A guerra económica em que meteram o país está a destruir a vida dos portugueses
A escalada de preços causada pelo efeito ricochete da aplicação de sanções à Rússia e da retaliação da Rússia aos países da UE, associada à disrupção das cadeias de abastecimentos internacionais, isto é, a guerra económica em que a população europeia foi envolvida pelos seus governos e pela Comissão Europeia, está a causar uma escalada de preços insuportável para os portugueses, principalmente os de mais baixos rendimentos. E está a ser ainda mais grave devido à recusa do governo em tomar medidas efectivas para defender a população da degradação enorme das suas condições de vida. Entretanto, seis grupos económicos arrecadaram, nos 9 primeiros meses de 2022, 2.301 milhões € (+54% que nos 9 meses de 2021). A maior parte destes lucros, distribuídos aos grandes acionistas, nem imposto sobre dividendos paga em Portugal, pois os seus proprietários criaram empresas no estrangeiro para onde transferem os lucros sem pagar impostos no nosso país.
Bastards
A forma como o poder britânico tem tratado o grande cineasta Ken Loach é um bom indicador do estado a que chegou aquela “modelar democracia”. Como os seus notáveis filmes constituem poderosas denúncias da desigualdade e da pobreza que aí se vive, a sua difusão não só é escassa como, no caso da BBC, são ou foram censurados. Ken Loach, que militava na ala esquerda do “Labour”, demitiu-se perante a viragem à direita que resultou da eleição de Keir Starmer e da perseguição interna que se lhe seguiu. Ali, como nos EUA, os partidos que se alternam no poder não representam qualquer alternativa entre si, outro sinal da robustez daquela “democracia”.
Monumentos
Nos últimos tempos, em vários países do norte da Europa, têm sido destruídos ou retirados do espaço público monumentos evocativos da vitória sobre o nazi-fascismo e do papel determinante nela assumido pela União Soviética. Outros, com a mesma origem – e semelhante destino –, exaltam a paz e a amizade entre os povos. Não é um processo de agora, já leva mais de 30 anos. Do que se trata é não só de rasurar uma face fundamental da história. É também de a substituir pelo anticomunismo mais fanático e, em muitos casos, pela glorificação do nazi-fascismo.
Costa e Medina reduzem o défice à custa do aumento da pobreza, do corte drástico no investimento público, da enorme arrecadação de impostos
O actual governo - de Medina e António Costa - promove o constante autoelogio pela redução drástica do défice orçamental e também a redução da dívida pública, transformando estas reduções em grandes feitos a que o país e os portugueses se deviam render. Querem ser vistos em Bruxelas como os campeões na U.E. da redução do défice e da dívida. Mas a realidade não merece elogios mas condenação. Essas reduções são conseguidas à custa da redução do poder de compra dos trabalhadores e dos pensionistas, do aumento da pobreza, do agravamento da situação da escola pública e do SNS, do corte drástico no investimento público e do aumento enorme das receitas de impostos.
Suicídio assistido
«As sanções do Ocidente eram uma «guerra económica e financeira total» contra a Rússia visando «colapsar a sua economia», como disse o ministro francês da Economia, Le Maire (Reuters, 1.3.22). Mas estão a transformar-se no suicídio assistido das economias da União Europeia, a que alguns já chamam UEtanásia.»
Na antecâmara da guerra mundial
«Os membros dos actuais governos europeus, quando a história lhes fizer justiça, ficarão anotados como seres transtornados perigosos e sem coluna vertebral que aceitaram jogar com a vida de dezenas de milhões de pessoas, incluindo os seus próprios cidadãos. E o executivo da República Portuguesa fez até questão de não ser discreto nas provocações dirigidas contra inimigos criados artificialmente numa guerra com a qual os portugueses nada têm a ver.»
Meados de 2022, alavancas geo-políticas em jogo
Importante entrevista de um economista que faz inteira justiça à identificação da Economia como “ciência social”. É o caracter científico da sua análise que o torna não só um dos grandes acusadores das falácias do neoliberalismo e das suas dramáticas consequências “para os 90%” como também um lúcido defensor da necessidade e da inevitabilidade da alternativa socialista.
A teia de aranha da(s) realidade(s)
Há uma teia de aranha ideológica e mediática em sistemática construção. E essa construção visa a despolitização efectiva do mundo contemporâneo, visa que a alienação seja aceite enquanto normalidade, visa que as lutas sociais simulem mudar tudo para não mudar nada. Visa fazer passar por realidade a sucessiva construção de falsidades. Um triunfo do idealismo, na sua dimensão mais reaccionária.
Crimes do capitalismo – apontamentos sobre passado e presente
«A história do capitalismo, desde a sua fase de acumulação original do capital até aos dias de hoje, é uma longa história de violência e crimes. Do tráfico de escravos em larga escala ou o extermínio de populações inteiras (como nas Américas), à ameaça actual de desencadear um conflito global na era nuclear, vai um fio condutor. Esse fio condutor é um sistema assente na exploração e opressão, que devora vidas humanas e meio ambiente para gerar lucros e riqueza em benefício duma pequena minoria.»
As contas manipuladas do Governo sobre o aumento das remunerações dos trabalhadores das Administrações Públicas
Os números do Relatório do Orçamento do Estado para 2023 não batem certo, nomeadamente no que diz respeito à «actualização salarial média aos trabalhadores das Administrações Públicas (Central, Local e Regional) de 3,6% no próximo ano”, e no que dizem sobre o gasto do Estado para a «atualização base remuneratória e outras valorizações remuneratórias”, nas progressões e promoções obrigatórias, e na atualização do subsídio de refeição. O Governo escreve que “para 2023, todos os trabalhadores terão, no mínimo, um aumento de 52,11€ por mês nos seus salários base, sendo também garantida uma valorização de pelo menos 2%”. Analisados os números, não têm consistência nem veracidade. Quem querem Costa e Medina enganar?
Combatente antifascista e anticolonialista, construtor da independência de Angola
No ano do centenário de Agostinho Neto, figura maior da luta de emancipação nacional e social de Angola e primeiro presidente do país libertado, evocam-se elementos centrais da sua vida e da sua acção política revolucionária e patriótica. A vida política de Agostinho Neto constitui uma exemplar ilustração de um traço fundamental da resistência no nosso país: o de ter tornado indissociáveis a luta pela libertação do povo português e a luta de libertação nacional dos povos das colónias. Poderosa convergência emancipatória que desempenhou papel decisivo no 25 de Abril de 1974.
«Uma festa como nenhuma outra»: o testemunho de um norte-americano
O autor deste texto é tradutor da obra de ficção literária de Álvaro Cunhal. Graças a ele, estão traduzidos em língua inglesa – e apenas nela – os oito volumes que a compõem. Veio a Portugal participar na mais recente Festa do Avante!. O seu testemunho é interessante em muitos aspectos, mas merece destaque o sentimento reforçado de confiança num futuro socialista que o autor levou consigo. E isso valerá certamente muito, para alguém que vive no interior da principal potência imperialista.

Chegou-nos a dolorosa notícia do falecimento de Jean Salem. Deixa-nos assim um ser humano excepcional, um dos grandes filósofos marxistas do nosso tempo, um combativo revolucionário cuja penetrante inteligência abarcava todas as expressões do que é humano. Alguém que, reflectindo profundamente acerca da felicidade sabia que ela é, em última análise, inseparável da ideia de revolução. De alguém cuja coerência e inteligência de pensamento e intervenção tinham granjeado admiração e respeito em todo o mundo. Um grande amigo de odiario.info.
Aproxima-se o dia do 120º aniversário do nascimento de Bento de Jesus Caraça. Mas não será nunca necessária uma data redonda para evocar esta extraordinária figura de intelectual, de cientista, de combatente pela democracia e a liberdade nas duras condições do Portugal fascista. Caraça permanece um alto exemplo do intelectual que vê na emancipação dos trabalhadores e do povo simultaneamente condição e consequência do desenvolvimento da ciência, da cultura e da arte.
Um dos aspectos da decadência dos EUA é o da sua classe dominante fazer sobreviver e consolidar o seu poder sobre uma crescente desigualdade interna e uma profunda degradação das condições de vida dos trabalhadores e do povo do seu próprio país. Derrubado o mito da “american way of life”, a violência militar e a exploração que exporta têm uma frágil rectaguarda.



