizadores t&#227;o-pouco ocultam o intencional uso depreciativo do novo acr&#243;nimo, com o qual pretendem designar v&#225;rios pa&#237;ses europeus, atrav&#233;s do seu significado pr&#243;ximo em tradu&#231;&#227;o para ingl&#234;s - Porcos. Deste modo, as iniciais de cinco pa&#237;ses - Portugal, Irlanda, It&#225;lia, Gr&#233;cia e Espanha (Spain) -, s&#227;o ordenados para &#171;criativamente&#187; lhes chamarem os &#171;porcos&#187; das economias da UE.<br />
<br />
Particularmente insistente nos meios de "informa&#231;&#227;o" estadunidenses e naqueles que os copiam servilmente nas costas oeste do Atl&#226;ntico, os objectivos s&#227;o &#243;bvios: face &#224; maior "crise" que o sistema engendrou - um dia se conhecer&#225; melhor quem ordenou que o Lehman Brothers falisse para que, poucas semanas depois, verbas astron&#243;micas jorrassem das finan&#231;as p&#250;blicas dos Estados para as m&#227;os dos banqueiros, por todo o mundo ... -, a par da continuada e injustificada promo&#231;&#227;o dos Bric's, considerados os alunos "bons", os Piigs surgem como contraponto pol&#237;tico-ideol&#243;gico, chamados assim e apontados &#224; execra&#231;&#227;o p&#250;blica mundial, sendo ardilosamente acusados como sendo os respons&#225;veis pela "persist&#234;ncia da crise" e pela demora numa "retoma s&#243;lida" da Europa capitalista.<br />
<br />
Tal campanha, nestes &#250;ltimos dias, j&#225; est&#225; a ter uma sequ&#234;ncia vis&#237;vel na UE, atrav&#233;s de v&#225;rias declara&#231;&#245;es sobre a situa&#231;&#227;o da Gr&#233;cia, com os "patr&#245;es" da Europa (alem&#227;es e franceses) a rejeitarem uma interven&#231;&#227;o do FMI (ler, os EUA) e a juntarem-se para anunciarem promessas de ajuda ... se os gregos se portarem bem!<br />
<br />
A par da sua comum condi&#231;&#227;o de pa&#237;ses com volumosos d&#233;fices p&#250;blicos - ainda que diversos -, o que mais assemelha estes cinco Piigs? Tr&#234;s deles com governos "socialistas", um com uma coliga&#231;&#227;o de "centro-esquerda" e um outro da direita retinta e dirigido por um neo-fascista, n&#227;o parece ser raz&#227;o para os associar por uma qualquer identifica&#231;&#227;o pol&#237;tico-partid&#225;ria; dos pa&#237;ses integrados pela UE, nem sequer s&#227;o aqueles os pa&#237;ses economicamente mais dependentes de uma "ajuda" da Comiss&#227;o Europeia - vid&#233;, a situa&#231;&#227;o de v&#225;rios pa&#237;ses ex-socialistas. Ent&#227;o, o que ser&#225; afinal que os leva a serem nestes dias os escolhidos pelos escribas e papagaios do capital?<br />
<br />
Uma hip&#243;tese plaus&#237;vel, para explicar o interesse "medi&#225;tico" por estes cinco pa&#237;ses "porcos", assenta em dois pontos: 1) fragilizados no plano financeiro, est&#227;o mais vulner&#225;veis para serem pressionados pelos centros pol&#237;ticos do capital, com o objectivo de os renderem e for&#231;arem a aceitarem medidas draconianas de sobre-explora&#231;&#227;o, visando acelerar a concentra&#231;&#227;o e centraliza&#231;&#227;o capitalistas na U.E.; 2) S&#227;o pa&#237;ses cujos quadros legislativos laborais e constitucionais e as tradi&#231;&#245;es de for&#231;a e de luta dos seus movimentos sociais e sindicais, os tornam objectivos priorit&#225;rios a abater pela grande burguesia, agora explorando ideologicamente o fil&#227;o da (sua) "crise".<br />
<br />
O capital imperialista - o estadunidense e o europeu - prepara novas ofensivas contra os povos, em particular sobre os pa&#237;ses que constituem as suas respectivas &#225;reas de influ&#234;ncia. Na UE, o objectivo &#233; prosseguir o curso - que foram for&#231;ados a suspender, embora temporariamente - de federaliza&#231;&#227;o pol&#237;tica, liquidando totalmente o que ainda resta de independ&#234;ncia e soberania dos pa&#237;ses integrados, alargando os poderes de inger&#234;ncia da Comiss&#227;o Europeia, esvaziando os conte&#250;dos constitucionais e legislativos nacionais e substituindo-os pelas resolu&#231;&#245;es e directivas da Comiss&#227;o. Tudo isto visando intensificar a explora&#231;&#227;o dos trabalhadores e dos povos, sempre exclusivamente ao servi&#231;o do capital financeiro e dos grandes grupos econ&#243;micos "europeus".<br />
<br />
N&#227;o tenhamos d&#250;vidas, quanto ao seu car&#225;cter predador e desapiedado: o capital, obrigado constantemente, para assegurar a sua pr&#243;pria sobreviv&#234;ncia como sistema, a expropriar a pequena propriedade e a aumentar a extrac&#231;&#227;o da mais-valia &#224; for&#231;a de trabalho, se pudesse nivelaria por baixo as condi&#231;&#245;es de trabalho e de vida dos trabalhadores europeus, igualando-as &#224;s existentes noutras paragens - p. ex., nos Bric's e outros - e fazendo retroceder a Europa &#224;s condi&#231;&#245;es laborais do in&#237;cio do s&#233;culo passado. Este seu celerado prop&#243;sito, de aut&#234;ntico retrocesso civilizacional, deve ser tenazmente combatido por todos os trabalhadores, por todos os democratas sinceros, por todos os patriotas.<br />
<br />
Estes actuais desenvolvimentos da estrat&#233;gia do capital v&#234;m confirmar, de forma eloquente, quanto falsas e erradas s&#227;o as posi&#231;&#245;es dos pseudo-internacionalistas e europe&#237;stas que defendem assanhadamente movimentos e lutas "internacionais", em preju&#237;zo das lutas nacionais dos trabalhadores nos seus pa&#237;ses, tal como defendem uma subordina&#231;&#227;o (ou mesmo a extin&#231;&#227;o) dos partidos de "esquerda" (leia-se, partidos comunistas), para serem substitu&#237;dos por putativos partidos "da esquerda" europeia. A vida est&#225; a comprovar inteiramente que &#233; do interesse vital dos assalariados que as suas lutas se travem prioritariamente no terreno nacional, contra as burguesias nacionais, contra os seus Estados e governos nacionais, tendo como objectivos centrais a defesa dos seus pr&#243;prios interesses de classe e, simult&#226;neamente , a defesa da soberania dos respectivos pa&#237;ses e povos. Abandonar este terreno central da luta equivaleria a "entregar o ouro ao bandido", fazendo o jogo da UE e da sua camarilha dirigente.<br />
<br />
As grandes manifesta&#231;&#245;es que ocorrem por estes dias em Portugal e na Gr&#233;cia, tal como j&#225; antes ocorreram em It&#225;lia e em Espanha, lutas dos seus trabalhadores contra a explora&#231;&#227;o e as pol&#237;ticas pr&#243;-capital dos respectivos governos, est&#227;o no caminho certo. Urge alarg&#225;-las, intensific&#225;-las, politiz&#225;-las mais e mais. Urge o trabalho revolucion&#225;rio dos partidos revolucion&#225;rios, intensificando o desmascaramento das "democracias" burguesas vigentes e lutando por rupturas revolucion&#225;rias, apoiando as lutas das massas assalariadas, a par de uma afirma&#231;&#227;o constante e vigorosa do Socialismo como a verdadeira e &#250;nica alternativa ao capitalismo na nossa &#233;poca.<br />
<br />
Anti-democr&#225;ticos, vendilh&#245;es da soberania dos povos, criminosos e corruptos, desumanos - "porcos"! - s&#227;o, na verdade, os governos que servilmente se vergam aos ditames da UE e do imperialismo.<br />
<br />
<i>* Portugu&#234;s emigrante no Brasil<br />
</i>]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1489&amp;c=1">
	<title>Entrevista a William I. Robinson Os desafios do Socialismo do S&#233;culo XXI na Venezuela</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1489&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-20T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;d&#105;&#97;&#114;i&#111;&#64;odi&#97;r&#105;&#111;.i&#110;f&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Chorinis Polychroniou (CP)- H&#225; hist&#243;rias alarmantes vindas da Venezuela. A fronteira est&#225; a aquecer, est&#225; a verificar-se infiltra&#231;&#227;o, nova base militar colombiana pr&#243;xima &#224; fronteira, o acesso dos EUA a v&#225;rias novas base na Col&#244;mbia e subvers&#227;o constante. Ser&#225; que o regime se preocupa com uma poss&#237;vel invas&#227;o? Se sim, ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[<b>Chorinis Polychroniou (CP)-</b> H&#225; hist&#243;rias alarmantes vindas da Venezuela. A fronteira est&#225; a aquecer, est&#225; a verificar-se infiltra&#231;&#227;o, nova base militar colombiana pr&#243;xima &#224; fronteira, o acesso dos EUA a v&#225;rias novas base na Col&#244;mbia e subvers&#227;o constante. Ser&#225; que o regime se preocupa com uma poss&#237;vel invas&#227;o? Se sim, quem est&#225; para intervir? <br />
<b>William I Robinson (WIR) -</b> O governo venezuelano est&#225; preocupado acerca de uma poss&#237;vel invas&#227;o estado-unidense e certamente uma invas&#227;o sem rodeios n&#227;o pode ser descartada. Contudo, penso que os EUA est&#227;o a prosseguir uma estrat&#233;gia de interven&#231;&#227;o mais refinada que pod&#237;amos denominar guerra de atrito. J&#225; vimos esta estrat&#233;gia em outros pa&#237;ses, tais como na Nicar&#225;gua na d&#233;cada de 1980, ou mesmo no Chile sob Allende. &#201; o que no l&#233;xico da CIA &#233; conhecido como desestabiliza&#231;&#227;o, e na linguagem do Pent&#225;gono &#233; chamado guerra pol&#237;tica &#8211; o que n&#227;o significa que n&#227;o haja componente militar. Isto &#233; uma estrat&#233;gia contra-revolucion&#225;ria que combina amea&#231;as militares e hostilidades com opera&#231;&#245;es psicol&#243;gicas, campanhas de desinforma&#231;&#227;o, propaganda negra, sabotagem econ&#243;mica, press&#245;es diplom&#225;ticas, mobiliza&#231;&#227;o de for&#231;as da oposi&#231;&#227;o pol&#237;tica dentro do pa&#237;s, execu&#231;&#227;o de provoca&#231;&#245;es e o atear de confronta&#231;&#245;es violentas nas cidades, manipula&#231;&#227;o de sectores insatisfeitos e a explora&#231;&#227;o de queixas leg&#237;timas entre a popula&#231;&#227;o. A estrat&#233;gia &#233; h&#225;bil no aproveitamento dos pr&#243;prios erros e limita&#231;&#245;es da revolu&#231;&#227;o, tais como corrup&#231;&#227;o, clientelismo e oportunismo, os quais devemos reconhecer que s&#227;o problemas s&#233;rios na Venezuela. &#201; h&#225;bil tamb&#233;m em agravar e manipular problemas materiais, tais como escassez, infla&#231;&#227;o dos pre&#231;os e assim por diante. <br />
<br />
O objectivo &#233; destruir a revolu&#231;&#227;o tornando-a n&#227;o funcional, pela exaust&#227;o da vontade da popula&#231;&#227;o em continuar a lutar para forjar uma nova sociedade e, deste modo, minar a base social de massa da revolu&#231;&#227;o. De acordo com a estrat&#233;gia dos EUA a revolu&#231;&#227;o deve ser destru&#237;da fazendo com que entre em colapso por si mesma, pela minagem da not&#225;vel hegemonia que o chavismo e o bolivarianismo foram capazes de alcan&#231;ar dentro da sociedade civil venezuelana ao longo da &#250;ltima d&#233;cada. Os estrategas dos EUA esperam provocar Ch&#225;vez de modo a que tome a posi&#231;&#227;o de transformar o processo socialista democr&#225;tico num processo autorit&#225;rio. Na vis&#227;o destes estrategas, Ch&#225;vez finalmente ser&#225; removido do poder atrav&#233;s de um certo n&#250;mero de cen&#225;rios produzidos pela guerra de atrito constante &#8211; seja atrav&#233;s de elei&#231;&#245;es, de um putsch militar interno, um levantamento, deser&#231;&#245;es em massa do campo revolucion&#225;rio, ou uma combina&#231;&#227;o de factores que n&#227;o podem ser antecipados. <br />
<br />
Neste contexto, as bases militares na Col&#244;mbia proporcionam uma plataforma crucial para opera&#231;&#245;es de intelig&#234;ncia e reconhecimento contra a Venezuela e tamb&#233;m para a infiltra&#231;&#227;o militar contra-revolucion&#225;ria, a sabotagem econ&#243;mica e grupos terroristas. Estes grupos de infiltra&#231;&#227;o destinam-se a perturbar mas, mais especificamente, a provocar reac&#231;&#245;es do governo revolucion&#225;rio e sincronizar a provoca&#231;&#227;o armada com toda a gama de agress&#245;es pol&#237;ticas, diplom&#225;ticas, psicol&#243;gicas, econ&#243;micas e ideol&#243;gicas que fazem parte da guerra de atrito. <br />
<br />
Al&#233;m disso, a simples amea&#231;a de agress&#227;o militar dos EUA que as bases em si pr&#243;prias representam constitui uma poderosa opera&#231;&#227;o psicol&#243;gica estado-unidense destinada a elevar as tens&#245;es dentro da Venezuela, for&#231;ar o governo a posi&#231;&#245;es extremistas ou a &#171;gritar lobo&#187;, e fortalecer as for&#231;as internas anti-chavistas e contra-revolucion&#225;rias. <br />
<br />
Entretanto, &#233; importante verificar que as bases militares fazem parte de uma estrat&#233;gia mais ampla dos EUA em rela&#231;&#227;o a toda a Am&#233;rica Latina. Os EUA e a direita na Am&#233;rica Latina lan&#231;aram uma contra-ofensiva para reverter a viragem para a esquerda ou a chamada &#171;Mar&#233; Rosa&#187;. A Venezuela &#233; o epicentro de um emergente bloco contra-hegem&#243;nico na Am&#233;rica Latina. Mas a Bol&#237;via e o Equador e mais generalizadamente os florescentes movimentos sociais e for&#231;as pol&#237;ticas de esquerda da regi&#227;o s&#227;o igualmente alvos desta contra-ofensiva tal como a Venezuela. O golpe em Honduras deu &#237;mpeto a esta contra-ofensiva e fortaleceu a direita e as for&#231;as contra-revolucion&#225;rias. A Col&#244;mbia tornou-se o epicentro regional da contra-revolu&#231;&#227;o &#8211; realmente um basti&#227;o do fascismo s&#233;culo XXI. <br />
<br />
<b>CP -</b> A "Revolu&#231;&#227;o Bolivariana" de Ch&#225;vez tem sido muito popular entre os pobres. Poderia delinear como tem mudado a sociedade venezuelana desde que Ch&#225;vez chegou ao poder? <br />
<b>WIR -</b> Em primeiro lugar, vamos reconhecer que a Revolu&#231;&#227;o Bolivariana colocou o socialismo democr&#225;tico na agenda mundial depois de atravessarmos um per&#237;odo na d&#233;cada de 1990 em que muitos ficavam mesmo alarmados em falar de socialismo, quando parecia que o capitalismo global havia atingido o pico da sua hegemonia e quando alguns na esquerda compravam a tese do &#171;fim da hist&#243;ria&#187;. <br />
<br />
A Revolu&#231;&#227;o Bolivariana deu &#224;s massas pobres e em grande medida afro-caribenhas a sua voz pela primeira vez, desde a guerra da independ&#234;ncia do colonialismo espanhol. O governo Ch&#225;vez reorientou prioridades para a maioria pobre. Ele foi capaz de utilizar os rendimentos do petr&#243;leo, em particular, para desenvolver sa&#250;de, educa&#231;&#227;o e outros programas sociais que tiveram resultados dram&#225;ticos na redu&#231;&#227;o da pobreza, eliminando virtualmente a iliteracia e melhorando a sa&#250;de da popula&#231;&#227;o. Organiza&#231;&#245;es internacionais e ag&#234;ncias de recolha de dados t&#234;m reconhecido estas not&#225;veis realiza&#231;&#245;es sociais. <br />
<br />
Contudo, como algu&#233;m que visita a Venezuela regularmente, eu diria que a mudan&#231;a mais fundamental desde que Ch&#225;vez chegou ao poder n&#227;o &#233; a destes indicadores sociais mas sim o despertar pol&#237;tico e s&#243;cio-psicol&#243;gico da maioria pobre &#8211; um vasto processo popular de mobiliza&#231;&#227;o das bases, express&#227;o cultural, participa&#231;&#227;o pol&#237;tica e participa&#231;&#227;o no poder. A velha elite e a burguesia foram parcialmente substitu&#237;das no Estado e do poder pol&#237;tico formal &#8211; embora n&#227;o inteiramente. Mas o medo real e o ressentimento dos velhos grupos dominantes, o p&#226;nico e o seu &#243;dio contra Ch&#225;vez &#233; porque eles sentiram deslizar do seu dom&#237;nio a capacidade confort&#225;vel de exercer domina&#231;&#227;o cultura e s&#243;cio-psicol&#243;gica sobre as classes populares como o fizeram durante d&#233;cadas, mesmo s&#233;culos. Naturalmente, ali ainda h&#225; muitos outros mecanismos atrav&#233;s dos quais a burguesia e os agentes pol&#237;ticos do ancien regime s&#227;o capazes de exercer sua influ&#234;ncia, particularmente atrav&#233;s dos mass media que em grande medida ainda est&#227;o nas suas m&#227;os... e eis porque as &#171;batalhas nos media&#187; na Venezuela desempenham um papel t&#227;o proeminente. <br />
<br />
Dito isto, h&#225; toda esp&#233;cie de problemas e contradi&#231;&#245;es internas na Revolu&#231;&#227;o Bolivariana. <br />
<br />
<b>CP - </b>Qu&#227;o generalizados s&#227;o os planos de nacionaliza&#231;&#227;o sob Ch&#225;vez e h&#225; alguma evid&#234;ncia at&#233; agora de que eles levam aos resultados desejados? <br />
<b>WIR -</b> A grande mudan&#231;a econ&#243;mica &#243;bvia foi a recupera&#231;&#227;o do petr&#243;leo do pa&#237;s para um projecto popular &#8211; e mesmo que haja ainda uma burocr&#225;tica oligarquia PDVSA. Outras empresas chaves, tais como a siderurgia, foram nacionalizadas. E o sector cooperativo &#8211; com todos os seus problemas &#8211; tem-se estendido. No entanto, vamos ser claros: o poder econ&#243;mico ainda est&#225; em grande medida nas m&#227;os da burguesia. <br />
<br />
Recordemos que a revolu&#231;&#227;o venezuelana &#233; a &#250;nica em que o velho Estado reaccion&#225;rio n&#227;o foi &#171;esmagado&#187; como em outras revolu&#231;&#245;es. A estrat&#233;gia da revolu&#231;&#227;o tem sido erguer novas institui&#231;&#245;es paralelas e tamb&#233;m tentar &#171;colonizar&#187; o velho Estado. Mas o Estado venezuelano ainda &#233; em grande medida um Estado capitalista. A quest&#227;o chave &#233; como pode um projecto de transforma&#231;&#227;o avan&#231;ar enquanto opera atrav&#233;s de um Estado corrupto, clientelista, burocr&#225;tico e muitas vezes inerte, legado pelo antigo regime? Se for&#231;as revolucion&#225;rias e socialistas chegam ao poder dentro de um processo pol&#237;tico capitalista como voc&#234; confronta o Estado capitalista e os trav&#245;es que ele coloca nos processos transformativos? De facto, na Venezuela, e tamb&#233;m na Bol&#237;via e alhures, as institui&#231;&#245;es do Estado prevalecentes muitas vezes actuam para constrangir, diluir e cooptar lutas de massas vindas de baixo. <br />
<br />
Do meu ponto de vista, na Venezuela a maior amea&#231;a &#224; revolu&#231;&#227;o n&#227;o vem da oposi&#231;&#227;o pol&#237;tica de direita mas sim da chamada direita &#171;end&#243;gena&#187; ou &#171;chavista&#187; e pertencente ao bloco revolucion&#225;rio, incluindo elites do Estado e respons&#225;veis partid&#225;rios, desenvolver&#227;o um interesse mais profundo em defender o capitalismo global do que na transforma&#231;&#227;o socialista. <br />
<br />
<b>CP -</b> A revolu&#231;&#227;o tem prosseguido durante mais de uma d&#233;cada. Est&#225; a amadurecer ou est&#225; a atingir uma etapa de decl&#237;nio e deforma&#231;&#227;o? <br />
<b>WIR - </b>Eu n&#227;o diria, em resposta &#224; sua pergunta, que a revolu&#231;&#227;o est&#225; em &#171;decl&#237;nio&#187; ou &#171;deforma&#231;&#227;o&#187;. De prefer&#234;ncia, precisamos ser mais expansivos na nossa an&#225;lise hist&#243;rica e mesmo reflex&#227;o te&#243;rica sobre o que &#233; avan&#231;ar nesta conjuntura hist&#243;rica do capitalismo global do s&#233;culo XXI e da sua crise. A viragem &#224; esquerda na Am&#233;rica Latina come&#231;ou como uma rebeli&#227;o contra o neoliberalismo. Os regimes p&#243;s neoliberais empreenderam suaves reformas redistributivas e nacionaliza&#231;&#245;es limitadas, particularmente de recursos energ&#233;ticos e servi&#231;os p&#250;blicos que anteriormente haviam sido privatizados. Eles foram capazes de reactivar a acumula&#231;&#227;o. Mas o p&#243;s-neo-liberalismo que actualmente n&#227;o caminha em direc&#231;&#227;o a uma profunda transforma&#231;&#227;o socialista, est&#225; rapidamente a atingir os seus limites. <br />
<br />
O processo bolivariano enfrenta contradi&#231;&#245;es, problemas e limita&#231;&#245;es, tal como todos os projectos hist&#243;ricos! Eu diria que tanto a revolu&#231;&#227;o venezuelana como os processos boliviano e equatoriano podem estar a rebelar-se contra os limites da reforma redistributiva dentro da l&#243;gica do capitalismo global, especialmente considerando a actual crise do capitalismo global. O anti-neoliberalismo que n&#227;o desafia mais fundamentalmente a pr&#243;pria l&#243;gica do capitalismo choca-se contra limita&#231;&#245;es que podem agora ter sido atingidas. <br />
<br />
Pode ser que a melhor ou a &#250;nica defesa da revolu&#231;&#227;o seja radicalizar e aprofundar o processo revolucion&#225;rio, pressionar pelo avan&#231;o de transforma&#231;&#245;es estruturais que v&#227;o al&#233;m da redistribui&#231;&#227;o. O facto &#233; que a burguesia venezuelana pode ter sido deslocada em parte do poder pol&#237;tico mas ainda det&#233;m grande parte do controle econ&#243;mico. Romper aquele controle econ&#243;mico implica uma mudan&#231;a mais significativa na propriedade e nas rela&#231;&#245;es de classe. Isto por sua vez significa romper a domina&#231;&#227;o do capital, do capital global e dos seus agentes locais. Isto naturalmente &#233; uma tarefa herc&#250;lea. N&#227;o h&#225; um caminho claro de avan&#231;o e cada passo gera novas contradi&#231;&#245;es complexas e n&#243;s g&#243;rdios. &#201; claro que estes s&#227;o assuntos que toda a Esquerda Global deve encarar. <br />
<br />
Recordemos as li&#231;&#245;es da Nicar&#225;gua e de outras revolu&#231;&#245;es. Alian&#231;as multi-classe geram contradi&#231;&#245;es desde que a etapa da lua-de-mel da reforma redistributiva e dos programas sociais f&#225;ceis alcancem o seu limite. Ent&#227;o as alian&#231;as multi-classe come&#231;am a entrar em colapso porque h&#225; contradi&#231;&#245;es fundamentais entre distintos projectos e os interesses de classe. Nesse ponto uma revolu&#231;&#227;o deve definir mais claramente o seu projecto de classe; n&#227;o apenas no discurso ou na pol&#237;tica mas na transforma&#231;&#227;o estrutural real. <br />
<br />
A um n&#237;vel mais t&#233;cnico, poder&#237;amos dizer que as contradi&#231;&#245;es geradas pela tentativa de romper a domina&#231;&#227;o do capital global n&#227;o s&#227;o uma falha da revolu&#231;&#227;o. A Venezuela ainda &#233; um pa&#237;s capitalista no qual a lei do valor, da acumula&#231;&#227;o de capital, est&#225; operativa. Esfor&#231;os para estabelecer uma l&#243;gica contr&#225;ria &#8211; uma l&#243;gica da necessidade social e da distribui&#231;&#227;o social &#8211; chocam-se contra a lei do valor. Mas numa sociedade capitalista violar a lei do valor lan&#231;a tudo na loucura, gerando muitos problemas e novos desequil&#237;brios que a contra-revolu&#231;&#227;o &#233; capaz de aproveitar. Isto &#233; o desafio para qualquer revolu&#231;&#227;o orientada para o socialismo dentro do capitalismo global. <br />
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01/Fevereiro de 2010 <br />
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* William I Robinson &#233; Professor de Sociologia na Universidade da Calif&#243;rnia &#8211; Santa B&#225;rbara; Chorinis Polychroniou &#233; editor do di&#225;rio grego Eleftherotypia<br />
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Esta entrevista foi publicada em <a href="http://www.zmag.org/znet/viewArticle/23797">www.zmag.org/znet/viewArticle/23797</a></i><br />
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	<title>Os azares de S&#243;crates</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1488&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-19T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:od&#105;a&#114;&#105;o&#64;&#111;&#100;&#105;ario&#46;in&#102;o)</dc:creator>
	<dc:subject>Colaboradores</dc:subject>
	<description>Com a cad&#234;ncia de uma pe&#231;a de relojoaria, Jos&#233; S&#243;crates &#233; novamente sujeito de suspei&#231;&#227;o de actividade ilegal e ileg&#237;tima, tornando-se uma vez mais, e sempre pelas piores raz&#245;es, motivo de todas as conversas. N&#227;o h&#224; volta a dar, o homem &#233; assim, tem azar. 

Qualquer pessoa medianamente informada da ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Com a cad&#234;ncia de uma pe&#231;a de relojoaria, Jos&#233; S&#243;crates &#233; novamente sujeito de suspei&#231;&#227;o de actividade ilegal e ileg&#237;tima, tornando-se uma vez mais, e sempre pelas piores raz&#245;es, motivo de todas as conversas. N&#227;o h&#224; volta a dar, o homem &#233; assim, tem azar. <br />
<br />
Qualquer pessoa medianamente informada da vida pol&#237;tica portuguesa pode dizer de sopet&#227;o, sem grande risco de ser contrariado, uma ou duas d&#250;zias de pol&#237;ticos a quem seria imposs&#237;vel baterem-lhe &#224; porta tais azares. H&#225; azares que acontecem sempre aos mesmos.<br />
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Agora, voltou a bater &#224; porta de S&#243;crates o azar de amigos e destacados camaradas do PS o relacionarem, em comunica&#231;&#245;es vigiadas pela Pol&#237;cia Judici&#225;ria no &#226;mbito da investiga&#231;&#227;o &#171;Face Oculta&#187;, com um alegado plano que visava interferir em v&#225;rios &#243;rg&#227;os da comunica&#231;&#227;o social e afastar uma jornalista e o director da TVI daquela esta&#231;&#227;o televisiva. O Procurador e o Juiz de Instru&#231;&#227;o do processo &#171;Face Oculta&#187; v&#234;em nesse alegado plano ind&#237;cios de um atentado &#171;contra o Estado de Direito&#187;.<br />
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Perante t&#227;o grav&#237;ssima situa&#231;&#227;o, dez dias passados sobre o conhecimento p&#250;blico generalizado destes factos, S&#243;crates, secret&#225;rio-geral do PS e primeiro-ministro de um seu governo, &#171;aos costumes disse nada&#187; e remete-se a um sil&#234;ncio comprometedor, que incomoda j&#225; camaradas de Partido e preocupa advers&#225;rios pol&#237;ticos.<br />
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Este comportamento traz-me &#224; mem&#243;ria o que escrevi em Novembro de 2007 sobre a escolha de S&#243;crates para primeiro-ministro. A cita&#231;&#227;o &#233; longa mas julgo-a necess&#225;ria:<br />
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&#171;Ao contr&#225;rio dos anteriores secret&#225;rios-gerais do PS, mais do que uma escolha foi um estado de necessidade que levou o poder &#224; op&#231;&#227;o por Jos&#233; S&#243;crates.<br />
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Foi previamente testado, passou pelos Bilderberger e concluiu-se que o &#171;perfil&#187; correspondia ao &#171;modelo definido&#187;: aus&#234;ncia de inquieta&#231;&#245;es ideol&#243;gicas, intelectuais ou de qualquer outra ordem&#8230;<br />
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(&#8230;) Jos&#233; S&#243;crates &#233; apresentado nos media como o salvador. Excelente actor, &#233; com pompa e ar de circunst&#226;ncia que diz a mais elementar vulgaridade como se de um ju&#237;zo elaborado se tratasse&#187;.<br />
<br />
Julgo que o processo de escolha transcrito ajuda a compreender por que raz&#227;o os azares batem &#224; porta de Jos&#233; S&#243;crates, sendo que o primeiro deles foi ter sido escolhido para primeiro-ministro. <br />
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A transcri&#231;&#227;o ajuda tamb&#233;m a encontrar a resposta &#224; pergunta de como &#233; poss&#237;vel esta irrespons&#225;vel fuga &#224;s explica&#231;&#245;es devidas ao pa&#237;s? &#201; que o sil&#234;ncio fede.<br />
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Independentemente do que vier a dizer &#8211; n&#227;o pode fugir durante muito mais tempo &#8211;, a sua teimosia na manuten&#231;&#227;o dos cargos que det&#233;m s&#243; pode arrastar consigo o PS e lan&#231;ar o descr&#233;dito sobre o pa&#237;s, acrescentando dificuldades &#224; crise que Portugal atravessa que tamb&#233;m &#233;, como agora se torna mais evidente que nunca, uma profunda crise moral.<br />
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S&#243;crates que concebe o mundo como uma realidade est&#225;tica, tem uma concep&#231;&#227;o cesarista do poder que muitos confundiram, propositadamente ou n&#227;o, com determina&#231;&#227;o. Rodeou-se de almas g&#233;meas e juntos transformaram o PS numa associa&#231;&#227;o de interesses para disputar elei&#231;&#245;es e distribuir tachos, onde os Congressos - como bem se viu no &#250;ltimo em Fevereiro/Mar&#231;o de 2009 - n&#227;o s&#227;o espa&#231;o de debate e discuss&#227;o de ideias mas espect&#225;culos em louvor e consagra&#231;&#227;o de Jos&#233; S&#243;crates, o chefe incontestado. <br />
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O capital financeiro vai come&#231;ar a demarcar-se. No Grupo Esp&#237;rito Santo com o qual parecia haver uma mais &#237;ntima promiscuidade &#8211; n&#227;o ser&#225; por acaso que a PT &#233; que arcava com o grosso dos custos de execu&#231;&#227;o do alegado &#171;plano&#187; - o seu presidente, Henrique Granadeiro, j&#225; veio dizer que se sente &#171;corneado&#187; (sic) e que se preciso for convoca uma assembleia-geral Portugal Telecom. Outros guardar&#227;o sil&#234;ncio, pois apenas a PT foi apanhada nas malhas do alegado plano, mas isso n&#227;o quer dizer que mantenham o apoio ao que foi o seu mais fiel servidor desde a Revolu&#231;&#227;o de Abril.<br />
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Na sua queda, S&#243;crates tamb&#233;m provoca estragos na Justi&#231;a. Se as cr&#237;ticas ao Presidente do Supremo abrandaram ou mesmo desapareceram depois da sua maratona televisiva na passada semana, elas recrudesceram em rela&#231;&#227;o ao Procurador-Geral da Rep&#250;blica. <br />
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O PS mete a cabe&#231;a na areia como se n&#227;o houvesse uma quest&#227;o pol&#237;tica que urge esclarecer. <br />
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Apesar do aparente apoio de algumas figuras destacadas no aparelho do PS, como Capoulas Santos e Ant&#243;nio Costa que apelam &#224; apresenta&#231;&#227;o pelos partidos da oposi&#231;&#227;o de uma mo&#231;&#227;o de censura, e dos que perante a avalanche de ind&#237;cios procuram aguentar S&#243;crates, como M&#225;rio Soares, muitos mais ser&#227;o os que esperam o desenvolvimento dos acontecimentos para se demarcarem. Aparecem j&#225; as primeiras fissuras. Os jornais falam de Ana Gomes, de Jo&#227;o Cravinho, de Vera Jardim e acrescentam que &#171;Nas bases, tamb&#233;m j&#225; h&#225; militantes que come&#231;am a falar da substitui&#231;&#227;o de S&#243;crates&#8230;&#187;.<br />
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Hoje, S&#243;crates &#233; j&#225; um cad&#225;ver pol&#237;tico e muitos dos que est&#227;o calados apenas esperam que o desenvolvimento dos acontecimentos lhes diga o momento oportuno de reconhecer o &#243;bito. <br />
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O cad&#225;ver pol&#237;tico est&#225; a&#237;, a fam&#237;lia que o enterre.<br />
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<i>Lisboa, 14 de Fevereiro de 2010.</i><br />
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<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=1487&amp;c=1">
	<title>Mobiliza&#231;&#227;o popular no HaitiExigem sa&#237;da das tropas estrangeiras principalmente dos EUA e Brasil</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=1487&amp;c=1</link>
	<dc:date>2010-02-18T07:01:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;&#100;&#105;a&#114;i&#111;&#64;od&#105;a&#114;i&#111;&#46;i&#110;f&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Os seguidores do ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristides iniciaram uma campanha de mobiliza&#231;&#245;es para exigir a sa&#237;da das tropas estrangeiras, principalmente estadunidenses e brasileiras, implantadas no pa&#237;s ap&#243;s o terramoto de 12 de janeiro, que custou mais de 150.000 vidas [not&#237;cias recentes apontam mais de 200 mil &#8211; N.T.], segundo estima ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Os seguidores do ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristides iniciaram uma campanha de mobiliza&#231;&#245;es para exigir a sa&#237;da das tropas estrangeiras, principalmente estadunidenses e brasileiras, implantadas no pa&#237;s ap&#243;s o terramoto de 12 de janeiro, que custou mais de 150.000 vidas [not&#237;cias recentes apontam mais de 200 mil &#8211; N.T.], segundo estima o Governo.<br />
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A oposi&#231;&#227;o &#224; presen&#231;a militar internacional se nutre, principalmente, dos seguidores de Aristide, derrotado em 2004 e 1991 em meio a interrup&#231;&#245;es da ordem constitucional que atribuem &#224; influ&#234;ncia de Washington, e tem sua base em bairros como Cite Soleil ou Bel Air, onde as pinturas com a cara de Aristide convivem com grafites de Bob Marley ou Martin Luther King.<br />
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&#8220;Ar&#237;stides construiu tudo aqui, os brasileiros destru&#237;ram&#8221;, afirmou um homem chamado Jean em uma das ruinosas ruas de Bel Air em declara&#231;&#245;es ao correspondente do jornal brasileiro &#8216;Folha de S&#227;o Paulo&#8217;. Os brasileiros constituem o principal contingente da Miss&#227;o de Estabiliza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas no Haiti (MINUSTAH).<br />
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Uma das principais tarefas da MINUSTAH foi desarmar grupos relacionados a Aristide entre 2004 e 2007. Os soldados brasileiros &#8220;n&#227;o s&#227;o nossos amigos&#8217;. &#8220;Matam o nosso povo&#8221;, lamentou um dirigente da Massa Popular, Vanel Louis Paul.<br />
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Outros setores da popula&#231;&#227;o s&#227;o mais favor&#225;veis &#224; presen&#231;a da MINUSTAH, cuja dire&#231;&#227;o militar depende do Brasil, mas o enviado especial da &#8216;Folha&#8217; destaca que esse &#8220;setor radicalizado&#8221; existe, algo que tem muito presente na miss&#227;o internacional.<br />
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&#8220;N&#227;o deixemos de vigiar atentamente e com preocupa&#231;&#227;o a atua&#231;&#227;o dos partid&#225;rios de Aristide, pese a sua posi&#231;&#227;o de debilidade&#8221;, explicou o chefe de comunica&#231;&#227;o do batalh&#227;o brasileiro da MINUSTAH, o coronel Alan Santos.<br />
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Todos os anos os seguidores de Aristide se manifestam no dia 28 de fevereiro em Porto Pr&#237;ncipe para recordar o golpe de Estado contra Aristide de 2004 e pedir a sa&#237;da da MINUSTAH e, este ano, contar&#227;o com cerca de 5.500 antigos integrantes de grupos armados que puderam escapar das pris&#245;es no terremoto de 12 de janeiro.<br />
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O pr&#243;prio ex-presidente, que se encontra exilado na &#193;frica do Sul e reclama, desde ali, seu retorno ao Haiti sob a promessa de n&#227;o se apresentar nas elei&#231;&#245;es presidenciais. Entretanto, seu partido, Fanmi Lavalas, segue contando com uma importante influ&#234;ncia, sobretudo entre os haitianos mais pobres. &#8220;Estamos em todo o pa&#237;s. Nosso partido &#233; o da maioria&#8221;, sustenta a presidenta do partido, Maryse Narcisse.<br />
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A ex-ministra &#233; mais diplom&#225;tica ao falar dos brasileiros, ainda que pe&#231;a um calend&#225;rio para sua retirada, algo que a ONU sustenta que n&#227;o ocorrer&#225; dentro de &#8220;muitos anos&#8221;.<br />
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&#8220;N&#227;o podemos crer que a MINUSTAH v&#225; ficar para sempre. Necessitamos da solidariedade internacional, mas tem de haver dignidade para n&#243;s&#8221;, afirmou.<br />
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<i>Esta not&#237;cia foi distribu&#237;da pelas ag&#234;ncias acima indicadas em 2 de Fevereiro de 2010.</i><br />
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